Marcia Britto de Macedo Soares - Médica Psiquiatra

Marcia Britto de Macedo Soares - Médica Psiquiatra Consultório Médico - Psiquiatria - CRM: 62264-SP / RQE 78546
Estudou na Faculdade de Medicina-USP,

Terapia hormonal pode melhorar sintomas depressivos na perimenopausa?A perimenopausa não altera apenas o ciclo menstrual...
15/09/2026

Terapia hormonal pode melhorar sintomas depressivos na perimenopausa?

A perimenopausa não altera apenas o ciclo menstrual. As oscilações hormonais dessa fase podem afetar o sono, aumentar a ansiedade e contribuir para mudanças no humor. Para algumas mulheres, essa transição também está associada a maior risco de sintomas depressivos.

Em um ensaio clínico com mulheres na perimenopausa e transtornos depressivos, o estradiol transdérmico esteve associado à melhora dos sintomas depressivos em uma proporção maior de mulheres do que o placebo.

Outro estudo avaliou estradiol transdérmico associado à progesterona e mostrou redução do surgimento de sintomas depressivos durante a transição para a menopausa. Nesse caso, o objetivo foi prevenir sintomas, e não tratar um episódio depressivo já estabelecido.

Mais recentemente, um estudo publicado em 2026 avaliou a combinação de estradiol/didrogesterona e escitalopram. As mulheres que receberam a combinação apresentaram maiores reduções nos índices de depressão, ansiedade e sintomas físicos do que aquelas que receberam apenas um dos tratamentos.

A escolha do tratamento depende dos sintomas, da intensidade do quadro, do histórico clínico e das características individuais de cada mulher. O acompanhamento adequado permite avaliar a relação entre a transição menopausal e os sintomas depressivos e definir uma estratégia segura e adequada.

Referências

1. Soares CN, Almeida OP, Joffe H, Cohen LS. Arch Gen Psychiatry. 2001;58(6):529-34. doi:10.1001/archpsyc.58.6.529.
2. Gordon JL, Rubinow DR, Eisenlohr-Moul TA, Xia K, Schmidt PJ, Girdler SS. JAMA Psychiatry. 2018;75(2):149-57. doi:10.1001/jamapsychiatry.2017.3998.
3. Wu S, Zeng G, Chen S, Chen H, Xie S, Zhang J, et al. Front Physiol. 2026;17:1728736. doi:10.3389/fphys.2026.1728736.

Dra. Marcia B. Macedo Soares
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E se, além das consultas, pudéssemos acompanhar continuamente mudanças no sono, na atividade, na mobilidade e na comunic...
10/09/2026

E se, além das consultas, pudéssemos acompanhar continuamente mudanças no sono, na atividade, na mobilidade e na comunicação de uma pessoa com transtorno bipolar?

Uma revisão sistemática analisou 57 estudos que utilizaram smartphones e dispositivos vestíveis para coletar, de forma passiva, dados relacionados aos estados de humor.

Na depressão, apareceram com maior frequência redução da atividade e da mobilidade, menor interação social, alterações no sono e menor exposição à luz durante o dia.

Na mania e na hipomania, foram observados maior e mais variável nível de atividade, redução ou antecipação do sono e aumento da comunicação.

Alguns estudos utilizaram inteligência artificial para tentar identificar ou prever episódios de humor, com resultados promissores. Características relacionadas ao ritmo circadiano, especialmente sono e atividade, também se mostraram úteis.

Mas ainda estamos no campo da pesquisa. A maioria dos estudos teve amostras pequenas, acompanhamento relativamente curto e pouca validação em grupos independentes. Portanto, ainda não temos um “detector de mania ou depressão” no celular.

No futuro, porém, alterações sutis e persistentes no sono, na atividade, na mobilidade e na comunicação poderão ajudar a identificar precocemente mudanças no estado de humor.

Isso não substituiria a avaliação clínica, mas poderia acrescentar uma nova fonte de informação ao acompanhamento de pessoas com transtorno bipolar e, eventualmente, contribuir para intervenções mais precoces.

Referência
Kutcher TP, Chakraborty I, Kostick-Quenet K, Sano A, Moukaddam N, Herron JA, Goodman WK, Sheth SA, Sabharwal A, Provenza NR. Digital Markers for Passive Remote Monitoring of Bipolar Disorder: Systematic Review. JMIR Ment Health. 2026 Aug 13;13:e94819. doi:10.2196/94819. PMID: 42594348; PMCID: PMC13472530.

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O cérebro adulto ainda produz novos neurônios? A capacidade do cérebro humano adulto de produzir novos neurônios tem sid...
08/09/2026

O cérebro adulto ainda produz novos neurônios? A capacidade do cérebro humano adulto de produzir novos neurônios tem sido estudada há décadas e ainda é objeto de debate científico.

Um estudo publicado na revista Nature em 2026 analisou aproximadamente 356 mil núcleos celulares de amostras post-mortem do hipocampo, região envolvida em processos de memória e aprendizagem, de pessoas de diferentes idades e condições cognitivas.

Os pesquisadores identificaram células-tronco neurais, neuroblastos e neurônios granulares imaturos no hipocampo de adultos, fornecendo evidências da presença de células associadas à neurogênese no cérebro humano adulto.

O estudo também encontrou alterações nesse perfil neurogênico em pessoas com doença de Alzheimer e mesmo em indivíduos com alterações neuropatológicas iniciais da doença. Já entre os chamados “SuperAgers” — pessoas com 80 anos ou mais que apresentam desempenho de memória comparável ao de adultos muito mais jovens — foram identificadas características moleculares distintas, que podem estar relacionadas à chamada resiliência cognitiva.

É importante, porém, interpretar esses resultados com cautela. O estudo não demonstra que a formação de novos neurônios melhora a memória, nem estabelece uma relação de causa e efeito entre neurogênese e preservação cognitiva.

Os resultados ampliam nosso conhecimento sobre o envelhecimento do hipocampo e podem ajudar a investigar os mecanismos biológicos associados à preservação ou ao declínio cognitivo.

Referência
Disouky A, Sanborn MA, Sabitha KR, et al. Human hippocampal neurogenesis in adulthood, ageing and Alzheimer’s disease. Nature. 2026;652:1264-1273. doi:10.1038/s41586-026-10169-4.

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Todos nós precisamos dos outros em diferentes momentos da vida. Ter vínculos próximos, pedir ajuda ou contar com alguém ...
03/09/2026

Todos nós precisamos dos outros em diferentes momentos da vida. Ter vínculos próximos, pedir ajuda ou contar com alguém não significa ter um transtorno de personalidade.

No Transtorno de Personalidade Dependente (TPD), porém, existe um padrão persistente e excessivo de necessidade de cuidado, acompanhado de dificuldade para agir de forma autônoma e de medo intenso de perder o apoio de pessoas importantes.

A pessoa pode ter dificuldade para tomar decisões sem aconselhamento ou confirmação dos outros, precisar que alguém assuma responsabilidades por áreas importantes de sua vida e evitar discordar por medo de perder apoio ou aprovação. Também pode sentir dificuldade para iniciar atividades sozinha, por falta de confiança em sua própria capacidade, e experimentar intenso desconforto quando está sem alguém por perto.

Em alguns casos, a necessidade de manter o vínculo pode levar a pessoa a tolerar situações desfavoráveis ou relacionamentos insatisfatórios. Quando uma relação importante termina, pode haver uma busca rápida por outro relacionamento que ofereça cuidado e segurança.

O ponto central não é simplesmente “ser dependente” ou gostar de ter companhia: o TPD se caracteriza por um padrão rígido e generalizado de dependência que compromete a autonomia e o funcionamento da pessoa.

O TPD pode coexistir com outros transtornos, como depressão e ansiedade, e algumas características podem se sobrepor às de outros transtornos de personalidade. O diagnóstico deve considerar a história de vida e o padrão de funcionamento, e não comportamentos isolados.

A psicoterapia é fundamental no tratamento e busca favorecer, progressivamente, o desenvolvimento da autonomia, da autoconfiança, da capacidade de tomar decisões e de estabelecer relações mais equilibradas.

Referências 1. American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders. 5th ed, text rev. DSM-5-TR. Washington, DC: American Psychiatric Association Publishing; 2022. 2. Maccaferri GE, et al. Psychiatry. 2020;83(2):179-194. 3. Bach B, First MB. BMC Psychiatry. 2018;18:351.

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Setembro Amarelo: falar sobre sofrimento também é prevenção.O sofrimento emocional pode atingir qualquer pessoa e, em al...
01/09/2026

Setembro Amarelo: falar sobre sofrimento também é prevenção.

O sofrimento emocional pode atingir qualquer pessoa e, em alguns momentos, chegar a níveis muito intensos. Por isso, falar sobre saúde mental de forma aberta e acolhedora é uma maneira importante de reconhecer situações de sofrimento e favorecer a busca por ajuda.

Não existe uma única causa para uma crise emocional. Aspectos psicológicos, sociais, familiares, biológicos e ambientais podem se combinar de diferentes formas ao longo da vida.

Mudanças persistentes de comportamento, isolamento, alterações de humor e perda de interesse por atividades também merecem atenção, embora não sejam, isoladamente, sinais específicos de uma situação de risco.

Ouvir sem julgamentos, levar o sofrimento a sério e incentivar a busca por acompanhamento profissional podem fazer diferença. Quando percebemos que alguém não está bem, não precisamos ter todas as respostas. Precisamos estar presentes e ajudar essa pessoa a encontrar apoio.

Neste Setembro Amarelo, o convite é para construirmos espaços onde falar sobre sofrimento seja possível, pedir ajuda seja natural e ninguém precise enfrentar momentos difíceis sozinho.

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Imagine o rosto de alguém próximo ou uma praia que você conhece. Para muitas pessoas, essa instrução faz surgir uma imag...
27/08/2026

Imagine o rosto de alguém próximo ou uma praia que você conhece. Para muitas pessoas, essa instrução faz surgir uma imagem mental. Para outras, nenhuma imagem aparece.

Essa característica é conhecida como afantasia: uma redução acentuada ou ausência da capacidade de formar imagens visuais voluntariamente na mente. A pessoa pode saber como é um rosto, um objeto ou um lugar e descrevê-lo, sem necessariamente conseguir “vê-lo” mentalmente.

A afantasia não é considerada um transtorno psiquiátrico. Trata-se de uma variação na experiência da imaginação e da representação mental, que pode ocorrer em diferentes graus.

Uma mini-revisão publicada em 2025 analisou evidências sobre a relação entre imagens mentais e memória autobiográfica. Os autores discutem que pessoas com afantasia podem apresentar menor capacidade de construir mentalmente cenas e uma experiência menos vívida ao recordar acontecimentos pessoais. Isso não significa ausência de memória: fatos e informações sobre o passado podem permanecer disponíveis, embora a experiência de recordá-los seja diferente.

A revisão também destaca o envolvimento de regiões como o hipocampo e o córtex pré-frontal ventromedial na construção de cenas mentais e na recuperação de memórias autobiográficas.

A afantasia mostra como processos que parecem universais podem variar bastante de uma pessoa para outra. Nem todos imaginamos, recordamos ou representamos mentalmente nossas experiências da mesma maneira.

Referência:
McCormick C, Lange S. Missing images: autobiographical memory in Aphantasia and blindness. Front Cognit. 2025;4:1644533. doi:10.3389/fcogn.2025.1644533.

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A anedonia é um sintoma central da depressão e corresponde à redução da capacidade de experimentar prazer ou interesse e...
25/08/2026

A anedonia é um sintoma central da depressão e corresponde à redução da capacidade de experimentar prazer ou interesse em atividades anteriormente gratificantes. Embora característica dos transtornos depressivos, também pode estar presente em outros transtornos psiquiátricos.

Nas últimas décadas, estudos sobre o processamento de recompensa ampliaram a compreensão da anedonia. A literatura diferencia aspectos antecipatórios e consumatórios da experiência de recompensa, relacionados, de maneira aproximada, aos conceitos de “wanting” — motivação para buscar uma recompensa — e “liking” — experiência hedônica durante o contato com ela.

Na anedonia antecipatória, há redução da expectativa de prazer e/ou da motivação para se aproximar de uma atividade potencialmente gratificante. Na consumatória, a alteração está mais relacionada à experiência de prazer durante ou após a atividade.

Essa distinção pode contribuir para uma avaliação psicopatológica mais precisa. Uma pessoa pode deixar de esperar que uma atividade seja prazerosa e, consequentemente, ter menor motivação para realizá-la; outra pode realizá-la, mas experimentar pouco prazer.

Pesquisas recentes sugerem que essas dimensões podem apresentar padrões diferentes de associação com sintomas depressivos e de ansiedade social. Em um estudo com universitários, a anedonia antecipatória e a consumatória apresentaram associações distintas com diferentes sintomas desses quadros. Os resultados, entretanto, são associativos e precisam ser investigados em estudos longitudinais e em amostras clínicas.

Compreender as diferentes dimensões da anedonia pode contribuir para uma avaliação clínica mais detalhada e para uma melhor compreensão da psicopatologia dos transtornos em que ela está presente.

Referências

1. Treadway MT, Zald DH. Neurosci Biobehav Rev. 2011;35(3):537-555. doi:10.1016/j.neubiorev.2010.06.006.

2. Treadway MT, et al. Curr Dir Psychol Sci. 2013;22(3):244-249. doi:10.1177/0963721412474460.

3. Rajesh S, et al. Depress Anxiety. 2025;2025:5674096. doi:10.1155/da/5674096.

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Expressões faciais, tom de voz, postura corporal e outros sinais comunicam nossos estados emocionais. Os cães convivem c...
20/08/2026

Expressões faciais, tom de voz, postura corporal e outros sinais comunicam nossos estados emocionais. Os cães convivem com seres humanos há milhares de anos e desenvolveram sensibilidade particular aos nossos sinais sociais. Estudos mostram que conseguem discriminar diferentes expressões faciais humanas e utilizar essas informações para orientar seu comportamento.

Um estudo de 2026, utilizando ressonância magnética funcional, observou padrões distintos de atividade cerebral em cães diante de diferentes expressões faciais humanas. Os animais apresentaram maior resposta a faces felizes e conseguiram diferenciar algumas emoções negativas. Os resultados sugerem que o cérebro canino processa diferentes estados emocionais humanos de maneira distinta.

Outro estudo, publicado em 2024, mostrou respostas comportamentais diferentes diante de emoções genuinamente vivenciadas por seus tutores. Isso, entretanto, não significa que sejam “empáticos” no sentido humano do termo.

Também foi publicado em 2026 um estudo experimental que encontrou padrões específicos de atividade cerebral em pessoas durante a interação com cães. Os achados ajudam a investigar os mecanismos envolvidos nesse vínculo, mas não permitem concluir que a interação com cães produza benefícios clínicos específicos.

Por isso, é preciso cautela com afirmações como “ter um cachorro melhora a depressão”. A convivência com um animal pode oferecer companhia, afeto, rotina e oportunidades de interação, mas seus efeitos variam entre as pessoas e não substituem tratamentos.

As pesquisas sugerem que a relação entre humanos e cães envolve uma comunicação social e emocional sofisticada. E compreender esse vínculo pode nos ajudar a refletir sobre a importância da percepção emocional e dos vínculos sociais.

Referências: 1. Hernández-Pérez R, et al. iScience. 2026;29(8):116900. 2. Bräuer J, et al. Anim Cogn. 2024;27(1):60. 3. Albuquerque N, et al. Biol Lett. 2016;12(1):20150883. 4. Carbone F, et al. Front Hum Neurosci. 2026;20:1731796.

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Todo mundo pode sentir raiva. O problema é quando explosões de irritação e agressividade são recorrentes, desproporciona...
18/08/2026

Todo mundo pode sentir raiva. O problema é quando explosões de irritação e agressividade são recorrentes, desproporcionais à situação e difíceis de controlar.

O Transtorno Explosivo Intermitente (TEI) é um transtorno do controle dos impulsos caracterizado por episódios repetidos de agressividade impulsiva. Durante as crises, a pessoa pode gritar, xingar, ameaçar, quebrar objetos ou partir para agressões físicas, muitas vezes diante de situações que provocariam apenas irritação ou frustração.

As explosões geralmente não são planejadas e, depois, podem surgir arrependimento, culpa ou constrangimento.

O diagnóstico não deve ser feito apenas porque alguém “tem pavio curto”. É preciso avaliar a frequência, a intensidade e a desproporção dos episódios, além do impacto na vida pessoal, familiar e profissional.

Também é importante investigar outras condições que podem apresentar irritabilidade ou agressividade, como transtorno bipolar, TDAH, transtornos de personalidade, uso de substâncias e alguns transtornos neurológicos.

A origem do TEI é multifatorial e envolve fatores biológicos, dificuldades de regulação emocional, experiências adversas ao longo do desenvolvimento e fatores ambientais. Pesquisas também investigam circuitos cerebrais relacionados às emoções e ao controle dos impulsos.

O tratamento envolve psicoterapia, com foco no reconhecimento dos gatilhos, regulação emocional e estratégias para interromper a escalada da raiva. Em alguns casos, medicamentos podem ser utilizados após avaliação médica. Reconhecer o problema é o primeiro passo para interromper esse ciclo e evitar as consequências de novas explosões.

Referências
1. Paliakkara J, et al. A systematic review of the etiology and neurobiology of intermittent explosive disorder. medRxiv. 2024. doi:10.1101/2024.09.12.24313573.
2. Liu F, Yin X. Psychological and pharmacological treatments of intermittent explosive disorder: a meta-analysis protocol. BMJ Open. 2024;14(8):e083896. doi:10.1136/bmjopen-2024-083896.

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Impulsividade, inquietação, dificuldade de concentração e alterações no comportamento podem estar presentes tanto no Tra...
13/08/2026

Impulsividade, inquietação, dificuldade de concentração e alterações no comportamento podem estar presentes tanto no Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) quanto no Transtorno Bipolar. Essa sobreposição de sintomas pode tornar o diagnóstico mais complexo, especialmente em adultos.

Uma das principais diferenças está na forma como os sintomas se manifestam ao longo do tempo. No TDAH, os sintomas têm início na infância e apresentam um padrão persistente, embora sua intensidade e impacto possam variar ao longo da vida.

No Transtorno Bipolar, as alterações ocorrem de forma episódica, representando uma mudança em relação ao funcionamento habitual. Durante episódios de mania ou hipomania, podem ocorrer aumento de energia e atividade, redução da necessidade de sono, aceleração do pensamento, maior impulsividade e dificuldade de manter a atenção. Entre os episódios, essas manifestações tendem a diminuir ou desaparecer.

Além disso, TDAH e Transtorno Bipolar podem coexistir, o que torna a avaliação clínica ainda mais importante. O diagnóstico não deve se basear em um sintoma isolado, mas considerar a história do paciente, a idade de início, a duração e a evolução dos sintomas, a presença de episódios de alteração do humor e o impacto na vida cotidiana.

Diferenciar corretamente os dois transtornos é essencial, já que as estratégias de tratamento são distintas e devem ser definidas de acordo com as características de cada paciente.

Referências:
1. Asherson P, Young AH, Eich-Höchli D, Moran P, Porsdal V, Deberdt W. Differential diagnosis, comorbidity, and treatment of attention-deficit/hyperactivity disorder in relation to bipolar disorder or borderline personality disorder in adults. Curr Med Res Opin. 2014;30(8):1657-1672. doi:10.1185/03007995.2014.915800.

2. MacDonald L, Sadek J. Management strategies for borderline personality disorder and bipolar disorder comorbidities in adults with ADHD: a narrative review. Brain Sci. 2023;13(11):1517. doi:10.3390/brainsci13111517.

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