15/01/2026
Hoje, o tempo faz silêncio para ouvir você, Lô.
Hoje, o dia amanheceu com cheiro das montanhas de Minas.
Tua música continua jovem, como quem aprende a amar todos os dias.
Quando alguém passar e perguntar por você, sempre direi: "até amanhã, até amanhã, até amanhã", como você ensinou.
Porque com você nunca houve despedida, apenas esse jeito doce de continuar, mesmo quando o tempo tenta encerrar.
Há algo em você que não se apaga: uma delicadeza mineira que escreve o mundo em tom baixo, quase como um segredo, como carta dobrada com cuidado.
"Canção Postal" (1972), uma de suas músicas mais bonitas, fala sabiamente sobre atravessar distâncias sem perder o afeto e sobre mensagens que chegam mesmo quando não sabemos o dia e nem como. Chegam como um sussurro, como uma lembrança, no meio de uma melodia.
Também não vou esquecer de sorrir, como você tentou sorrir, mesmo quando doía.
Quando alguém lembrar o que você foi, o que ainda é, o que soube, vou dizer pros amigos, que você continua dançando nas estrelas. Continua dançando com o tempo, com a melancolia e com a alegria mansa de quem entendeu a vida.
E vou dizer que você nos ensinou a deixar o mundo virar para sempre no fundo do pomar. Ali, onde a infância nunca termina, onde há estrelas no lençol
e a noite é menos dura.
Eu sempre vou querer ver você, ter você, ser como você e amar você, porque amar Lô Borges é aprender a sentir sem pressa.
Todas as vezes que eu ouvir uma canção que você fez, não vou esquecer de sonhar, porque você me (nos) ensinou isso: que a música pode ser casa,
pode ser abraço, pode ser uma canção postal
enviada ao coração do mundo.
Hoje, no dia em que você faria 74 anos, o mundo continua e continuará cantando suas músicas.
E eu, particularmente, seguirei as ouvindo,
com cuidado, com saudade, com amor, mas, principalmente, com alegria e te dizendo, em silêncio:
até amanhã,
até amanhã,
até amanhã.
Continue brilhando, Lô, porque você sempre foi e sempre será luz.
🌙🎶🌻❤