Cristina Croce

Cristina Croce Especialista em Psicologia clínica com abordagem Analítica Junguiana. Formação no método SE - Somatic Experiencing® de resolução do trauma.

26/08/2026

As oportunidades podem ser vistas como portas que podemos intencionalmente abrir, entrar ou sair.

Nem tudo em nossa vida está sob nosso controle, mas precisamos de um direcionamento nosso. Ou seja, colocar intenção e atitude naquilo que queremos realizar.

Muitas oportunidades passam por nós sem que percebamos.

O medo do novo nos visita constantemente, pois o desconhecido pode parecer ameaçador para a nossa mente. Todos temos uma grande tendência a permanecer no conhecido.

Nossa mente e nosso cérebro possuem mecanismos que facilitam a repetição. Tendemos a permanecer no que já conhecemos, muitas vezes confundindo familiaridade com segurança e conforto.

Mas nem tudo que conhecemos é necessariamente bom para nós.

Nossa mente mente muito para nós. Ela cria diversos cenários interpretativos e, quando o medo toma a frente, esses cenários podem se tornar predominantemente negativos.

Então, como adentrar algo novo quando nossa própria mente nos diz que aquilo pode ser ruim?

Talvez essa seja justamente a nossa tarefa, reconhecer esse mecanismo de proteção e nos permitir experimentar. Desafiar-nos a atravessar a “porta”.

Porque somente através da vivência podemos realmente sentir no corpo e nas emoções se aquilo que escolhemos nos faz bem ou não.

Podemos descobrir que a experiência valeu a pena e queremos continuar. Ou podemos perceber que não é para nós.

E, nesse caso, podemos sair pela mesma porta pela qual entramos.

Penso que a liberdade de escolha seja também permitir-se experimentar sem precisar saber antecipadamente como tudo vai terminar.

Estar atento ao que vivemos, ao que sentimos e a como nossas escolhas nos afetam.

Nem toda porta precisa ser atravessada para sempre.
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Fonte:Yousra Sheded

20/08/2026
19/08/2026

Muitos de nós fomos condicionados a não expressar o que realmente sentimos. Desde muito cedo, padrões de comportamento presentes na nossa educação nos ensinam: “fale baixo”, “tira a mão daí”, “não foi nada”, “pare de chorar”, “não seja egoísta”…

A mensagem que recebemos é de que aquilo que sentimos está errado ou não tem valor.

Com o tempo, tendemos a engolir, disfarçar e calar. Isso se torna tão parte do nosso dia a dia que, aos poucos, podemos perder o discernimento sobre o que sentimos e sobre o que nos acontece.

Quando nosso sentimento não é acolhido externamente, aos poucos ele pode deixar de ser reconhecido por nós mesmos.

Tudo vai virando “normal”, “é assim mesmo”, “não tem o que fazer”.

Criamos, assim, um mecanismo de percepção que pode nos levar a amenizar situações inadmissíveis, como se estivesse tudo bem.

Isso pode interferir na nossa percepção de perigo e dos nossos próprios limites. Alguém simplesmente não pode nos maltratar, desrespeitar ou ultrapassar nossos limites.

E então surgem as dúvidas:
“Será que entendi direito?”
“Acho que não foi bem isso…”
“Não fizeram por mal…”

O que antes machucava e provocava uma reação espontânea, como o choro, pode se transformar em engolir seco e seguir.

E quando nossos limites ficam enfraquecidos, comportamentos inadequados podem se repetir.

Por isso, é necessário desenvolver discriminação e limites claros. Aprender a dizer não para aquilo que nos machuca ou desrespeita.

Para isso, precisamos escutar nossos sentimentos mais profundos e elaborar, com cautela, as situações pelas quais passamos.

Reconhecer e fazer valer aquilo que nos faz bem, e também aquilo que não faz, mesmo que isso signifique nos afastar de pessoas ou relacionamentos.

Nem tudo que aprendemos a chamar de “normal” é saudável ou aceitável.

Nosso bem-estar precisa ser uma prioridade.

O respeito e o limite começam em nós mesmos e, a partir daí, podem se estender às nossas relações.
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Fonte:caitlyn grabenstein

12/08/2026

O sistema nervoso é a grande rede de comunicação e controle do nosso organismo. Ele recebe informações do ambiente e do próprio corpo, interpreta essas informações e produz respostas. Controla movimentos, pensamentos, emoções, memória, respiração, batimentos cardíacos e muitas outras funções essenciais.

A ansiedade pode ser entendida como um sistema de proteção. Ao antecipar um acontecimento, pode nos orientar na prevenção e na evitação de perigos. Porém, quando esse sistema de alerta se torna constante, ou quando passamos por situações difíceis, podemos nos tornar mais vigilantes, como se existisse uma ameaça constante.

O mesmo acontece com situações estressantes. Episódios isolados podem ser importantes para aumentar a atenção, a energia e a produtividade. O problema aparece quando a ativação é muito intensa, frequente ou prolongada, sem períodos suficientes de recuperação.

Por isso, a autorregulação do sistema nervoso é tão importante, para que possamos favorecer sinais de segurança e permitir que os sistemas de alerta sejam desativados.

A respiração consciente e fluida pode ser uma grande aliada, assim como os recursos de aterramento, ou seja, a percepção do corpo presente no aqui e agora.

Momentos de pausa são essenciais para o nosso corpo.

Cuidar do corpo é cuidar da mente, e vice-versa.

Cuide-se!
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Fonte: Arte de Viver Brasil

05/08/2026

Um vício pode começar de várias formas, mas, em geral, nasce da curiosidade ou da tentativa de aliviar uma dor, um vazio ou uma frustração.

Todos nós temos desejos e necessidades que nem sempre podem ser atendidos. A vida é feita de impermanências, perdas e situações que escapam ao nosso controle. Por isso, a dor e a frustração fazem parte da experiência humana. Embora desconfortáveis, elas também nos ajudam a amadurecer e a desenvolver recursos internos.

Quando temos dificuldade em sustentar uma falta emocional ou material é comum buscarmos formas de compensação. Como se, ao preencher esse vazio com algo externo, fosse possível encontrar prazer, alívio ou até mesmo anestesiar o sofrimento. Esse preenchimento pode aparecer no uso excessivo de tecnologia, álcool, dr**as, compras, jogos, s**o, comida, entre outros.

O problema é que esse alívio costuma ser intenso no início, justamente porque reduz o desconforto imediato. Com o tempo, porém, o efeito já não é o mesmo. Surge então a necessidade de aumentar a frequência, a quantidade ou a intensidade da experiência, alimentando um ciclo que pode sair do controle.

Nosso cérebro passa a associar aquele comportamento ao prazer ou ao alívio, fortalecendo esse circuito a cada repetição. Quando esse padrão se instala, entramos em um mecanismo automático conhecido como compulsão de repetição, que pode se tornar extremamente difícil de interromper apenas pela força de vontade.

Ter consciência desse ciclo é um passo importante. Mas, muitas vezes, também é necessário reprocessar essas experiências no nível do sistema nervoso. Associadas ao autoconhecimento, abordagens somáticas podem ajudar a construir novas formas de lidar com a dor, a frustração e as inevitáveis faltas da vida, sem que seja preciso buscar nelas uma compensação compulsiva.

Nem toda falta precisa ser preenchida. Algumas precisam ser compreendidas.
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Fonte:

31/07/2026

Vivemos um tempo em que os relacionamentos afetivos têm se tornado cada vez mais gasosos.

O termo reflete a ideia de superficialidade, volatilidade e falta de vínculos que sustentem a continuidade. A atração pode impulsionar o encontro, mas o que frequentemente vemos é uma conexão que se dissolve rapidamente, como se, após algum contato e envolvimento, tudo o que foi vivido simplesmente evaporasse.

Muitos fatores podem favorecer essa dinâmica, mas gostaria de destacar seus impactos emocionais.

Quando ambas as pessoas estão sintonizadas com essa forma de se relacionar, ela representa uma escolha e não há problema nisso. A questão é que, na maioria das vezes, existe um impacto emocional para um ou ambos os lados, despertando sentimentos de descarte, rejeição ou a impressão de que há algo de errado consigo mesmo.

É comum que a pessoa passe a buscar explicações para o que aconteceu, tente modificar o passado ou acabe se depreciando. Esse movimento, porém, costuma ampliar ainda mais o desconforto e o sofrimento.

Diante de experiências emocionalmente difíceis, todos nós desenvolvemos mecanismos de defesa. Nosso sistema nervoso busca nos proteger e, muitas vezes, o medo de sofrer novamente favorece um distanciamento emocional, consciente ou inconsciente.

Por isso, o autoconhecimento e a elaboração das marcas deixadas por relacionamentos anteriores são fundamentais. Antes de nos relacionarmos com o outro, precisamos aprender a nos relacionar conosco, reconhecer nossos medos e ressignificar experiências passadas.

É como fazer uma grande faxina interna e abrir espaço para o novo, acolher os aprendizados que a vida trouxe, mas sem permanecer preso ao passado.

Penso ser esse um caminho que possibilite construir relações mais profundas, com continuidade, crescimento e aprendizado mútuo.
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Fonte:

22/07/2026

A busca pela felicidade pode ser uma jornada saudável se compreendermos que ela não é um ponto de chegada permanente, mas uma experiência feita de momentos.

Talvez o sofrimento aumente quando esperamos uma felicidade permanente em uma vida que é, por natureza, transitória.

Nada em nossa vida é fixo e imutável. Tudo está em constante movimento: nós, nosso planeta, a natureza e o cosmos. Nosso corpo muda, nossas emoções mudam, e até o ar que entra e sai quando respiramos nunca é o mesmo.

Vivemos na transitoriedade.

É com essa consciência que podemos buscar estar bem conosco, com as pessoas ao nosso redor e em ambientes saudáveis, para que possamos experimentar momentos de alegria, conexão e presença.

Quando estamos tristes, se pudermos escutar esse momento com acolhimento, talvez encontremos novos caminhos. A tristeza, em geral, nos mostra algo que nos machuca, e é a partir desse reconhecimento que podemos fazer escolhas mais conscientes.

A busca por nos sentirmos bem e felizes é valiosa quando aceitamos que tudo o que vivenciamos pode trazer aprendizados e significados que nem sempre conseguimos compreender no momento em que acontecem. Muitas vezes, o sentido de determinadas experiências só se revela mais adiante.

Essa é a beleza e também o desafio de encontrar equilíbrio em meio às mudanças da vida.

E quando um momento feliz chegar, demore-se nele. Respire profundamente e perceba o que se move em seu corpo. Registre essa experiência: em uma memória, em uma frase, em uma foto ou simplesmente na sensação de estar vivo.

Depois, volte a ela sempre que precisar.

Ao recordar uma experiência com emoção, nosso cérebro e nosso sistema nervoso podem reativar sensações de segurança e bem-estar. Essas memórias funcionam como recursos internos que ajudam a diminuir os estados de alerta e a fortalecer nossa capacidade de enfrentar as dificuldades, que fazem parte da condição humana.

Penso que a felicidade não seja um estado permanente, mas pequenos instantes de presença que sustentam a nossa caminhada.
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01/07/2026

A espontaneidade e a alegria, tão características das crianças, muitas vezes se distanciam da vida adulta. Diante das responsabilidades e das constantes exigências do mundo externo, é natural que esses estados sejam vividos com menos frequência.

Ao longo da vida, desenvolvemos padrões de funcionamento que nos ajudam a responder às demandas do cotidiano. No entanto, quando esses padrões se tornam excessivamente rígidos, podem favorecer um senso crítico intenso, uma postura muito exigente e, por vezes, o perfeccionismo.

Pouco a pouco, perdemos a capacidade de experimentar a vida com leveza. E, sem perceber, vamos nos afastando de uma parte essencial de nós mesmos: aquela que br**ca, cria, se encanta e encontra prazer nas pequenas coisas.

Resgatar esse aspecto espontâneo não significa abandonar responsabilidades ou agir de forma impulsiva. Significa permitir que ele também tenha um lugar em nossa existência. A leveza e o humor não diminuem nossa maturidade; ao contrário, tornam a caminhada mais humana e equilibrada.

Quando nos permitimos viver dessa forma, ampliamos nossa capacidade de estar presentes, de criar e de nos relacionar. As ideias surgem com mais naturalidade, a criatividade encontra espaço para florescer, as relações tornam-se mais fluidas e até mesmo os desafios da vida podem ser enfrentados com maior serenidade.

Talvez crescer não seja deixar de ser criança, mas integrar à vida adulta a espontaneidade, a curiosidade e a alegria que um dia fizeram parte de quem somos.

Que sejamos um pouco mais Antônio!
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26/06/2026

O desenvolvimento humano, assim como uma árvore, precisa de tempo e cuidados para crescer e florescer.

A psique corresponde ao nosso corpo físico e vice-versa. No entanto, enquanto o corpo vai assumindo novas formas ao longo da vida, nosso mundo interior se transforma de maneira mais silenciosa e menos evidente. O mesmo acontece com a vida cotidiana, que segue seus próprios fluxos e nem sempre corresponde àquilo que desejamos internamente.

Levamos tempo para perceber como nos comportamos e quais são nossas reais necessidades. Por vezes, somente após muitos anos vamos nos dando conta de nossas verdades mais profundas, e encará-las pode ser um grande desafio.

Assim como em uma árvore algumas folhas precisam cair e nem todos os frutos amadurecem, também precisamos reconhecer e aceitar que certas coisas necessitam chegar ao fim, seja dentro de nós ou em nossas relações pessoais e profissionais. É preciso dar fim ao que já não nos faz bem: um comportamento, um sentimento, uma relação ou até mesmo a ilusão de que as coisas são como gostaríamos que fossem.

Trata-se de um processo desafiador, mas também de uma oportunidade para que algo novo possa germinar. Novas formas de nos relacionarmos conosco e com os outros, novas maneiras de viver e de fazer escolhas mais alinhadas às nossas verdadeiras necessidades.

Tal como uma árvore que atravessa as estações, o desenvolvimento humano envolve perdas, transformações e renascimentos. Respeitar esse ritmo é parte essencial do crescimento e da construção de uma vida mais autêntica.
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Fonte:.vesterbakkeg aard e
inge.schuster

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