18/02/2026
QUARTA DE CINZAS...
Segunda-feira de Carnaval, me emocionei demais com essa arte viva, presença e manifestação de , no bloco . Nos stories dela, descobri que essa é uma canção chamada "Me gritaron negra", de Victoria Santa Cruz.
O que mais me emocionou, além do impacto das palavras e da voz, foi a realidade que ela representa, nua e crua.
Hoje, quarta de cinzas, soube de uma triste notícia: mais um homem negro, vítima da violência da discriminação racial. Dessa vez, um par de profissão, psicanalista, que ainda que não o tenha conhecido, resistiu até o fim e agora, infelizmente, já não está mais entre nós.
O registro aqui tem função de memória... uma triste memória que buscam apagar e silenciar o tempo todo. Fazem isso sistematicamente, usando a ciência, as instituições, os espaços, a linguagem... expressando desde a hostilidade à benevolência, a agressividade expressa nas sutilezas.
Sempre fui fã da potência da arte, sempre acreditei que ela tem um poder imenso na denúncia e na elaboração do sofrimento.
Tem horas que faltam palavras que possam oferecer algum tipo de contorno... então, que fique registrada aqui essa arte em forma de protesto.
Deixo aqui também a enunciação feita pelo querido , que me convidou a viver um dos melhores dias da minha vida, na periferia, onde o sentido de coletividade se vivifica: "A periferia é o centro da revolução".