07/08/2026
Ganhei meu dia ao ouvir essa frase de um paciente hoje.
Depois de entrar na sala, entrar em um fluxo de pensamentos e repetir algumas vezes para ele mesmo:
“Não acredito que estou falando isso em voz alta.”
Ele respirou fundo e, finalmente, confessou:
“Faz muito tempo que eu não falo REALMENTE o que eu penso.”
Ele achou que tinha vindo para uma consulta médica.
E, no caminho, descobriu o que significa hebiatria.
Descobriu que existe um espaço sem julgamentos para falar sobre o corpo que muda, os afetos, as relações, a sexualidade, a família, a escola, as inseguranças — e também sobre aquilo que, muitas vezes, não encontra lugar em nenhum outro espaço.
Porque cuidar de adolescentes também é escutar o que ainda não conseguiu ser dito.
Talvez seja por isso que eu goste tanto da hebiatria e da psicanálise.
Porque, antes de cuidar de alguém que está crescendo, precisamos estar disponíveis para escutar quem essa pessoa está se tornando.
E, às vezes, uma consulta começa quando o adolescente percebe que, ali, ele pode dizer o que pensa, sem ter um médico check-list de perguntas ou tentando tirar histórias a fórcipes.
Não, nem todas as perguntas devem ser feitas de formas sistemáticas para todos os pacientes… depende da idade, da puberdade, do momento, do vínculo e do nível de abertura naquele dia.
Por mais espaços onde a gente possa falar…
Dra. Maíra Terra
Pediatra | Hebiatra | Psicanalista