18/08/2026
Talvez a parte mais difícil da perimenopausa não seja o calorão.
É não reconhecer mais a mulher que você sempre foi.
De repente, aquela mulher produtiva começa a esquecer palavras.
A mulher tranquila começa a se sentir irritada por coisas pequenas.
A mulher que sempre dormiu bem passa a acordar no meio da madrugada.
A ansiedade aparece ou piora.
E é justamente aí que mora uma das maiores crueldades da perimenopausa.
Porque ela não acontece de um dia para o outro.
A transição para a menopausa é um período de grande variabilidade hormonal. O funcionamento ovariano torna-se progressivamente mais irregular, e os níveis hormonais podem oscilar de maneira importante de um ciclo para outro.
Não é simplesmente “o estrogênio acabou”.
Antes da menopausa, ele pode subir, cair e oscilar de forma imprevisível — e essa instabilidade parece estar relacionada a parte dos sintomas apresentados nessa fase.
E hormônios não atuam apenas sobre o ciclo menstrual.
Existem receptores e vias influenciadas por estrogênios em diferentes regiões do cérebro envolvidas em termorregulação, sono, memória, humor e cognição.
Por isso a perimenopausa pode aparecer como:
• ondas de calor e suor noturno
• insônia ou vários despertares durante a noite
• irritabilidade
• ansiedade
• alteração do humor
• maior vulnerabilidade a sintomas depressivos
• sensação de “névoa mental”
• dificuldade de concentração
• dificuldade para encontrar palavras
• falhas de memória
• palpitações
• dores articulares e musculares
• alteração da libido
• secura vaginal
• alterações urinárias
• ciclos mais curtos, mais longos, mais intensos ou irregulares
E uma coisa importante:
isso não signif**a que todo sintoma em uma mulher de 40 ou 45 anos seja hormonal.
Depressão existe.
Ansiedade existe.
Doenças da tireoide existem.
Deficiências nutricionais existem.
Distúrbios do sono existem.
E todos eles precisam ser considerados.
Mas o erro também está no outro extremo: ignorar completamente a transição hormonal em uma mulher nessa fase da vida.
Continua na legenda ⬇️