22/05/2026
Hoje aconteceu uma daquelas coisas que fazem tudo valer a pena.
Uma senhora que eu atendia há 6 anos, em um dos meus primeiros trabalhos na medicina, em Santo André, foi atrás de mim até me encontrar no serviço onde estou hoje.
E justamente hoje, no aniversário de morte do meu avô, isso teve um significado ainda maior pra mim.
Eu ainda não era geriatra. Era recém-formada, começando minha trajetória na medicina, quando passei uma noite com ele na UTI no pós-operatório. Em um momento delicado, ele apresentou uma fibrilação atrial, e eu lembro de olhar para o médico e dizer:
“Investe nele. Meu avô é um homem ativo, cheio de planos, cheio de vida. Ele ainda tem muita coisa que quer viver.”
Hoje eu entendo que talvez ali já existisse uma geriatra dentro de mim.
Porque geriatria nunca foi sobre idade.
Sempre foi sobre olhar o ser humano por inteiro.
Sobre não reduzir uma pessoa ao número de doenças, à fragilidade ou à data de nascimento.
Talvez seja por isso que me emocione tanto quando alguém lembra do meu cuidado depois de tantos anos.
E é por isso que eu escolhi a geriatria. 🤍