Maria Bruna Mota - Psicanálise com Afeto

Maria Bruna Mota - Psicanálise com Afeto Por aqui coisas da vida: poesia, amor e psicanálise. Atendimento clínico online. Atendimentos Online.

MARIA BRUNA MOTA Pereira é Bacharel em Psicologia e Pós-Graduada em Psicanálise: Clínica com Crianças e Adolescentes pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG). Inscrita no Conselho Regional de Psicologia de Minas Gerais sob o registro 04/45107. Psicóloga e psicanalista, está em constante formação e aprimoramento, por meio de cursos, congressos e estudos. Na clínica psicológica

oferece os seguintes serviços:

- análise
- psicoterapia psicanalítica para crianças, adolescentes e adultos
- orientação profissional
- orientação de pais
- supervisão clínica para psicólogos e psicanalistas. Também ministra cursos e palestras, as quais envolvem temáticas como relacionamentos interpessoais/amorosos, motivação, autoestima e fenômenos psicossociais.

Nem toda travessia começa com coragem.Algumas começam com desconforto.Com a sensação de que algo já não cabe mais, embor...
23/06/2026

Nem toda travessia começa com coragem.

Algumas começam com desconforto.

Com a sensação de que algo já não cabe mais, embora o novo ainda não tenha se apresentado com clareza.

Há momentos da vida em que permanecer onde estamos parece mais seguro.

Mas permanecer também tem um custo.

As travessias nos convocam justamente para esse lugar de incerteza: entre o que já não somos e aquilo que ainda estamos nos tornando.

Talvez por isso elas sejam tão difíceis.

Não atravessamos sem perder algo.

Não atravessamos sem abrir mão de certas garantias.

Não atravessamos sem encontrar, pelo caminho, partes de nós que ainda não conhecíamos.

Mas é também nas travessias que algo do desejo pode ganhar novos contornos.

Que possamos ter a delicadeza de respeitar nossos tempos.

E a coragem de não permanecer indefinidamente onde a vida já nos pediu movimento.

Escutar não é salvar.Escutar é sustentar as condições para que o sujeito encontre suas próprias respostas.Por isso a éti...
22/06/2026

Escutar não é salvar.

Escutar é sustentar as condições para que o sujeito encontre suas próprias respostas.

Por isso a ética da psicanálise não é a ética da compaixão. É a ética do desejo.

A pena frequentemente é uma forma de recusa da castração.

Quando o analista f**a excessivamente mobilizado pelo sofrimento do analisante, pode surgir a fantasia de poupá-lo de algo que é estrutural da existência humana: a falta, o limite, a impossibilidade, a perda.

Às vezes, o que chamamos de dó é apenas a dificuldade de sustentar que nem todo sofrimento pode - ou deve - ser eliminado.

Existe uma tendência, especialmente em tempos de mudanças rápidas, de acreditar que a teoria ficou ultrapassada e que ba...
18/06/2026

Existe uma tendência, especialmente em tempos de mudanças rápidas, de acreditar que a teoria ficou ultrapassada e que basta acompanhar as novas formas de sofrimento para compreender a clínica.

Mas existe também o movimento oposto: transformar a teoria em um refúgio tão rígido que o sujeito até desaparece atrás dos conceitos.

Nenhum desses caminhos sustenta uma prática clínica consistente.

A teoria é indispensável porque orienta a escuta, oferece referências e impede que a clínica se reduza à opinião pessoal do analista.

Mas ela não substitui o encontro com a singularidade de cada caso.

Nenhum paciente chega ao consultório para confirmar aquilo que lemos nos livros.

Pelo contrário.

Frequentemente são os casos que nos obrigam a retornar aos textos, reler conceitos e revisar certezas.

Talvez uma das tarefas mais difíceis da formação seja justamente sustentar essa tensão.

Nem abandonar a teoria em nome da novidade.
Nem utilizar a teoria para evitar ser surpreendido pelo sujeito.

Porque a formação não acontece apenas quando estudamos.
Ela acontece quando permitimos que a teoria e a clínica continuem interrogando uma à outra.

E é nesse movimento que a escuta permanece viva.

A verdade é que cada mulher se situa de maneira própria em relação à possibilidade inata de ser mãe, bem como em relação...
16/06/2026

A verdade é que cada mulher se situa de maneira própria em relação à possibilidade inata de ser mãe, bem como em relação às expectativas sociais acerca da maternidade. A maternidade é apenas uma das versões da feminilidade: a mãe não define nem exclui a mulher.
Na experiência da maternidade e na constituição do ser falante, mais além dos cuidados físicos necessários à sobrevivência do bebê, importa a transmissão do desejo da mãe (que não é satisfeito pelo próprio vínculo com a cria). Somente assim, de acordo com Lacan, é possível a “criação”, entendida como um fazer surgir algo do nada, do ex-nihilo: “[...] no fundo, uma mulher mal sabe quem é seu bebê. O bebê é como a vida, é patente no ser humano que ele é um parasita. Um parasita é alguma coisa que começa a existir apenas se lhe dermos um nome. Enquanto ele não tem um nome, o que ele é?”.

Trecho extraído do livro Psicanálise, Drogadição e Atenção Psicossocial, de Oscar Cirino.

16/06/2026

A clínica também tem uma dimensão de negócio.

Se você não tem um empregador que paga o seu salário mensalmente, ou você é um psi autônomo ou você é um psi empresário.

E como tal, é imprescindível que você aprenda a olhar para o consultório não apenas como um lugar de manejo clínico e amor pelo trabalho, mas também como um lugar que necessita de gerenciamento.

Isso, ao menos, se o seu objetivo é viver da clínica.

Aqui eu falo de afeto, acolho os psis, mas não romantizo ou douro a pílula do dia-a-dia da prática clínica.

Envie esse vídeo para um amigo psi que está precisando escutar isso.

Falar sobre dinheiro na clínica ainda gera bastante desconforto.Talvez porque, durante muito tempo, fomos atravessados p...
15/06/2026

Falar sobre dinheiro na clínica ainda gera bastante desconforto.

Talvez porque, durante muito tempo, fomos atravessados pela ideia de que cobrar mais seria menos ético, menos humano ou menos acolhedor.

Mas acolher um paciente não é o mesmo que abrir mão de sustentar o valor do próprio trabalho.

Quando falamos que o valor da sessão deve ser combinado caso a caso, estamos falando da singularidade de cada encontro analítico. Isso não signif**a que o analista precise aceitar automaticamente qualquer proposta apresentada pelo paciente.

Aliás, muitas vezes, a pressa em reduzir honorários não está a serviço da análise.

Pode estar a serviço da culpa do próprio analista.

Pode estar a serviço da dificuldade de sustentar o valor do seu trabalho.

Ou até da fantasia de que, para ser ético, é preciso sacrif**ar algo de si.

Valor e preço não são a mesma coisa.

Mas também não estão completamente separados.

O manejo dos honorários faz parte da clínica. Ele comunica algo sobre o investimento do paciente, mas também sobre a posição que o analista ocupa diante do próprio fazer.

Isso não signif**a que exista um valor "correto" para todos os casos.

Signif**a apenas que acolhimento não deve ser confundido com desvalorização.

Você não precisa diminuir o valor do seu trabalho para demonstrar cuidado.

E talvez uma pergunta importante seja:

Quando você pensa em cobrar pelo seu trabalho, a dificuldade está mais no paciente ou na forma como você mesmo reconhece o valor do que oferece?

Este é um momento da minha vida em que estou me refazendo.Me reconstruindo, me reinventando.Para toda nova construção, c...
13/06/2026

Este é um momento da minha vida em que estou me refazendo.
Me reconstruindo, me reinventando.

Para toda nova construção, contudo, é necessário primeiro se desconectar do que não cabe mais, do que não agrega desejo e do que não movimenta novos caminhos.

Hoje eu celebro esses 35 anos de percurso ao lado daqueles que permaneceram, que acompanharam meu crescimento e os meus tropeços - muitos não estão nas fotos, mas sintam-se igualmente abraçados e agradecidos por estarem comigo.

Ainda quero muito da vida.
Não só quero: desejo!

Há muitas coisas para celebrar, muitas conquistas para usufruir.

E sinto que cada passo dado me aproxima mais de mim mesma e de tudo aquilo que quero alcançar.

Obrigada vida, por me permitir chegar até aqui!

Isso é o que signif**a quando dizemos que o saber não está com o analista, mas com o analisante.No ato da escuta clínica...
11/06/2026

Isso é o que signif**a quando dizemos que o saber não está com o analista, mas com o analisante.

No ato da escuta clínica nos fingimos de “bobos”, como se não soubéssemos sobre aquilo que o analisante nos traz.

Por mais que estudemos sobre o conceito de depressão, nunca saberemos o que ele, o sujeito, entende como sua depressão.
E a análise acontece neste campo, o campo do saber do próprio paciente, e não do saber teórico do analista.

Ali não somos mestres ou detentores do saber, mas sim detentores daquilo que Lacan chama de ignorância douta.

Não é que o analista não saiba nada. Ele sabe muitas coisas. O que importa, contudo, é aquilo que o analisante nos traz.

Essa é uma das subversões da psicanálise.

10/06/2026

Uma das maiores dificuldades no início da clínica é suportar não saber imediatamente o que fazer.

Muitos analistas entram na sessão tentando encontrar rapidamente uma direção, uma técnica, uma intervenção “correta”.

Mas, na psicanálise, existe algo anterior ao fazer.

A escuta.

Freud já propunha a atenção flutuante justamente como uma forma de o analista não se fixar previamente em um sentido, em uma hipótese rígida ou em uma busca ansiosa por respostas.

Porque, quando escutamos apenas tentando confirmar aquilo que imaginamos saber, algo da fala do sujeito deixa de aparecer.

Sustentar o não saber não signif**a ausência de estudo ou falta de manejo clínico.

Signif**a não ocupar a sessão com a ansiedade de produzir respostas rápidas.

Existe uma diferença importante entre um analista perdido e um analista que consegue sustentar uma escuta aberta ao inesperado.

Na prática, isso implica suportar silêncios, ambiguidades, contradições e até momentos em que ainda não sabemos exatamente o que determinada fala produz na cena clínica.

E talvez seja justamente aí que algo do inconsciente possa emergir.

Porque a atenção flutuante não é uma escuta desatenta.

Ela é uma escuta menos capturada pela necessidade de controlar antecipadamente o sentido.

Quanto menos tentamos “encaixar” rapidamente o sujeito em um saber já pronto, mais a singularidade dele consegue aparecer.

Eu gosto muito dessa frase. Ela me faz pensar no quanto o inconsciente incide nas nossas escolhas.Me remete ao que Freud...
09/06/2026

Eu gosto muito dessa frase. Ela me faz pensar no quanto o inconsciente incide nas nossas escolhas.

Me remete ao que Freud disse em 1917, no texto “Uma dificuldade no caminho da psicanálise”, que é sobre o eu não ser senhor da própria casa.

Aquilo que está no inconsciente aparece de forma inevitável nas nossas escolhas, mesmo que ousemos negar.

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