Neurologia Infantil - Dra. Deborah Kerches

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Nem sempre o que uma pessoa consegue fazer mostra quanto aquilo exigiu dela.Para uma pessoa autista, passar algumas hora...
27/09/2026

Nem sempre o que uma pessoa consegue fazer mostra quanto aquilo exigiu dela.

Para uma pessoa autista, passar algumas horas em um ambiente com muitos estímulos, acompanhar uma conversa, lidar com mudanças, responder às expectativas sociais ou atravessar um dia cheio de demandas pode exigir um esforço considerável.

E esse esforço pode não aparecer naquele momento.

Às vezes, aparece depois: na necessidade de se afastar, no silêncio, na exaustão, na dificuldade de continuar.

Por isso, conseguir não significa necessariamente que foi fácil. E aquilo que parece apenas mais um dia pode ter exigido muito para ser vivido.

Compreender o autismo também passa por perceber o que acontece entre aquilo que vemos e o que foi necessário para chegar até ali.

26/09/2026

Que alegria estar aqui em Pelotas, entre tantos amigos queridos e profissionais excepcionais, no Inclusão em Foco no TEA. Inclusão em foco no TEA - Pelotas/RS

Momentos de confraternização do evento. ❤️🙏

A Dra. Deborah Kerches participou de uma reportagem do Estadão Verifica sobre o ácido folínico e as evidências disponíve...
25/09/2026

A Dra. Deborah Kerches participou de uma reportagem do Estadão Verifica sobre o ácido folínico e as evidências disponíveis sobre seus possíveis efeitos na comunicação verbal de autistas.

Alguns estudos identificaram sinais positivos em determinados grupos, o que ajuda a explicar por que o tema vem sendo investigado.

Como explica a Dra. Deborah, existe um subgrupo de crianças com TEA que apresenta alterações relacionadas ao transporte ou ao metabolismo do folato. É nesse contexto que o ácido folínico vem sendo considerado.

Mas resultados positivos em determinados grupos não significam que os mesmos efeitos possam ser generalizados para todas as pessoas com TEA.

Até o momento, as evidências ainda não são suficientes para afirmar que o ácido folínico melhore a comunicação verbal de forma geral. São necessários estudos mais robustos para confirmar esses achados e compreender melhor seus possíveis benefícios, indicações e limites.

A ciência exige cautela: reconhecer resultados promissores sem transformá-los, antes da hora, em conclusões que as evidências ainda não sustentam.

Leia a matéria completa: https://www.estadao.com.br/estadao-verifica/estudos-nao-comprovam-melhora-na-comunicacao-verbal-de-autistas-com-acido-folinico/

Alterações do sono são frequentes no Transtorno do Espectro Autista (TEA) e podem assumir diferentes formas. Uma meta-an...
23/09/2026

Alterações do sono são frequentes no Transtorno do Espectro Autista (TEA) e podem assumir diferentes formas. Uma meta-análise, que reuniu 22 estudos e 3.771 crianças e adolescentes autistas, encontrou uma prevalência combinada de alterações do sono de 60%. (Wang et al., 2026).

Entre os problemas descritos na literatura estão dificuldade para iniciar o sono, despertares durante a noite, dificuldade para manter o sono e alterações do ciclo sono-vigília. Uma revisão de 2025 também destaca a presença de alterações circadianas no TEA, incluindo o atraso da fase sono-vigília (Lok et al., 2025).

Por isso, dizer apenas que “a criança dorme” não é suficiente para avaliar o sono. É preciso compreender quanto tempo ela leva para adormecer, como permanece dormindo, em quais horários costuma dormir e acordar e se existe alguma alteração persistente nesse padrão.

Também é importante não atribuir automaticamente dificuldades de sono ao autismo. Condições como sintomas gastrointestinais, ansiedade, TDAH, epilepsia, alterações respiratórias durante o sono e uso de determinados medicamentos também podem contribuir para essas dificuldades.

Rotina, horários, ambiente e hábitos relacionados ao momento de dormir também merecem atenção.

E os efeitos de uma alteração persistente do sono não necessariamente ficam restritos à noite. Podem repercutir no funcionamento durante o dia e também na dinâmica familiar. Em um estudo com 409 crianças e adolescentes autistas, 95,3% apresentaram problemas de sono segundo o instrumento utilizado, enquanto 86,6% dos pais apresentaram sono ruim. Os problemas de sono das crianças estiveram associados a pior sono dos pais, maior estresse parental, mais sintomas de ansiedade e depressão e pior qualidade de vida. Como o estudo foi transversal, esses achados demonstram associações e não permitem estabelecer causalidade (Mannion & Leader, 2023).

Assim, quando uma família relata que uma criança autista “dorme”, a avaliação não deve terminar nessa informação. O sono precisa ser compreendido em sua duração, início, continuidade, horários, contexto, possíveis fatores associados e repercussões durante o dia.

22/09/2026

Hoje participei do 5º Fórum de Acessibilidade para o Autismo, na Câmara Municipal de Santos, com a palestra “TEA feminino: da invisibilidade ao cuidado”.

Falar sobre TEA feminino é ampliar o olhar para trajetórias que, por muito tempo, passaram despercebidas... E compreender por que tantas meninas e mulheres ainda enfrentam barreiras para serem reconhecidas, diagnosticadas e cuidadas de forma adequada.

Mais do que falar sobre invisibilidade e apresentar dados, precisamos discutir como transformar conhecimento em prática. Por isso, oportunidades como esta são essenciais para ampliar o debate, qualificar o olhar e pensar em estratégias que realmente favoreçam o diagnóstico e o cuidado ao longo da vida.

Participar de um evento como este, justamente no Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, torna o momento ainda mais significativo. É muito importante ver iniciativas como essa promovendo a discussão sobre o que é, de fato, acessibilidade no autismo.

Meu agradecimento especial à Karina Projeto cuidar de quem cuida Santos pelo convite, e pela oportunidade de contribuir para essa discussão tão necessária. ❤️

O Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência é uma data para dar visibilidade à luta por direitos, autonomia, partic...
21/09/2026

O Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência é uma data para dar visibilidade à luta por direitos, autonomia, participação social e igualdade de oportunidades.

As necessidades de uma pessoa com deficiência não podem ser dimensionadas apenas pelo que é visível. Algumas barreiras são evidentes e demandam, por exemplo, adaptações físicas. Outras não são imediatamente percebidas por quem está ao redor.

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) está inserido nessa discussão. A pessoa com TEA é considerada pessoa com deficiência para todos os efeitos legais no Brasil.

No autismo, algumas dificuldades podem estar relacionadas à comunicação, à interação social, ao processamento sensorial, à flexibilidade diante de mudanças e à compreensão de informações implícitas. Por isso, falar em inclusão e acessibilidade no TEA também significa considerar barreiras que podem estar presentes no cotidiano, mesmo quando não são facilmente identificadas.
Na escola ou na universidade, isso pode envolver instruções mais claras, previsibilidade diante de mudanças e diferentes formas de apresentar ou solicitar informações. No trabalho, pode significar comunicação objetiva, organização das demandas e atenção às características sensoriais do ambiente. Em espaços de lazer e serviços públicos, pode envolver condições que favoreçam a participação sem exposição desnecessária a estímulos ou situações que representem dificuldades evitáveis.

Esses são apenas alguns exemplos, pois não existe uma única forma de adaptação que atenda a todas as pessoas autistas. É justamente por isso que reconhecer as necessidades de cada pessoa é parte fundamental da construção de uma inclusão efetiva.

Que a data de hoje também possa nos lembrar que a visibilidade de uma deficiência não determina a dimensão das barreiras enfrentadas. Uma necessidade não precisa ser imediatamente percebida para ser legítima, importante e merecer consideração e suporte.

“Mas por que só agora?”Essa é uma pergunta que pode surgir quando uma pessoa recebe o diagnóstico de autismo na vida adu...
20/09/2026

“Mas por que só agora?”

Essa é uma pergunta que pode surgir quando uma pessoa recebe o diagnóstico de autismo na vida adulta.

E é essencial lembrar que o diagnóstico na vida adulta não significa que o autismo tenha começado naquele momento. Pode significar que, durante muitos anos, as características dessa pessoa passaram despercebidas, foram interpretadas de outra maneira ou foram compensadas por estratégias desenvolvidas ao longo da vida.

Na infância, algumas dificuldades podem ficar menos evidentes porque existe uma estrutura maior ao redor da criança: família, escola, rotina mais organizada, adultos que ajudam a antecipar situações e demandas sociais ainda relativamente delimitadas.

Com o passar dos anos, porém, as exigências mudam. Faculdade, trabalho, relacionamentos, autonomia, planejamento, organização da própria rotina e tomada de decisões trazem demandas muito mais complexas e menos estruturadas.

Estratégias que funcionavam anteriormente podem deixar de ser suficientes. E é nesse contexto que algumas dificuldades, antes “discretas” ou compensadas, podem se tornar mais evidentes.

Esse é um dos fatores que podem estar envolvidos em diagnósticos mais tardios.

Você conhece alguém que só teve o TEA reconhecido quando as demandas da vida aumentaram e aquilo que antes "parecia funcionar" deixou de ser suficiente?

19/09/2026

Um autista pode ter um vocabulário amplo, falar bastante e ainda apresentar dificuldades importantes na comunicação.

Isso acontece porque ter linguagem não significa, necessariamente, dominar todos os aspectos da comunicação social.

A pessoa pode falar sobre assuntos de interesse, mas ter dificuldade para iniciar ou sustentar uma conversa, perceber quando é sua vez de falar, compreender duplos sentidos e outras nuances sociais ou adaptar a comunicação ao contexto.

Também pode saber muitas palavras e, ainda assim, encontrar dificuldade para comunicar sentimentos, necessidades ou o que está acontecendo internamente.

Por isso, avaliar apenas quanto a pessoa fala não é suficiente para compreender como ela se comunica.

No TEA, é importante observar a comunicação de forma mais ampla: como o indivíduo inicia interações, responde ao outro, compartilha interesses, compreende diferentes contextos e utiliza a linguagem nas relações sociais.

E vale lembrar: fala, linguagem e comunicação são aspectos relacionados, mas diferentes do desenvolvimento. Falar bastante, portanto, não significa necessariamente que todos esses aspectos estejam desenvolvidos da mesma forma.

No autismo, uma mudança que parece pequena para quem está de fora pode representar uma grande demanda para quem a vivenc...
18/09/2026

No autismo, uma mudança que parece pequena para quem está de fora pode representar uma grande demanda para quem a vivencia.

Uma alteração na rotina, um ambiente diferente, um estímulo inesperado ou uma situação pouco previsível podem exigir muito mais esforço do que conseguimos perceber.

Compreender isso não significa evitar toda dificuldade, mas reconhecer quando é preciso acolher, orientar e adaptar.

Porque, muitas vezes, compreender o que parece desproporcional é justamente o primeiro passo para oferecer o suporte adequado.

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