25/04/2023
"Eu chorei de bobo"
Essa fala abriu uma das sessões de hoje e eu fui imediatamente paralisada por ela.
De início, não entendi muito bem o que havia acontecido. Talvez empatia com aquele que a verbalizava.
Mas, percebi que tinha a mais que ainda não estava claro.
A sessão prosseguiu, o assunto mudou, mas o incomodo permanecia.
E a cada fala sentia ecoar dentro de mim "eu chorei de bobo".
Nessa hora eu já conseguia construir algo "ninguém chora de bobo".
O encontro continuou e a frase compacta se ampliou "eu chorei de bobo, porque ele gritou comigo e me xingou, mas eu não precisava chorar".
Já estava mais claro. Chorou de susto? Chorou de medo?
"Eu chorei, mas depois parei e me desculpei, pra gente ficar bem."
Chorou de dor, pelo grito, pelo susto e pelo medo do grito ser silenciado por um tapa.
Chorou porque não tinha mais o que fazer. Chorou pra aceitar o inaceitável. Chorou pra lavar a ferida que estava aberta. Então chorou por tudo isso, mas não "chorou de bobo".
Agora eu entendi o que me paralisou: a violência normalizada nos nossos lares!
O amor que custa a nossa alegria, paz, segurança e dignidade.
O amor violento ensinado e aprendido dentro da família, que nos faz passar uma vida "chorando de bobo" em relacionamenrtos abusivos.
O choro do inaceitável, mas da única forma de se sentir pertencente até então.
Mas, ninguém chora de bobo!
Se chora por muito e até pelo o que aparenta ser nada. Mas, de bobo não!
A violência verbal, infelizmente, é normalizada na família e sob os menores desse grupo. Mas, os gritos e as palavras permanecem ao longo do tempo e passam a ser a verdade que alguém conhece sobre si.
🦋✨