05/07/2020
A rotina já foi ir pra terapia, almoçar, depois ir pra escola. E, aos fins de semana, passeávamos bastante com ele, porque ele nunca gostou muito de ficar em casa.
O primeiro mês de quarentena foi o mais sofrido. Mais crises, mais inquietação, rotina de sono completamente alterada.
Agora, quase 4 meses depois, esse é o “novo normal”. Agora, a rotina é acordar, ficar juntinho no sofá, comer, brincar um pouco no IPad, acompanhar a mamãe cobrindo as camas, ajudar recolhendo roupas pra lavar, colocando roupas pra lavar, dar uma espiadinha na varanda, agarrar os cachorros, comer mais, dar uma volta de carro pra lugar nenhum, ficar mais um tanto no iPad, tomar banho, dormir. Não necessariamente nessa ordem.
Tem dias em que ele está mais agitado e barulhento, tem dias em que está mais tranquilo.
Algumas manias pioraram.
Faz parte.
Crianças não são uma ilha. Nem se forem autistas. Reagem de acordo com a situação em que estão inseridas, assim como os adultos.
Quando elas não falam, o comportamento comunica a ansiedade, a incerteza, o tédio.
Seguimos gerenciando como dá. Sem saber quando a nova rotina vai ser, de novo, a velha rotina.
Não temos controle. Algumas pessoas querem tanto se sentir no controle que estão fingindo que a pandemia acabou. Aqueles vídeos que circularam com imagens de bares lotados no Leblon mostram isso claramente.
Aqui não. A realidade dói, mas não vai ser negada. 1200 mortos por dia não podem ser ignorados. O vírus não está nem aí nosso tédio, pra nossa vontade de estar com as pessoas amadas, pra nossas saudades da vida em sociedade.
Que a nossa necessidade de ter controle nunca se sobreponha à nossa humanidade, ao nosso senso de coletividade, e à nossa responsabilidade para com o próximo.
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