14/10/2026
Uma caixa vazia. Papéis antigos. Roupas que não são usadas há anos. Objetos quebrados que “podem servir algum dia”.
Para quem observa de fora, a solução parece simples: “É só jogar fora.”
Mas, no Transtorno de Acumulação, desfazer-se de determinados objetos pode ser muito mais difícil do que parece.
A pessoa pode sentir uma necessidade intensa de guardar itens, independentemente do valor financeiro deles, acompanhada de sofrimento diante da possibilidade de descartá-los. Pensamentos como “posso precisar disso”, “tem uma história” ou “seria um desperdício jogar fora” podem tornar cada decisão extremamente difícil.
Com o tempo, os objetos podem ocupar espaços destinados a atividades cotidianas e comprometer a organização e o uso da casa, além de afetar relacionamentos, segurança e qualidade de vida.
E há uma diferença importante:
colecionar é diferente de acumular.
Coleções geralmente possuem organização e propósito. No transtorno de acumulação, a dificuldade de descartar e o volume de objetos podem comprometer significativamente a vida da pessoa.
Também não se trata simplesmente de preguiça, desleixo ou falta de higiene.
Por isso, chegar à casa de alguém e simplesmente jogar tudo fora não trata o problema e pode gerar sofrimento intenso e conflitos.
O cuidado precisa compreender não apenas o que está sendo guardado, mas principalmente por que é tão difícil deixar aquilo ir.
Às vezes, o espaço ocupado pelos objetos revela um sofrimento que ainda não encontrou outra forma de ser cuidado.
Dr. André Leiva
Médico Psiquiatra