10/05/2026
Adélia Hadassa
Confúcio escreveu:
“Aos 15 anos orientei meu coração para aprender.Aos 30 plantei meus pés firmemente no chão.Aos 40 não mais sofria de perplexidade.Aos 50 eu sabia quais eram os preceitos do céu.Aos 60 eu os ouvia com ouvido dócil.Aos 70 eu podia seguir as indicações do meu próprio coração…”
Talvez a vida seja exatamente isso:uma lenta travessia entre aprender e permanecer.
E talvez algumas mães saibam disso antes mesmo dos filhos nascerem.
Minha mãe, Adélia Hadassa, sempre pertenceu ao território das mulheres silenciosas.As que sustentam sem anunciar.As que organizam o invisível.As que seguram o campo inteiro enquanto todos acreditam estar apenas vivendo.
Quando eu era mais nova, eu achava que sua força estava na ordem.Na disciplina.Na forma como ela tentava proteger a casa do excesso, do ruído, do imprevisível.
Hoje entendo:era amor.
Um amor antigo.Desses que não precisam explicar sua presença porque já se tornaram estrutura.
Há mulheres que falam sobre cuidado.Minha mãe transformou cuidado em atmosfera.
Ela não apenas atravessou a vida.Ela modificou a frequência de tudo ao redor dela.
E talvez o amadurecimento seja isso:olhar novamente para a própria mãe e perceber que aquilo que antes parecia rigidez era, muitas vezes, uma tentativa profunda de sustentar o mundo sem deixar ninguém cair.
Confúcio dizia que leva-se uma existência inteira para trocar de coração.
Algumas mães fazem isso em silêncio.Todos os dias.Sem testemunhas.
Hoje eu só queria dizer:obrigada por permanecer.
Porque existem presenças que não ocupam espaço.Elas criam chão.
Feliz Dia das Mães, Adélia Hadassa.