15/09/2026
Ao longo de tantos anos trabalhando com crianças e adolescentes que apresentam comportamentos desafiadores, aprendi uma coisa que considero essencial: uma criança nunca chega sozinha ao consultório.
Com ela chegam uma mãe cansada, dúvidas, tentativas que não deram certo, culpa, medo de estar errando e, muitas vezes, a sensação de já ter tentado de tudo.
E essas mães também precisam ser escutadas.
Não para procurar culpados.
Não para dizer o que deveriam ter feito.
Mas para compreender o que estão vivendo, acolher suas dificuldades e ajudá-las a encontrar caminhos possíveis para aquela criança e aquela família.
Aprendi isso como psicóloga, mas também aprendi dentro da minha própria casa.
A maternidade me ensinou que amar profundamente um filho não significa saber sempre o que fazer. Há momentos em que também ficamos cansadas, preocupadas, frustradas e sem respostas.
Talvez por isso, hoje, quando uma mãe se senta diante de mim e diz “eu não sei mais o que fazer”, eu saiba que minha primeira tarefa não é entregar uma lista de estratégias.
É escutar.
Depois, compreender junto com ela. Observar o que está por trás daquele comportamento. Identificar padrões. Pensar em possibilidades. Orientar. Acompanhar. Ajustar quando necessário.
Porque, depois de tantos anos trabalhando com famílias, tenho cada vez mais certeza de uma coisa:
as mães não são apenas acompanhantes do processo dos filhos. Elas podem ser importantes agentes de mudança.
Quando uma mãe compreende melhor o filho, aprende a reconhecer suas necessidades e encontra formas mais seguras de responder às situações difíceis, alguma coisa começa a mudar na relação.
E é por isso que o trabalho com mães ocupa um lugar tão importante na minha prática.
Cuidar da criança também é acolher, fortalecer e orientar quem está ao lado dela todos os dias. ❤️