03/03/2026
Hoje é um dia profundamente triste para mim.
Perdi uma paciente que me ensinou algo que nenhuma residência, fellowship ou especialização ensina: a olhar para o paciente como ser humano — e não apenas como um portador de enfermidade.
Ela já havia sobrevivido há três cânceres. (Intestino, Útero e ovário). E, mesmo assim, nunca perdeu a força de viver. Nunca a vi reclamar da sua condição atual. Mesmo diante de todas intempéries dessa sua última internação.
Mesmo diante de um corpo exausto, de dores que ela nunca reclamava. Foi resiliente em todos os dias que escolheu agradecer pela vida.
Ontem, um dia antes de partir, conseguimos através de sua filha, trazer seu cãozinho para se despedir. Autorizar a entrada do seu pet no hospital pode ter sido o que permitiu que ela se despedisse da sua companheira de vida um dia antes de partir.
Entre bombas de infusão, protocolos e decisões complexas, o que realmente importava ali era vínculo. Era amor. Era história.
Essa imagem, que pedi pr Chat-gpt montar baseada na foto dela que recebi da filha, representa esse momento.
Não é apenas um relato de perda.
É um relato de aprendizado.
Como médico, sigo convicto: não tratamos doenças. Tratamos pessoas. Pessoas que sentem, que amam, que têm histórias — e que merecem ser vistas como seres humanos até o último dia.
Que ela descanse em paz.
E que nós saibamos honrar o que ela nos ensinou: gratidão por estarmos aqui.