23/06/2026
Seguidores vs. Estetoscópio: O que define um bom médico?
Vivemos na era da autoridade digital, onde o número abaixo do nome no Instagram parece, para muitos, um selo de qualidade profissional. Mas precisamos falar a verdade: popularidade digital não é pré-requisito para competência médica. Aqui estão 3 pontos para refletirmos:
1. Algoritmo não é CRM: O algoritmo das redes sociais premia a constância, o entretenimento e a linguagem simplificada. Um médico pode ser um excelente comunicador e criador de conteúdo, mas isso reflete sua habilidade de comunicação, não necessariamente sua destreza cirúrgica, conhecimento técnico, precisão diagnóstica em casos complexos, qualidade do atendimento e formação acadêmica.
2. O tempo é um recurso finito: Muitos dos maiores especialistas do país passam a maior parte do dia em centros cirúrgicos, UTIs ou debruçados sobre artigos científicos. Para esses profissionais, o “tempo de tela” é sacrificado em favor do “tempo de cuidado”. Ter poucos seguidores pode ser apenas um reflexo de uma agenda totalmente dedicada à prática clínica, estudo e pesquisa. Aliás, os melhores médicos que conheci na minha carreira não tem redes sociais.
3. Medicina é ciência, não engajamento: Um post viral muitas vezes foca no que as pessoas querem ouvir (soluções mágicas, dietas milagrosas, promessas rápidas). A boa medicina, por outro lado, frequentemente entrega o que o paciente precisa ouvir — o que nem sempre gera curtidas, mas salva vidas.
Conclusão:
As redes sociais são ferramentas incríveis de educação em saúde, e há médicos brilhantes que também são grandes influenciadores. No entanto, na hora de escolher quem cuidará da sua vida ou da sua família, olhe para o currículo, para a formação, para as recomendações de outros pacientes e profissionais.
O melhor médico para você pode ser aquele que você ainda não segue.