22/05/2026
Sou médica e neurorradiologista. Durante muitos anos, meu trabalho esteve profundamente ligado à interpretação de imagens cerebrais: lesões, massas, alterações estruturais e sinais objetivos da doença.
Com o tempo, percebi que existiam outras imagens igualmente poderosas, mas invisíveis aos exames: aquelas que surgem nos sonhos, nos sintomas, nos afetos intensos e nos padrões repetitivos de sofrimento. Imagens que não podem ser medidas ou traduzidas de forma literal.
Foi esse interesse pela subjetividade humana e pelos processos profundos da psique que também me levou à psicoterapia. Hoje, meu trabalho transita entre esses dois campos: a objetividade da medicina e a escuta daquilo que não cabe em diagnósticos rápidos.