24/07/2026
Já há algum tempo, a palavra "TOC" passou a ser usada para explicar praticamente qualquer pensamento repetitivo, qualquer perfeccionismo ou qualquer gosto por organização.
Mas no TOC, a pessoa convive com obsessões (pensamentos, dúvidas ou medos que invadem a mente sem que ela queira) e compulsões (gestos, rituais) que surgem como uma tentativa de aliviar a tensão provocada por essas obsessões.
Quando passamos a chamar qualquer pensamento persistente de TOC, deixamos de perceber que experiências muito diferentes podem produzir sintomas parecidos. Ideias prevalentes, ruminações depressivas, traços de personalidade, por exemplo, podem ser confundidos, embora tenham origens e, o que é um ponto crítico, tratamentos muito distintos.
O problema não é apenas uma questão de linguagem.
Na psiquiatria, as categorias diagnósticas são ferramentas para organizar fenômenos extremamente complexos, mas devem ser entendidas com essa limitação: são ferramentas. Compreender a particularidade de cada um, sem reduzi-la a um rótulo, é essencial.
Nesta série, quero discutir alguns conceitos de saúde mental que, na minha opinião, passaram do ponto. Não porque sejam errados, mas porque muitas vezes deixaram de ser usados adequadamente.