17/09/2026
QUANDO TODO MUNDO QUER TER RAZÃO, QUEM CUIDA DA CRIANÇA?
Ontem, o Brasil assistiu a uma sessão longa, cheia de embates, acusações, discussões sobre o rito e, no final, um pedido de vista adiou a decisão.
No mundo do autismo, às vezes o cenário parece estranhamente familiar:
A escola responsabiliza a família.
A família cobra respostas da clínica.
A clínica solicita outro relatório.
A supervisora pede mais dados.
A estagiária executa o protocolo.
A AT tenta administrar tudo na prática.
E cada profissional defende a importância da própria área.
Enquanto isso, a criança continua esperando que alguém compreenda o que seu comportamento está tentando comunicar.
Uma equipe multidisciplinar não deveria funcionar como um tribunal.
Não deveria existir disputa para decidir quem está certo, quem falhou ou quem será responsabilizado. O foco precisa ser construir um plano possível, individualizado e verdadeiramente integrado.
Porque ética profissional não é apenas seguir protocolos ou produzir relatórios.
É reconhecer limites.
É compartilhar informações.
É ouvir a família.
É respeitar os outros profissionais.
É revisar estratégias quando elas não funcionam.
E, principalmente, é não permitir que a criança desapareça no meio das disputas dos adultos.
Até a equipe tem ética. Ou deveria ter.
A criança não precisa de disputa de poder. Precisa de escuta, integração e responsabilidade.
Na sua experiência, as reuniões realmente constroem soluções ou apenas distribuem culpas?
Salve e compartilhe com famílias, escolas e profissionais que precisam refletir sobre isso.