14/08/2026
A perimenopausa não chega avisando. Ela vai mudando a mulher aos poucos.
O sono já não é o mesmo.
O humor oscila.
A ansiedade aparece ou piora.
A disposição diminui.
O corpo começa a responder diferente.
A libido muda.
A concentração falha.
E, muitas vezes, ela não consegue entender o que está acontecendo.
Pior: ainda escuta que é estresse, idade, excesso de trabalho ou “coisa da cabeça”.
Enquanto avançamos muito na compreensão da menopausa e derrubamos antigos mitos, a perimenopausa ainda é uma fase subestimada — inclusive por muitos profissionais de saúde.
E talvez exista uma injustiça silenciosa nisso tudo:
É justamente nessa fase que muitas mulheres estão no auge das suas responsabilidades.
Empreendem. Lideram. Trabalham. São mães. Esposas. Cuidam da casa, da família, dos outros.
E continuam entregando tudo, mesmo quando o próprio corpo parece ter mudado as regras sem avisar.
Diariamente recebo mulheres vivendo exatamente isso: tentando manter a mesma performance enquanto enfrentam oscilações hormonais intensas e sintomas que ninguém conseguiu conectar.
Existe muita resiliência nessa mulher.
Mas resiliência não deveria significar aprender a conviver com o sofrimento.
Meu papel é ajudá-la a entender o que está acontecendo, investigar de forma individualizada e, quando houver indicação, tratar.
Porque atravessar essa fase da vida é inevitável.
Perder qualidade de vida durante ela, não precisa ser.