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Um pai não transmite apenas sobrenome, histórias e costumes. Ele também transmite formas de lidar com medo, raiva, silên...
09/08/2026

Um pai não transmite apenas sobrenome, histórias e costumes. Ele também transmite formas de lidar com medo, raiva, silêncio, afeto e limite.

Quando um homem cresce aprendendo que precisa engolir o choro, endurecer cedo ou obedecer pelo medo, o corpo pode levar essas marcas para a vida adulta. E, sem cuidado, algumas dessas respostas aparecem na paternidade como explosão, distância, controle ou dificuldade de acolher emoção.

Quebrar um ciclo começa quando esse pai olha para a própria história e percebe que não precisa repetir tudo o que recebeu.

Essa também é uma forma profunda de amor paterno: não fazer o filho carregar uma dor que começou antes dele.

07/08/2026

A verdade é que o estresse não desorganiza só a nossa rotina. Ele desorganiza o nosso corpo, a nossa mente, a nossa forma de pensar e de agir.

Isso acontece porque, sob pressão, aquela famosa parte do cérebro chamada amígdala ativa a resposta para nos fazer sobreviver É o modo "luta, fuga ou congelamento".

O problema? Nessa momento a área frontal que é responsável pelo raciocínio simplesmente não funciona direito.O pensamento não vem, a gente não sabe como agir e a sensação de bagunça só aumenta.

Se você está passando por um momento tenso e sente que não está raciocinando bem, calma. Não é culpa sua, é o seu cérebro tentando te proteger.

Como resolver? Regulação emocional e terapia.

Muitos terapeutas chamam de autossabotagem aquilo que, por muito tempo, foi uma tentativa de proteção.A pessoa estuda, f...
04/08/2026

Muitos terapeutas chamam de autossabotagem aquilo que, por muito tempo, foi uma tentativa de proteção.

A pessoa estuda, faz supervisão, busca formação, cuida da técnica, se preocupa com ética. Ainda assim, trava quando precisa aparecer, cobrar de forma mais justa, divulgar seu trabalho ou se reconhecer como alguém que tem algo importante a dizer.

Por fora, parece insegurança profissional.

Por dentro, pode existir medo de julgamento, medo de errar, medo de parecer arrogante, medo de ser vista demais, medo de deixar de ser aceita quando começa a ocupar mais espaço.

Na clínica, falamos tanto sobre história, corpo, sistema nervoso e experiências emocionais dos pacientes. Mas o terapeuta também tem história. Também tem corpo. Também tem marcas. Também aprendeu, em algum momento, o que era seguro ou perigoso quando tentava se posicionar.

Por isso, crescer profissionalmente não passa só por estudar mais.

Também passa por reconhecer quais partes suas ainda associam visibilidade com ameaça, cobrança com culpa e autoridade com exposição.

Talvez o seu próximo passo como terapeuta não seja acumular mais uma formação para se sentir pronta.

Talvez seja começar a sustentar, com mais segurança, o lugar que você já pode ocupar hoje.

Salve para reler quando sentir que está se escondendo atrás da ideia de que “ainda não está pronta”.

31/07/2026

Amanhã, terei a honra de palestrar no II Encontro Regional de EMDR, promovido pela Associação Brasileira de EMDR!

O tema que vou apresentar é um que vocês sempre me veem trazer por aqui e que é pilar fundamental na minha prática clínica: EMDR e o Trauma Intercultural. Vamos explorar como os choques culturais, as transições e as adaptações em novas realidades mexem profundamente com o nosso psicológico, e como a abordagem do EMDR pode guiar o reprocessamento dessas dores.

O evento trará diversos temas essenciais para a comunidade, terá início às 9h da manhã e você é nosso convidado especial!

Tem uma fase da terapia em que a pessoa começa a se perceber de um jeito diferente.Ela olha para algumas reações e pensa...
28/07/2026

Tem uma fase da terapia em que a pessoa começa a se perceber de um jeito diferente.

Ela olha para algumas reações e pensa: “eu sempre fui assim ou aprendi a ser assim?”

Começa a notar o quanto se cobra, o quanto se adapta, o quanto engole desconfortos, o quanto tenta dar conta de tudo, o quanto sente culpa por colocar limite, o quanto chama de personalidade aquilo que nasceu como defesa.

E isso pode mexer bastante.

Porque se conhecer não é só descobrir coisas bonitas sobre si. Também é encontrar padrões que cansam, dores que foram normalizadas e formas de sobreviver que já não combinam tanto com a vida que a pessoa quer construir.

Na terapia, muitas vezes, a mudança começa assim: antes de fazer diferente, você passa a se enxergar com mais honestidade.

E quando você começa a se reconhecer, algumas escolhas antigas já não servem do mesmo jeito.

Ela aparece como obrigação e dívida, como medo de decepcionar. E, quando percebe, você está tentando reparar dores que n...
26/07/2026

Ela aparece como obrigação e dívida, como medo de decepcionar. E, quando percebe, você está tentando reparar dores que não foram criadas por você.

Muitas mulheres carregam culpas que atravessaram gerações em silêncio. Uma avó que precisou aguentar demais. Uma mãe que recebeu essa dor em forma de cobrança, medo ou dureza. Uma filha que cresceu sentindo que precisava dar conta, compensar, cuidar, não falhar, não pesar.

A culpa vai mudando de forma, mas continua passando adiante.

Olhar para isso não é acusar quem veio antes. É reconhecer que algumas histórias foram vividas com poucos recursos emocionais, pouca escuta e muita sobrevivência.

Mas aquilo que foi herdado também pode ser elaborado.

Você não precisa continuar chamando de sua uma culpa que nasceu de dores que não foram possíveis de cuidar antes.

Tem uma frase que escuto muito em diferentes formas: “mas eu já entendi o que aconteceu”.E, muitas vezes, a pessoa enten...
22/07/2026

Tem uma frase que escuto muito em diferentes formas: “mas eu já entendi o que aconteceu”.

E, muitas vezes, a pessoa entendeu mesmo. Consegue explicar a história, nomear o que viveu, reconhecer padrões, perceber relações entre passado e presente.

Só que o corpo continua reagindo.

O coração acelera diante de certos sinais. O sono não aprofunda. A tensão aparece sem aviso. A irritação vem rápido. A mente procura perigo onde, racionalmente, a pessoa sabe que está segura.

Isso acontece porque o cérebro não organiza o trauma apenas como lembrança. Ele também registra ameaça, sensação, defesa, corpo e contexto.

Por isso, no Dia do Cérebro, vale lembrar: algumas dores não precisam de mais cobrança para “pensar positivo”. Precisam de cuidado para que o sistema nervoso consiga aprender, com segurança, que o perigo já passou.

22/07/2026

Tem uma solidão muito específica em viver entre mundos.

No país novo, você leva sotaque, memória, costumes, saudade e esforço de adaptação. No Brasil, quando volta, percebe que algo também mudou. Os lugares são familiares, mas você já não se encaixa exatamente do mesmo jeito.

A migração não desloca apenas o corpo. Ela também transforma a identidade, movimenta o pertencimento e segurança interna.

Pode trazer um estranhamento sobre si e os outros, mas é um movimento de reconhecer quem se tornou depois de tentar caber em mais de um lugar.

O processo de migração exige muito mais do que se adaptar ao clima.Para a mulher, ele frequentemente envolve o luto pela...
20/07/2026

O processo de migração exige muito mais do que se adaptar ao clima.

Para a mulher, ele frequentemente envolve o luto pela história construída no Brasil, a busca por reinvenção profissional ou até suspensão da própria carreira para apoiar a do esposo, e o desgaste diário de enfrentar estereótipos que desvalorizam sua intelectualidade.

Tudo isso longe daquela rede de apoio familiar que sustentava os dias mais difíceis, e até mesmo a responsabilidade de ser apoio e rede no seu novo lar. Essa constante necessidade de se desdobrar para fazer a vida funcionar em solo estrangeiro pode manter o seu corpo em um estado de alerta e exaustão mental invisível.

Reconhecer que esse peso existe não é um sinal de fraqueza, mas o primeiro passo para validar a sua própria trajetória.

Se você sente que precisa de um espaço seguro, ético e intercultural para acolher as suas vivências, reorganizar sua vagagem e aliviar essa sobrecarga, me envie um direct.

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