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Tenho pensado muito sobre o quanto a nossa voz importa.Por muito tempo, nós, mulheres, fomos ensinadas a não falar demai...
02/10/2026

Tenho pensado muito sobre o quanto a nossa voz importa.

Por muito tempo, nós, mulheres, fomos ensinadas a não falar demais, a não questionar, a não ocupar determinados espaços. A deixar que outras pessoas decidissem por nós.

E talvez por isso, para mim, falar sobre eleição também seja falar sobre autonomia.

Não sobre escolhermos todas da mesma forma. Pelo contrário. A beleza está justamente em podermos pensar diferente, discordar, questionar e construir nossas próprias escolhas.

Que a gente possa se informar, refletir e participar.
Que a nossa escolha seja nossa.
Que a nossa voz seja nossa.

Porque quando uma mulher se permite falar, pensar e ocupar seu espaço, ela também abre caminho para que outras mulheres façam o mesmo.

Que nenhuma de nós tenha medo de ser uma mulher que opina. Porque quando uma mulher encontra sua voz, ela também abre espaço para que outras encontrem a delas.

Todos os dias, mulheres chegam até mim carregando muito mais do que conseguem nomear.Chegam cansadas de dar conta.De cui...
10/09/2026

Todos os dias, mulheres chegam até mim carregando muito mais do que conseguem nomear.

Chegam cansadas de dar conta.
De cuidar.
De trabalhar.
De serem mães, companheiras, filhas, profissionais.
De corresponder às expectativas.
De tentar estar bem quando, por dentro, já não sabem mais como estão.

Muitas chegam dizendo que estão exaustas, ansiosas, irritadas, sem desejo, sem tempo para si… mas, ainda assim, acreditam que deveriam conseguir fazer mais.

Vivemos em um mundo que nos ensina a correr, produzir, responder, melhorar. E, sem perceber, podemos transformar a própria vida em uma lista interminável de cobranças.

Mas existe uma parte de nós que não pede desempenho.

Pede escuta.
Pede pausa.
Pede presença.

É nesse lugar que encontro muitas das mulheres que acompanho.

O meu trabalho é também oferecer um espaço onde elas possam, pouco a pouco, deixar de apenas sobreviver às demandas da vida e começar a escutar aquilo que acontece dentro de cada uma delas.

Na perspectiva junguiana, olhar para dentro é se aproximar de quem somos para além dos papéis que desempenhamos, das expectativas que carregamos e de tudo aquilo que aprendemos que deveríamos ser.

Porque, muitas vezes, o caminho não é se tornar uma mulher que dá conta de tudo.

É descobrir quem é essa mulher quando ela não precisa mais dar conta de tudo.

Talvez você não precise se cobrar mais.

Talvez precise se escutar.

Porque existe uma diferença profunda entre tentar se tornar alguém melhor e começar a se tornar mais inteira.

A mulher madura já não floresce para ser vista.Floresce porque aprendeu a voltar para si. Deixa para trás as versões que...
20/08/2026

A mulher madura já não floresce para ser vista.
Floresce porque aprendeu a voltar para si.

Deixa para trás as versões que criou para caber
e começa a habitar, com coragem, a mulher que sempre foi.

Talvez amadurecer seja isso:
não se tornar outra, mas finalmente se reconhecer.

Nem todo trauma chega fazendo barulho.Às vezes, ele nasce de algo que, naquele momento, parecia pequeno demais para rece...
20/08/2026

Nem todo trauma chega fazendo barulho.

Às vezes, ele nasce de algo que, naquele momento, parecia pequeno demais para receber um nome.

Uma rejeição.
Uma ausência.
Uma palavra que feriu.
Um abandono.
Uma relação em que você precisou se diminuir para caber.
Uma experiência que você aprendeu a silenciar porque “não foi tão grave assim”.

Mas aquilo que não foi elaborado pode continuar vivendo em nós.

Pode aparecer na forma como nos relacionamos, na dificuldade de confiar, no medo de sermos abandonadas, na necessidade de controlar tudo ou na sensação constante de que precisamos estar em alerta.

Na perspectiva junguiana, olhar para essas marcas é também olhar para aquilo que ficou inconsciente — não para permanecer presa ao passado, mas para compreender o que a nossa história ainda está tentando nos dizer.

Porque quando conseguimos escutar de verdade aquilo que nos atravessou, algo começa a mudar.

A história não pode ser apagada.
Mas pode ganhar um novo significado.

E talvez seja esse um dos movimentos mais profundos do processo terapêutico: deixar de apenas sobreviver à própria história e começar, aos poucos, a se relacionar com ela de uma nova maneira.

Nem toda ferida é visível.
Mas toda dor que pede para ser escutada merece espaço.

Escutar é transformar. Falar é libertar.

Há dias em que a gente não precisa se encontrar.Precisa apenas se permitir viver.Sentir o sol na pele, respirar mais fun...
19/08/2026

Há dias em que a gente não precisa se encontrar.

Precisa apenas se permitir viver.

Sentir o sol na pele, respirar mais fundo, silenciar o que pesa e lembrar que a vida também acontece nos pequenos instantes em que simplesmente somos.

Sem pressa.
Sem explicação.
Só presença.

Eu já estive no fundo do poço.E talvez essa seja uma das coisas que mais atravessam a minha forma de escutar o outro.Eu ...
13/08/2026

Eu já estive no fundo do poço.

E talvez essa seja uma das coisas que mais atravessam a minha forma de escutar o outro.

Eu sei o que é acordar sem saber de onde tirar forças para levantar.
Sei o que é sorrir por fora enquanto, por dentro, alguma coisa pede socorro.
Sei o que é olhar para a própria vida e não reconhecer mais quem se é.

Por isso, quando alguém chega até mim dizendo “eu não estou bem”, eu não escuto apenas uma queixa.

Eu escuto uma pessoa tentando sobreviver a alguma coisa que, muitas vezes, nem ela consegue nomear.

Ser terapeuta não me colocou acima da dor.
Não me tornou imune às minhas próprias sombras.
Não fez de mim alguém que tem todas as respostas.

Ao contrário.

O meu próprio caminho me ensinou que existem momentos em que precisamos admitir: eu não estou conseguindo sozinha.

E pedir ajuda não é fracasso.

É, muitas vezes, o primeiro movimento de retorno para si.

Eu já estive no fundo do poço.
E sei que, quando estamos lá, parece que não existe saída.

Mas existe.

Às vezes, ela começa muito pequena: numa conversa, num pedido de ajuda, numa sessão, num choro que finalmente pode acontecer sem precisar ser escondido.

Hoje, eu não romantizo o meu sofrimento.

Mas reconheço que foi atravessando algumas das minhas próprias noites que aprendi a respeitar ainda mais a noite do outro.

Porque ninguém precisa estar inteiro para começar a se reconstruir.

E talvez seja isso que eu mais queira dizer para quem está lendo:

Você não precisa saber como sair agora.
Só não precisa continuar acreditando que precisa atravessar tudo sozinho.

Ao longo dos atendimentos, escuto muitas mulheres dizendo, de formas diferentes, a mesma coisa:“Tenho medo de ser demais...
06/08/2026

Ao longo dos atendimentos, escuto muitas mulheres dizendo, de formas diferentes, a mesma coisa:

“Tenho medo de ser demais.”
“Tenho medo de afastar quem eu amo.”
“Talvez eu precise mudar para que dê certo.”

E, pouco a pouco, vamos percebendo juntas que o problema nunca foi sentir demais, ser intensa demais ou ocupar espaço demais.

O que machuca é acreditar que, para ser amada, você precisa abandonar partes de si.

Nem todo amor chega fazendo barulho.

Às vezes, ele se revela no espaço onde você não precisa medir as palavras, esconder as lágrimas ou parecer menor para ser aceita. Existe uma paz muito bonita em ser vista sem precisar se defender.

Talvez seja isso que chamamos de encontro: quando alguém olha para você sem desejar consertá-la. E, ao mesmo tempo, você já não precisa abandonar quem é para permanecer.

Mas, antes de reconhecer esse amor no outro, existe um caminho silencioso de volta para si.

É nesse lugar que a terapia acontece. Não para ensinar você a caber, mas para ajudá-la a se reconhecer.

Porque talvez o amor mais transformador não seja aquele que chega para completar quem você é.

Talvez seja aquele que encontra uma mulher que já começou a voltar para si.

E quando você aprende a habitar a própria alma, deixa de negociar a sua essência. Deixa de chamar de amor aquilo que exige o seu desaparecimento.

Que o amor encontre você inteira.

Muitas pessoas me perguntam por que escolhi esse caminho.A verdade é que eu não escolhi apenas uma profissão. Escolhi um...
30/07/2026

Muitas pessoas me perguntam por que escolhi esse caminho.

A verdade é que eu não escolhi apenas uma profissão. Escolhi uma forma de estar no mundo.

Sempre acreditei que existe uma história por trás de cada dor, de cada sintoma e de cada silêncio. Foi essa crença que me levou à Psicologia Analítica. Acredito que o sofrimento não é um fim, mas um convite ao encontro consigo mesmo. Que toda crise pode abrir espaço para a transformação quando é acolhida com respeito, presença e escuta.

Ao longo da minha caminhada, tive o privilégio de acompanhar mulheres que chegaram sem acreditar mais em si mesmas e que, aos poucos, reencontraram a própria força. Mulheres que aprenderam a colocar limites, ressignificaram suas dores, recuperaram a autoestima e voltaram para si.

Essas mudanças não acontecem porque eu tenho as respostas. Elas acontecem porque construímos, juntas, um espaço seguro onde cada mulher pode ouvir a própria alma. Meu papel é caminhar ao lado, respeitando o tempo e a singularidade de cada história.

Quando uma sessão começa, sinto uma profunda gratidão. Existe algo de muito sagrado nesse encontro. Alguém escolheu confiar em mim aquilo que talvez nunca tenha conseguido contar a ninguém. Recebo essa confiança com amor, respeito e humildade.

Cada atendimento também me transforma. Cada história amplia meu olhar e reforça a certeza de que escolhi o caminho certo.

Mais do que uma profissão, encontrei uma forma de contribuir para o mundo: oferecer um espaço onde as pessoas possam voltar para casa. Para dentro de si.

É isso que me move. E é por isso que continuo acreditando, todos os dias, na força transformadora da psicoterapia.

Deitei na grama.Sem pressa.Sem performance.Sem precisar provar que estou sendo produtiva o tempo todo.Por muito tempo ac...
10/07/2026

Deitei na grama.

Sem pressa.
Sem performance.
Sem precisar provar que estou sendo produtiva o tempo todo.

Por muito tempo achei que ser forte era nunca parar.
Era sustentar tudo, todos, o tempo inteiro.

Hoje descubro outra força.

A força de quem consegue respirar.
De quem faz silêncio.
De quem aceita que a vida também floresce quando a gente desacelera.

Existe uma mulher em mim que não quer mais sobreviver.
Ela quer viver.

Ela quer sentir o sol na pele.
Quer ouvir o vento.
Quer descansar sem culpa.
Quer amar sem implorar.
Quer existir sem pedir licença.

Talvez a cura não esteja em encontrar uma nova versão de si.

Talvez ela esteja em voltar para aquela que sempre esteve aí…
Esperando apenas que você deitasse um pouco sobre a própria vida e finalmente a escutasse.

A mulher que aprende a repousar em si mesma deixa de procurar abrigo onde nunca foi casa.

Demorei alguns dias para escrever sobre esse encontro.Não por falta do que dizer… mas porque algumas experiências não ca...
08/07/2026

Demorei alguns dias para escrever sobre esse encontro.

Não por falta do que dizer… mas porque algumas experiências não cabem nas palavras imediatamente. Elas primeiro precisam atravessar o corpo, encontrar um lugar dentro da alma e só depois se transformam em linguagem.

O Círculo das Deusas foi exatamente isso.

Foi um espaço onde mulheres chegaram como eram: cansadas, fortes, vulneráveis, silenciosas, intensas, esperançosas. E, por algumas horas, puderam simplesmente existir. Sem máscaras. Sem precisar dar conta de tudo.

Ali, entre histórias, lágrimas, risos, abraços e silêncios, algo muito antigo despertou: a lembrança de que nenhuma mulher precisa caminhar sozinha.

Cada olhar trocado, cada flor oferecida, cada palavra compartilhada deixou uma marca. E eu saio desse encontro profundamente transformada também.

Conduzir um círculo não é ensinar. É sustentar um espaço para que cada mulher encontre, dentro de si, aquilo que talvez estivesse esquecido.

Minha gratidão é imensa por cada uma que confiou, se abriu e fez parte dessa tarde tão sagrada.

Que o que nasceu nesse círculo continue florescendo na vida de cada uma de nós.

Com amor,
Claudia. 🌹

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