30/09/2026
Na semana passada o meu gaterapeuta se foi. Depois de tanto me acompanhar em estudos e atendimentos, não terei mais a empolgação dele ao me ver pegar um livro e uma cobertinha, porque para ele aquilo era a hora do colinho.
A dor do luto não tem hora nem local. Ele visita qualquer pessoa que criou vínculo, que se permitiu amar e perdeu algo importante. Pode ser alguém da família, um animal que dividiu os dias com você, um papel que você ocupava, uma fase da vida que ficou para trás.
O luto pela perda de um animal é o luto não reconhecido, aquele que acontece quando a perda não é validada pelos outros. Ao perder um animal, é comum ouvir “era só um bichinho”, “já passou tempo demais”, “daqui a pouco você esquece”, “é só adotar outro”. Sem permissão para sentir, a pessoa tenta lidar com a falta sozinha, em silêncio.
Só sofremos porque amamos, porque existiu um vínculo. Não existe intensidade certa, tempo certo ou jeito certo de viver o luto. O que costuma ajudar é deixar a onda da emoção chegar e deixar a onda passar, sem brigar com ela. É recordar o que foi vivido: os hábitos, as manhãs, os pequenos gestos e signif**ados. Apagar o sentimento ou fingir que não dói não faz a saudade ir embora, só adia o processo de sentir.
Tenho pensado que os lutos formam um novelo de linha que só cresce. A cada perda, sentimos a de hoje e também a de ontem. Nesses dias descobri o quanto eu tenho gente com braços para abraçar, ombros para chorar, olhares para acolher e chocolates para acalmar. Foi um acolhimento que chegou ao coração, de humano para humano.
Obrigada a quem viveu isso comigo. 🤍