08/10/2020
Transtornos da Personalidade do Grupo B
Os quatro transtornos de personalidade do cluster (agrupamento) B são caracterizados por pensamentos ou comportamentos dramáticos, excessivamente emocionais ou imprevisíveis. São eles: anti-social, narcisista, borderline e histriônica.
O Serviço Nacional de Saúde Britânico descreveu as pessoas com esse transtorno como alguém que "luta para se relacionar com os outros. Como resultado, eles mostram padrões de comportamento que a maioria consideraria dramáticos, erráticos e ameaçadores ou perturbadores". São sintomas comuns a desregulação emocional, a impulsividade e os conflitos interpessoais frequentes. O tema predominante e o traço compartilhado entre as personalidades do cluster B é a falta de empatia emocional e a presença de egocentrismo. Segundo alguns autores, narcisistas e anti-sociais são considerados "empatia zero-negativa" porque são "ruins para os sofredores e todos aqueles ao seu redor". Razão pela qual os indivíduos com esses transtornos de personalidade são capazes de desumanizar os outros, levando a atos de crueldade.
Abaixo as características mais marcantes de cada uma delas.
Transtorno de personalidade anti-social:
Manipulações frequentes, exploração e violação dos direitos dos outros e não manifestação de arrependimento. Também pode ser caracterizado pela violação rotineira da lei. Ser enganador, indicado por mentiras repetidas, uso de pseudônimos ou ludibriar os outros por ganho pessoal ou prazer. Ser facilmente irritado ou agressivo, indicado por brigas físicas constantes ou agressão a outros. Embora os sintomas possam começar a aparecer nos primeiros anos da adolescência, o diagnóstico não pode ser feito até a idade adulta. Para ser diagnosticado, o paciente deve se enquadrar em pelo menos três dos indicadores mais comuns, como imprudência, irresponsabilidade, apatia e irritabilidade.
Transtorno de personalidade narcisista:
Senso ampliado de auto-importância, exagero, manipulação, inveja, arrogância, impaciência. Preocupação com fantasias de realizações ilimitadas, influência, poder, inteligência, beleza ou amor perfeito. Convicção de que eles são especiais e únicos e devem associar-se apenas com pessoas do mais alto calibre. Necessidade de ser incondicionalmente admirado. Pode muitas vezes não ser diagnosticado pois os pacientes costumam apresentar sintomas semelhantes a outros distúrbios ou podem não estar dispostos a admitir que há algo errado.
Transtorno de personalidade limítrofe (ou Borderline):
Dificuldade em regular emoções, impulsividade, automutilação, sentimentos dissociativos, sentimentos persistentes de vazio e até episódios psicóticos. Fazem esforços frenéticos para evitar o abandono (real ou imaginado); Com frequência pensam em morrer e tentam se matar. Relacionamentos intensos e instáveis que se alternam entre idealização e desvalorização da outra pessoa. Autoimagem ou senso do eu instável. Mudanças rápidas no humor, normalmente durando apenas algumas horas e raramente mais do que alguns dias. Raiva inadequadamente intensa ou problemas para controlar a raiva.
Transtorno de personalidade histriônica:
Emoções cronicamente instáveis. Usam sua aparência física, agindo de forma inadequadamente sedutora ou provocadora, para chamar a atenção dos outros. Eles não têm um senso de autodireção e são altamente sugestionáveis, muitas vezes agindo de forma submissa para reter a atenção dos outros. Mudança rápida e expressão superficial das emoções. Discurso impressionista e vago. Interpretação dos relacionamentos como mais íntimos do que são.
Algumas pesquisas encontraram uma ligação significativa entre os transtornos de personalidade do cluster B e a história familiar. Ter um pai ou irmão com transtorno de personalidade aumenta a probabilidade de desenvolver o transtorno. O tratamento é centrado em psicoterapia. Não existem medicamentos aprovados para o tratamento de transtornos de personalidade. No entanto, os medicamentos às vezes são prescritos para atingir domínios de sintomas (por exemplo, agressividade, explosividade e impulsividade) ou para tratar problemas de saúde mental concomitantes (as comorbidades).
Marcos Wolff
Fontes Consultadas: "Zero Degrees of Empathy: A New Theory of Human Cruelty" November 2011; The British Journal of Psychiatry 199(6):520-520 e os sites "Mayo Clinic" e "Manual MSD".