03/06/2026
Existe um momento na trajetória de quem se forma em psicologia clínica, em que a teoria básica pede uma outra coisa.
Depois dos livros recomendados e das supervisões na faculdade, todo psicólogo que quer se tornar um psicoterapeuta sério descobre cedo ou tarde que o trabalho clínico precisa da ampliação de outros olhares e do desenvolvimento em um nível profundo, do próprio psicoterapeuta.
Pois a clínica se sustenta em quem se é.
Foi assim que Jung descreveu essa exigência: "todas as linhas terapêuticas representam um compromisso ético considerável, e todas podem ser englobadas numa única verdade, você tem que ser a pessoa com a qual quer influir sobre o seu paciente".
É uma frase desconfortável.
Ela tira a clínica do plano da técnica e a coloca no plano da existência; e é exatamente por isso que a supervisão importa.
Supervisão é espaço de elaboração.
É onde se olha para o que o caso despertou no terapeuta, e não apenas para o que o caso é; é onde a contratransferência deixa de ser ruído e passa a ser informação; é onde os pontos cegos, que todos nós temos, encontram a chance de serem nomeados antes que se transformem em impasse e em estagnação do caso.
Ao longo de muitos anos acompanhando psicólogos em supervisão, observo algo que se repete: as pessoas costumam procurar supervisão por uma demanda técnica, um caso específico, um impasse pontual; e, ao longo do percurso, descobrem que o que estava emperrado no caso estava emperrado também em outros lugares delas mesmas.
Uma boa supervisão começa pelo caso e termina chegando no terapeuta.
Para participar, basta me chamar por mensagem ou acessar o semearse.com.br.