03/08/2026
Existe uma pergunta que ouço com frequência no consultório: "Já fiz curativo por meses e a ferida não melhora. O que está errado?"
Na maioria das vezes, o que está errado não é o curativo, é o diagnóstico. Úlceras crônicas na perna têm causa. E enquanto essa causa não for tratada, nenhum curativo, por mais adequado que seja, vai resolver o problema de forma definitiva.
A circulação é o que mantém a pele viva e capaz de se regenerar. Quando o fluxo está comprometido, a pele naquela região perde a capacidade de cicatrizar normalmente. A ferida abre, trata, reabre. O ciclo se repete.
Cada tipo tem um perfil clínico distinto. A úlcera venosa costuma aparecer na região do tornozelo, com bordas irregulares e inchaço ao redor (menos dolorosa, mas persistente). A arterial surge no pé ou nos dedos, com bordas bem definidas e pele fria (muito dolorosa). A diabética aparece na planta do pé, frequentemente sem dor pela neuropatia associada, com risco elevado de infecção. A hipertensiva é rara, mas extremamente dolorosa, e aparece sem trauma aparente.
Por isso o papel do cirurgião vascular não é só cuidar da lesão, é entender o que está por trás dela. O tratamento parte de dois pilares: controlar a doença de base que originou a úlcera e cuidar localmente da ferida para acelerar a cicatrização. Sem o primeiro pilar, o segundo não sustenta.
Uma referência prática: ferida na perna sem cicatrizar há mais de duas semanas já justif**a uma avaliação vascular. Quanto mais cedo a causa for identif**ada, mais simples e mais rápido o caminho para a cicatrização.
Dr. Rafael Apoloni
Cirurgião Vascular