26/07/2026
Envelhecer é mais do que apenas somar anos. Significa também enfrentar mudanças na produção de energia, na força, no metabolismo e na capacidade de proteção das células.
Publicado em 2022, um ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo avaliou 24 adultos mais velhos. Durante 16 semanas, parte deles recebeu GlyNAC, uma combinação de glicina com N-acetilcisteína.
No início, os participantes mais velhos apresentavam menos glutationa (um dos principais antioxidantes produzidos pelo organismo), mais estresse oxidativo, pior função mitocondrial, inflamação, resistência à insulina e menor desempenho físico. Mas, no grupo que recebeu GlyNAC, os pesquisadores observaram aumento da glutationa, redução de marcadores de estresse oxidativo, melhora de parâmetros mitocondriais, inflamatórios e metabólicos, além de avanços na velocidade da marcha, força e circunferência abdominal. Também foram relatadas mudanças em marcadores exploratórios ligados a danos no DNA, senescência celular e mitofagia.
O NAC é precursor da cisteína, utilizada pelo organismo para produzir glutationa. Suas aplicações mais consolidadas são como antídoto na intoxicação por paracetamol e como agente mucolítico em algumas doenças respiratórias. Em outras áreas, incluindo saúde metabólica, neurológica e envelhecimento, existem sinais de benefício e as evidências variam conforme a condição estudada.
Mas é preciso compreender que isso não significa que o NAC seja uma pílula mágica. Na medicina integrativa, envelhecer bem não depende de uma cápsula. Depende de preservar músculos com treino de força e proteína adequada, manter atividade aeróbica, sono reparador, alimentação rica em nutrientes, saúde metabólica, vínculos sociais, equilíbrio emocional e acompanhamento preventivo.
Suplementos podem fazer parte da estratégia quando há indicação, dose adequada, qualidade do produto e avaliação de possíveis interações.
Ref.: doi.org/10.1093/gerona/glac135