06/10/2026
O que acontece com a nossa subjetividade quando aprendemos a nos enxergar a partir do olhar do outro?
Em Pele Negra, Máscaras Brancas, Frantz Fanon nos mostra que o racismo não atua apenas nas relações sociais. Ele também atravessa a experiência de si, produzindo marcas na forma como o sujeito se percebe, deseja, se posiciona e busca reconhecimento.
“Não basta [...] compreender que existem máscaras. É preciso compreender por que elas existem.”
Essa reflexão nos convida a ir além da identificação das máscaras.
Quais lugares aprendemos que deveríamos ocupar?
Quais características sentimos que precisamos apresentar para sermos reconhecidos?
O que, em nós, foi sendo silenciado, adaptado ou escondido para caber no olhar do outro?
Pensar Fanon também é pensar sobre os efeitos subjetivos de uma sociedade que não distribui reconhecimento, pertencimento e humanidade de forma igual.
E talvez algumas perguntas permaneçam abertas:
Quem sou eu quando não preciso me construir para corresponder ao olhar do outro?
O que existe em mim para além daquilo que aprendi que deveria ser?
Fanon nos ajuda a perceber que, muitas vezes, a construção de si também acontece em um campo de disputa.
E olhar para isso pode ser um primeiro passo para começar a retirar, uma a uma, algumas dessas máscaras.