Consultório de Psicologia Prof. Dr. Claudio Capitão

Consultório de Psicologia Prof. Dr. Claudio Capitão Psicoterapia Psicanalítica de Adultos. Especialista em Psicologia Clínica e em Psicologia Hospitalar.

Esta página tem como objetivo abordar temas da Psicoterapia Psicanalítica de Adultos e Adolescentes, assim como temas atuais da Psicanálise.

19/04/2026

Conhecimento Prudente para uma Vida Decente: um discurso sobre as Ciências revisitado
“O que distingue o debate moderno sobre o conhecimento dos debates anteriores é o fato de a ciência moderna se ter proposto não apenas compreender o mundo ou explicá-lo, mas também transformá-lo, e, paradoxalmente, para maximizar a sua capacidade de transformar o mundo, ela se ter pretendido imune às transformações deste. E é isso que está também na origem do calor que tal debate recentemente assumiu no conjunto de episódios conhecido por “guerra da ciência”
Eis algumas questões que então emergiram: qual é a relação entre conhecimento científico e a realidade que ele pretende conhecer? O conhecimento científico representa, descobre, cria ou inventa a realidade que pretende conhecer? Quais os critérios por que se afere a adequação ou a correção dessa relação? O conhecimento científico aspira à verdade, a eficácia, à verossimilhança, à coerência, à referencialidade? Se as verdades científicas de um dado momento histórico tem sido refutadas em momentos posteriores, há algo mais na verdade do que a história da verdade? O modo como a ciência está organizada e o modo como se realiza na prática interfere no tipo e na validade do conhecimento que produz? Quais as relações entre ciência e outras formas de conhecimento? Qual o verdadeiro papel do conhecimento científico? Como devem interagir os cientistas com o “resto da sociedade” nos processos de decisão?
Questionado recentemente pelas teses que tinha defendido no seu livro “Um Discurso sobre as Ciências”, publicado em Portugal em 1985, Boaventura de Sousa Santos organizou este volume de intervenções no debate sobre a ciência, partilhado com um leque muito alargado de especialistas das mais variadas áreas científicas as reflexões de cada um sobre os debates epistemológicos, filosóficos, sociológicos e culturais sobre a ciência e o conhecimento em geral que, no seu conjunto, constituem um mosaico muito rico, denso e variado de reflexão contemporânea sobre a ciência.”
Boaventura de Sousa Santos (org.). (2004). Conhecimento Prudente para uma Vida Decente: um discurso sobre as Ciências revisitado. São Paulo: Cortez Editora.

17/04/2026

Redes Sociais e Saúde Mental
As redes sociais transformaram a forma como adolescentes se comunicam e constroem suas identidades. O uso intenso dessas plataformas está associado a uma maior comparação social, o que pode elevar os níveis de ansiedade e sintomas depressivos nessa faixa etária [1]. Simultaneamente, as redes oferecem suporte social e senso de pertencimento quando utilizadas para manter vínculos significativos [2].

A qualidade do sono também é afetada: a exposição à luz azul e o fenômeno "FOMO" (fear of missing out, ou medo de ficar de fora) aumentam o uso noturno do celular, reduzindo as horas de descanso [3]. Entre meninas, a ênfase em padrões estéticos irreais no Instagram e TikTok apresenta relação com a insatisfação corporal e o risco de transtornos alimentares [4]. Já a exposição a conteúdos de cyberbullying é um preditor consistente de ideação suicida, especialmente quando há vitimização repetida [5].

Pesquisas longitudinais indicam que não é apenas o tempo de tela que importa, mas o tipo de uso: o uso passivo gera mais efeitos negativos do que o uso ativo e criativo [6]. Estratégias de mediação parental, como o diálogo aberto e o estabelecimento de limites, reduzem riscos sem eliminar os benefícios do ambiente digital [7]. Além disso, intervenções escolares focadas em letramento midiático auxiliam adolescentes a identificar desinformação e a gerenciar a pressão estética online [8].

Os algoritmos de recomendação tendem a reforçar conteúdos já consumidos, criando ciclos de ruminação e comparação que amplificam vulnerabilidades preexistentes [9]. Apesar dos riscos, as plataformas digitais constituem um canal importante para a busca de ajuda e campanhas de saúde mental, desde que bem moderadas [10]. A Organização Mundial da Saúde recomenda uma abordagem equilibrada: limitar o uso noturno, priorizar interações presenciais e promover a autoconsciência digital [11].

Conclusão: Os efeitos das redes sociais são bidirecionais e dependem de fatores individuais, familiares e do design das plataformas. Políticas públicas devem focar na educação digital e na regulação de recursos viciantes, transcendendo o debate sobre o mero tempo de tela. Conclui-se que o uso consciente, pautado pela mediação e pelo letramento crítico, maximiza os benefícios e mitiga danos à saúde mental adolescente.
Referências
[1] Twenge, J. M., Joiner, T. E., Rogers, M. L., & Martin, G. N. (2018). Increases in depressive symptoms, su***de-related outcomes, and su***de rates among U.S. adolescents after 2010 and links to increased new media screen time. Clinical Psychological Science, 6(1), 3-17.
[2] Valkenburg, P. M., Meier, A., & Beyens, I. (2022). Social media use and its impact on adolescent mental health: An umbrella review of the evidence. Current Opinion in Psychology, 44, 58-68.
[3] Alonzo, R., Hussain, J., Stranges, S., & Anderson, K. K. (2021). Interplay between social media use, sleep quality, and mental health in adolescents. Sleep Medicine Reviews, 58, 101452.
[4] Fardouly, J., & Vartanian, L. R. (2016). Social media and body image concerns: Current research and future directions. Current Opinion in Psychology, 9, 1-5.
[5] Kwan, I., Dickson, K., Richardson, M., MacDowall, W., Burchett, H., Stansfield, C., Brunton, G., Sutcliffe, K., & Thomas, J. (2020). Cyberbullying and children and young people’s mental health: A systematic map of systematic reviews. Cyberpsychology, Behavior, and Social Networking, 23(2), 72-82.
[6] Verduyn, P., Ybarra, O., Résibois, M., Jonides, J., & Kross, E. (2017). Do social network sites enhance or undermine subjective well-being? A critical review. Social Issues and Policy Review, 11(1), 274-302.
[7] Livingstone, S., Ólafsson, K., Helsper, E. J., Lupiáñez-Villanueva, F., Veltri, G. A., & Folkvord, F. (2017). Maximizing opportunities and minimizing risks for children online: The role of digital skills in emerging strategies of parental mediation. Journal of Communication, 67(1), 82-105.
[8] McLean, S. A., Wertheim, E. H., Masters, J., & Paxton, S. J. (2019). A pilot evaluation of a social media literacy intervention to reduce risk factors for eating disorders. International Journal of Eating Disorders, 52(7), 847-851.
[9] Orben, A., & Przybylski, A. K. (2019). The association between adolescent well-being and digital technology use. Nature Human Behaviour, 3(2), 173-182.
[10] Naslund, J. A., Bondre, A., Torous, J., & Aschbrenner, K. A. (2020). Social media and mental health: Benefits, risks, and opportunities for research and practice. Journal of Technology in Behavioral Science, 5(3), 245-257.
[11] World Health Organization. (2022). Guidelines on mental health at work. World Health Organization.

22/03/2026

Personalidade e o Modelo dos Cinco Grandes Fatores
A personalidade constitui um construto fundamental na psicologia, caracterizada como a organização dinâmica e relativamente estável de atributos biopsicossociais que moldam padrões consistentes de pensamentos, emoções e comportamentos em diversas situações e ao longo do tempo. Este conceito abrange dimensões como o temperamento (base constitucional inata), o caráter (aspectos morais e volitivos) e traços que integram influências genéticas, ambientais e desenvolvimentais, conforme abordagens psicobiológicas e psicodinâmicas (CATTELL; MCCRAE; COSTA, 1992 apud SILVA; NAKANO, 2011).
O Modelo dos Cinco Grandes Fatores (Big Five)
O Modelo dos Cinco Grandes Fatores, também conhecido como Five-Factor Model (FFM), consolidou-se como o paradigma taxonômico mais robusto e replicável para a descrição da personalidade. Sua emergência decorre de análises fatoriais léxicas e estudos empíricos transculturais. Desenvolvido inicialmente por pesquisadores como Tupes e Christal (1961) e posteriormente refinado por Costa e McCrae (1992), o modelo organiza os traços de personalidade em cinco dimensões bipolares de ampla abrangência. Estas dimensões são mensuradas por inventários psicométricos, como o NEO-PI-R ou o BFI, e incluem: Agradabilidade (cooperatividade versus antagonismo), Conscienciosidade (autodisciplina versus negligência), Extroversão (sociabilidade versus retraimento), Neuroticismo (instabilidade emocional versus estabilidade) e Abertura à Experiência (curiosidade versus rigidez) (GASPARETTO et al., 2025).
Cada dimensão reflete um continuum hierárquico, com facetas subjacentes que detalham aspectos específicos (por exemplo, no Neuroticismo, encontram-se ansiedade, depressão e vulnerabilidade ao estresse). A validade do FFM é corroborada por sua alta confiabilidade interna (α > 0,80), estabilidade temporal e universalidade transcultural, permitindo predições significativas sobre comportamentos em contextos clínicos, organizacionais e educacionais (SILVA; NAKANO, 2011).
Neuroticismo: Características e Implicações
O Neuroticismo, ou Fator de Instabilidade Emocional, caracteriza indivíduos com elevada reatividade límbica e uma propensão a experimentar emoções negativas intensas, como ansiedade, raiva, tristeza e culpa, além de uma baixa capacidade de regulação afetiva sob condições de estresse. Do ponto de vista neurobiológico, este traço está associado à hiperatividade da amígdala e à desregulação do eixo hipotálamo-pituitária-adrenal (HPA), o que predispõe a respostas exageradas a estímulos aversivos (LAHEY, 2009 apud GASPARETTO et al., 2025).
Indivíduos com escores elevados em Neuroticismo demonstram menor resiliência, maior tendência à ruminação e uma vulnerabilidade acentuada a transtornos como depressão maior, ansiedade generalizada e somatizações psicossomáticas (e.g., hipertensão, dores crônicas). Meta-análises indicam correlações moderadas (r = 0,30-0,50) entre Neuroticismo e morbidade física, possivelmente mediadas por comportamentos de saúde prejudiciais (tabagismo, sedentarismo) e inflamação crônica, embora a causalidade exija aprofundamento por meio de estudos longitudinais (RIESE et al., 2006 apud SILVA; NAKANO, 2011).
Na prática clínica, o Neuroticismo emerge como um preditor crucial do prognóstico em psicoterapias e do absenteísmo laboral. Em ambientes organizacionais, prediz o burnout e o desempenho sob pressão, justificando a implementação de intervenções focadas no treinamento de regulação emocional (GASPARETTO et al., 2025).
A análise por meio do Modelo dos Cinco Grandes Fatores sistematiza as diferenças individuais, com o Neuroticismo destacando-se por sua relevância preditiva. Pesquisas futuras devem focar na elucidação de mediadores genético-ambientais e no desenvolvimento de intervenções personalizadas para mitigar os impactos negativos do Neuroticismo no bem-estar.
Referências
COSTA, P. T.; MCCRAE, R. R. Revised NEO Personality Inventory (NEO-PI-R) and NEO Five-Factor Inventory (NEO-FFI) professional manual. Odessa, FL: Psychological Assessment Resources, 1992.
GASPARETTO, L. G. et al. Cinco grandes fatores da personalidade: histórico, aplicações e possibilidades contemporâneas. Revista Psicologia Argumento, Curitiba, v. 43, n. 122, p. 1-20, 2025. DOI: https://doi.org/10.7213/psicolargum.43.122.AO12.
LAHEY, B. B. Public health significance of neuroticism. American Psychologist, v. 64, n. 4, p. 241-256, 2009.
RIESE, H. et al. Associations between five-factor model traits and heart rate variability. European Journal of Personality, v. 28, n. 3, p. 260-270, 2006.
SILVA, I. B. da; NAKANO, T. C. Modelo dos cinco grandes fatores da personalidade: análise de pesquisas. Avaliação Psicológica, Porto Alegre, v. 10, n. 1, p. 97-108, 2011.
TUPES, E. C.; CHRISTAL, R. E. Recurrent personality factors based on trait ratings. Lackland Air Force Base, TX: U.S. Air Force, Aeronautical Systems Division, Personnel Laboratory, 1961. (Technical Report, ASD-TR-61-97 ).

29/11/2025

DA PÁ VIRADA!
Tratado Geral sobre a Fofoca (Gaiarsa, José Ângelo, 1978, São Paulo, Summus)
Tentando arrumar meus livros, que são muitos e está numa bagunça só na minha biblioteca, encontro esse antigo livro. Conheci o autor pessoalmente, extremamente inteligente, culto e muito pouco, vamos assim dizer, “ortodoxo” como psicoterapeuta. Mas o livro é uma preciosidade! Folheando-o e observando os grifos de quando o li, noto que autor argumenta que seu livro denuncia e analisa o principal instrumento da Peste Emocional: a fofoca. Mostra que a fofoca é o sintoma mais universal da dissociação psicossocial, possivelmente, um dos mais importantes dentre todos os fatos e fatores que influenciam e modelam a personalidade.
Por se tratar de uma peste, quando você ouvir algo a seu respeito, mas que não é verdadeiro, não esquente a cabeça, pois “a fofoca não serve para consertar nada, porque nunca alcança a pessoa certa e na hora certa”. Algumas pessoas o julgarão sempre conforme aquilo que são ou que desejariam ser. Falarão de si mesmas, Freud básico. No entanto, por se tratar de uma peste, deve ser combatida conforme o modelo epidemiológico. O livro é interessante e merece ser lido, principalmente quando a fofoca contagia milhares por meio das redes sociais!

13/11/2025

"Quase parece que a análise seria a terceira daquelas ‘profissões impossíveis’ nas quais se pode ter certeza de antemão de resultados insatisfatórios. As outras duas, que já são conhecidas há muito mais tempo, são a educação e o governo."
"Podemos ter a impressão de que todo o propósito da análise — a substituição do processo inconsciente pelo consciente, a dominação do Id pelo Ego — é uma exigência idealista, destinada a nunca ser completamente alcançada. Isso, contudo, não nos deve desanimar. Em toda parte onde ele tenha atingido algo, mesmo que seja de forma incompleta, ali se produziu um inestimável aumento da liberdade psíquica e da eficiência do Eu."
"Não devemos nos esquecer de que o analista é ele próprio um homem falho, parte em conflito, e que seus próprios complexos e resistências inconscientes atuam como um fator limitante do êxito. O ideal seria que o médico tivesse passado por uma análise completa e profunda; mas mesmo assim, sempre restarão zonas obscuras e pontos cegos, que inevitavelmente se refletem no tratamento."
(Freud em "Análise terminável e interminável", 1937)



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16/10/2025

Transtorno Pedofílico DSM - 5 (APA, 2014,p.698)
Critérios Diagnósticos
A. Por um período de pelo menos seis meses, fantasias sexualmente excitantes, impulsos se***is ou comportamentos intensos e recorrentes envolvendo atividade sexual com criança ou crianças pré-púberes (em geral, 13 anos ou menos).
B. O indivíduo coloca em prática esses impulsos se***is, ou impulsos ou fantasias se***is causam sofrimento intenso ou dificuldades interpessoais.
C. O indivíduo tem, no mínimo, 16 anos de idade e é pelo menos cinco anos mais velho que a criança ou crianças do Critério A.
Nota: Não incluir um indivíduo no fim da adolescência envolvido em relacionamento sexual contínuo com pessoas de 12 ou 13 anos de idade.
Determinar:
Tipo exclusivo (com atração apenas por crianças)
Tipo não exclusivo
Especificar se:
Sexualmente atraído por indivíduos do s**o masculino
Sexualmente atraído por indivíduos do s**o feminino
Especificar se:
Limitado a incesto.

12/10/2025

A Psicoterapia Psicanalítica de Adultos é uma abordagem baseada na teoria psicanalítica, criada por Freud e desenvolvida por diversos autores. Seu foco principal é investigar os conflitos inconscientes que influenciam os sentimentos, comportamentos e relacionamentos atuais do indivíduo. A terapia busca compreender como experiências passadas, especialmente da infância, ainda repercutem na vida presente.

Na prática, o paciente é incentivado a falar livremente sobre tudo o que vier à mente — pensamentos, sentimentos, lembranças, sonhos, situações do cotidiano. Esse método, chamado de associação livre, permite o acesso ao inconsciente. O terapeuta escuta com atenção e neutralidade, ajudando o paciente a perceber padrões e a construir novas compreensões por meio de interpretações. O processo também envolve a análise da transferência, quando o paciente direciona ao terapeuta sentimentos antigos ligados a figuras importantes de sua história. Isso revela modos inconscientes de se relacionar, que podem ser ressignificados.

Ao longo do processo, a terapia promove autoconhecimento, ao ajudar o paciente a entender suas emoções, escolhas e padrões repetitivos. Isso favorece mudanças internas profundas e mais liberdade para agir de forma consciente. Além disso, contribui para a melhora dos relacionamentos e a redução de sintomas como ansiedade, depressão, angústia e compulsões, ao elaborar os conflitos emocionais que estão na base desses sofrimentos.

A psicoterapia psicanalítica é geralmente um processo gradual e aprofundado, com sessões regulares (uma ou mais vezes por semana). A duração varia conforme a necessidade de cada pessoa, podendo ser de médio a longo prazo. Seu objetivo é promover mudanças duradouras, por meio de uma compreensão mais ampla de si mesmo e da história pessoal.

11/10/2025

Para não esquecer
"Nós não podemos controlar a vida em que nascemos, mas podemos aprender a controlar nosso "cérebro complicado"e as tendências algumas vezes destrutivas, com compaixão para conosco e nossa falhas, conexão com outros, e o compromisso de trabalhar para uma sociedade que capacite todos nós a atingirmos nosso pleno potencial"(Svanberg, 2021, p.121)

02/09/2025

Sexualidade Escandalosa
Venho tratando do assunto há anos!

Mulheres vítimas de abuso sexual: a denúncia como início do tratamento
Ultimamente tenho lido vários relatos no Facebook de mulheres que se queixam de abuso sexual nos ônibus, metrôs e trens lotados. Trata-se de violação indevida da individualidade e da vontade da pessoa que passa por essa constrangedora situação. No entanto, seria interessante saber que esse sujeito, na maioria das vezes, está psiquicamente perturbado e necessitando de tratamento. Esse fato, de maneira alguma, é motivo para o silêncio ou para a condescendência. Muito pelo contrário, é o pior remédio para quem precisa de ajuda psiquiátrica e psicológica.
Existe uma categoria de transtornos denominados parafílicos. O termo parafilia representa qualquer interesse sexual intenso e persistente que não aquele voltado para a estimulação ge***al ou para carícias preliminares com parceiros humanos que consentem e apresentam fenótipo normal e maturidade física. Algumas parafilias envolvem principalmente as atividades eróticas do indivíduo; outras têm a ver sobretudo com seus alvos eróticos. Um transtorno parafílico é uma parafilia que está causando sofrimento ou prejuízo ao indivíduo ou uma parafilia cuja satisfação implica dano ou risco de dano pessoal a outros. O Transtorno Frotteurista é caracterizado por um período de pelo menos seis meses, excitação sexual recorrente e intensa resultante de tocar ou esfregar-se em pessoas que não consentiram, conforme manifestado por fantasias, impulsos ou comportamentos. O indivíduo colocou em prática esses impulsos com pessoas que não consentiram, ou os impulsos ou as fantasias se***is causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida da pessoa. Atos frotteuristas, incluindo tocar ou esfregar-se em outro indivíduo sem ser convidado para tal, podem ocorrer em até 30% dos homens adultos na população em geral. Cerca de 10 a 14% dos adultos do s**o masculino atendidos em contextos ambulatoriais para transtornos parafílicos e hipersexualidade têm uma apresentação que atende aos critérios diagnósticos para o transtorno. Assim, ainda que a prevalência de transtorno frotteurista na população seja desconhecida, é improvável que ela exceda a taxa encontrada em contextos clínicos selecionados. DSM 5 (APA 2013, pp.692-693).
Em resumo, o frotteurismo envolve fantasias, impulsos se***is ou comportamentos sexualmente excitantes recorrentes e intensos envolvendo tocar e esfregar-se em uma pessoa sem o seu consentimento. Esse comportamento geralmente ocorre em lugares públicos com grande concentração de pessoas, o que permite ao perpetrador uma razoável oportunidade de fuga. Se você for vítima de um sujeito que sofre dessa patologia, denuncie! A denúncia será o caminho inicial para que o sujeito portador do referido transtorno possa ser tratado.
Prof. Dr. Cláudio Garcia Capitão CRPSP 20794

25/08/2025

Palavra
"Psicanálise e literatura usam palavras, sim, mas de forma diferente. Na literatura, a palavra é o instrumento estético por excelência, a forma que valorizará o conteúdo. Na psicanálise, a adequação da palavra é importante, mas a inadequação - o lapso - também, e igualmente o silêncio, o gesto, a emoção, a entonação que acompanham a palavra." Scliar, M. (2001). A paixão transformada, p 10-11.

08/08/2025

Quando as amizades se rompem!
Não me considero um sujeito leviano, não acordo com a “pá virada” e espontaneamente, do nada, resolvo interromper uma amizade de décadas, cuja história está incrustada na minha alma. Muito pelo contrário, devo confessar. São meses de dor psíquica, desculpem-me o termo, até que ações, gestos, palavras vão sendo representados na minha mente, que quando solidificadas como rocha, não me sobra alternativa. Seria falso para com a pessoa e totalmente distônico para com meu próprio “eu”. Não finjo sentimentos ou afetos, nunca tive essa “habilidade”. Porém, poderiam me perguntar, quais os motivos, então, tão graves assim? Quando sinto que outros, que me são igualmente caros, são menosprezados, tratados como coisas descartáveis e arrogantemente sepultados, ou trocados por um jogo do campeonato inglês, jocosamente,por exemplo. E basta de texto!

Endereço

Rua Descalvado, 51/Sumaré-SP. Entrada Pela Rua Frei Ignácio Gau
São Paulo, SP
01256-070

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