30/04/2026
A escuta clínica nos ensina diariamente que não há nascimento psíquico sem alguma dose de dor.
Este vídeo materializa uma das travessias mais angustiantes e fundamentais do desenvolvimento humano: a necessidade vital do adolescente de romper com o objeto amado.
O jovem não grita e bate a porta porque odeia a mãe. Ele o faz porque está em um desespero profundo para descobrir quem ele é longe dela. A fusão da infância tornou-se insuportável, quase sufocante.
Para existir como sujeito próprio, ele precisa testar as fronteiras, “destruir” a mãe idealizada da infância para ver se a sua própria identidade se sustenta na tempestade.
É nesse ponto que entra a função mais difícil e dolorosa da parentalidade: sobreviver ao ataque.
Como nos lembra Winnicott, o cuidador precisa suportar a agressividade do adolescente sem desmoronar, sem retaliar com ódio e sem retirar o afeto.
A mãe do vídeo ilustra isso perfeitamente: ela impõe o limite, demarca a lei (ao confiscar o celular), mas não abandona o posto. Ela permanece lá. Inteira. Suportando a hostilidade.
Quando o garoto se vê isolado na tempestade do seu próprio desamparo (a cena do mar revolto), ele toma consciência do peso da separação. Ele percebe que a ruptura não o aniquilou e, mais importante, que a sua agressividade não destruiu o amor da mãe.
O abraço final, carregado de exaustão e alívio, não é um retrocesso à infância. É um reencontro. É o abraço de dois sujeitos que sobreviveram ao luto daquela relação simbiótica e, agora, podem se amar de um lugar inteiramente novo.
O vínculo que suporta a ruptura é o mesmo que constrói o porto seguro para o retorno.
Na clínica como você podemos acolher a angústia dos pais que estão atravessando o auge dessa tormenta?
Como ajudamos essas famílias a sustentarem a presença exatamente quando o filho mais exige a distância?
Compartilhem suas vivências nos comentários.