01/06/2026
Na noite deste sábado, 30 de maio de 2026, o Brasil perdeu uma das maiores médicas de sua história.
Angelita Habr-Gama faleceu aos 93 anos, no Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo, onde estava internada desde o início deste mês.
Pioneira da cirurgia colorretal no Brasil e no mundo, ela foi a primeira mulher a ocupar o cargo de professora titular em uma área cirúrgica da USP. Criou a disciplina de Coloproctologia do Hospital das Clínicas, fundou a Associação Brasileira de Prevenção do Câncer de Intestino e coordenou o programa nacional de prevenção do câncer colorretal da Organização Mundial de Gastroenterologia.
Seu maior legado científico foi o protocolo "Watch and Wait" (vigiar e esperar), que revolucionou o tratamento do câncer de reto ao demonstrar que pacientes com resposta completa à quimiorradioterapia podem preservar o órgão, evitando cirurgias agressivas. A técnica passou a ser estudada e adotada em centros de referência do mundo inteiro.
Em 2021, Stanford a reconheceu entre as cientistas que mais contribuíram para o avanço do conhecimento médico no mundo. Em 2002, foi a primeira mulher a ingressar na American Surgical Association, fundada há mais de um século.
Mas antes de todos esses títulos, houve muitos nãos.
Os pais não queriam que ela fizesse medicina. A USP fechou portas. Um hospital londrino também. Cada recusa virou combustível. Cada obstáculo, uma alavanca.
A sua biografia, "Não não é uma resposta", não é apenas a história de uma médica extraordinária. É um manual de vida para quem acredita que o SIM existe, mesmo quando o mundo inteiro grita o contrário.
Ela vive em cada paciente que não precisou operar. Em cada médico que aprendeu com ela. Em toda pessoa que transforma um NÃO em força para seguir.
Vá atrás do seu SIM. Com todas as suas forças.