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O obsessivo e a histérica: um casal A matemática do amor é uma conta que não fecha, pois de dois não se faz um. Há sempr...
25/07/2020

O obsessivo e a histérica: um casal

A matemática do amor é uma conta que não fecha, pois de dois não se faz um. Há sempre um resto que na melhor das hipóteses se converte em causa de desejo para seguir insistindo na relação.

A histérica não cessa de demandar o amor para recusá-lo. O obsessivo não cessa de duvidar se o que sente é amor por não deixar de idealizá-lo.

O sujeito obsessivo não se satisfaz porque não sustenta a perda que uma escolha impõe. Ele quer tudo: ou seja, o impossível. Eterniza a dúvida e salva o ideal. Já o sujeito histérico impossibilita aquilo que escolhe para f**ar insatisfeito, e antecipa o fracasso e se queixa de ter sido lesado pelo Outro.

Um clássico engodo amoroso: uma promessa feita pelo obsessivo à histérica. Ele promete, realiza mentalmente, mas não precisa cumpri-la efetivamente. Ela espera que lhe dêem o prometido, que jamais virá, e segue insatisfeita.

Há mar turbulento no encontro desse casal. Sentimento ilhado, morto e amordaçado, é o que faz o obsessivo com ele. Destitui o que recebe do outro, tratando isso como m***a. É com ela que ele f**a em dívida. Quando a indiferença histérica enlouquece em seu amódio, a mordaça obsessiva cai, e a sua polidez oblativa se faz puro ódio, em que ele navega em mar turbulento. É sua chance de escapar da ilha da morte.

As fixações pulsionais da neurose são, por excelência, a oral na histeria e a a**l na neurose obsessiva. Nem por isso as funções ligadas à oralidade e à a**lidade deixam de estar presentes nas duas estruturas. O obsessivo fala com o rabo, fala m***a, perde o amor, mas não perde a agressão. Ama o ódio como a si mesmo. A histérica retém palavras, num mutismo seletivo com a aura da indiferença ou a palavra adesivada no corpo que se dá a ver.

Tudo certo como dois e dois são cinco...

Ana Paula Gomes

O momento pelo qual o mundo está passando pode provocar complicações na saúde mental das pessoas, principalmente após o ...
12/07/2020

O momento pelo qual o mundo está passando pode provocar complicações na saúde mental das pessoas, principalmente após o isolamento social, que, apesar de essencial para conter a contaminação, dificulta o contato com parentes e amigos, impedindo, também, a realização de encontros.

Caso você precise de apoio terapêutico, mas não pode pagar: não fique acanhada e, muito menos, sozinha! A Ipefem - Instituto de Pesquisa & Estudos do Feminino pode te acolher.

Para entrar em contato com o instituto você pode acessar um link de cadastro em nosso stories.



Via Mídia NINJA

12/07/2020
22/06/2020

Ausência!

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

(Carlos Drummond de Andrade)

O amor para Lacan é, acima de tudo, um tipo de vínculo que nasce a partir da palavra. Se não existe palavra, o que exist...
02/06/2020

O amor para Lacan é, acima de tudo, um tipo de vínculo que nasce a partir da palavra. Se não existe palavra, o que existe é a paixão. Ou seja, uma fascinação imaginária. Enquanto o desejo sexual transforma o outro em objeto de satisfação, o amor o transcende. Dirige-se ao outro como ser, não como objeto.

Da forma que amar não é assintomático. A fascinação sem a palavra (paixão) pode nos deixar de joelhos.

______@amenteemaravilhosa_

Arte visual inspirada na publicação de:
**lisedobem

A construção do saber sobre si em psicanálise passa pelo outro. A psicanálise convida o sujeito a se conhecer, não por u...
31/05/2020

A construção do saber sobre si em psicanálise passa pelo outro. A psicanálise convida o sujeito a se conhecer, não por uma ótica de introspecção, isso porque o método da auto-observação não permite o trabalho sobre um conceito básico psica**lítico: o inconsciente. Torna-se então necessário construir o lugar de intérprete, de suspensão do saber absoluto e dar lugar a suspeita. Mas suspeita sobre o quê? Se o método introspectivo é falho por conta de a consciência a**lisar a si própria, ou seja, o sujeito continuaria controlando seu ato de pensar, torna-se então necessário estabelecer um lugar de investigação em que um outro reconheça aquilo que eu não conheço, que me soa estranho. Surge então a necessidade de trabalhar com os materiais inconscientes, como sonhos e atos falhos.
Sobre esse último, o locutor não tem consciência do signif**ado do seu conteúdo, e muitas vezes nem percebe que assim o fez. Para os que não estão familiarizados com o termo, ato falho é toda ação que o sujeito faz de uma forma, mas sua intenção consciente era outra. Por exemplo: Uma paciente dizer em uma sessão “Minha irmã, ops, digo, minha mãe, me dava de mamar sempre que eu tinha uma crise de choro”. Algumas vezes o sujeito continua a frase sem saber que disse a palavra “irmã”. Para ele, foi apenas um lapso. Para o a**lista, não é verdadeiramente o ato falho que importa, e sim sua intenção. “O que no sujeito disse por ele que atravessou toda bagagem linguística e chegou em forma de signif**ado dentro desse exato contexto?”. Uma hipótese necessária é o recalque; aquilo que o sujeito REALMENTE queria dizer e às vezes nem sabia que queria. O ato falho fala sobre a realidade psíquica.
“O sentido pode vir a ser construído em cada prática interpretativa diante de um mesmo ato falho; ou seja, aquilo que foi expresso, sem a intenção consciente do sujeito, pode vir a ganhar uma forma que se faz reconhecer em diferentes momentos de diferentes modos, produzindo-se no tempo imediatamente consecutivo ao encadeamento associativo que o sujeito oferece para dar sentido ao ato” (Aires, 2017)
**lise

25/05/2020

REPETIÇÃO E PULSÃO DE MORTE

A tristeza é um lugar quentinho, mas apertado. Desprender-se dela implica em tolerar a perda desse sofrimento já conhecido.
Na neurose tende-se a preferir o sofrimento já conhecido, ao risco da novidade. A isso Freud chamou de pulsão de morte.
Em "Além do princípio do prazer" (1920) ele associou a repetição à pulsão de morte para dizer do por que repetimos mesmo aquilo que nos traz sofrimento.
É que encontramos satisfação (lembrando que satisfação, em psicanálise, não é o mesmo que prazer) em viver um sofrimento já conhecido.
Trata-se de uma satisfação inconsciente, que é vivida como desprazerosa pelo eu.
Por outro lado, a pulsão de vida, está associada à novidade.
Quando nos deslocamos do lugar quentinho e apertado do sofrimento, para o arejado do novo, o desejo reina.
Por isso Lacan diz que o melhor remédio para a angústia é o desejo.
Ali onde só há repetição, o desejo faz furo e convoca ao movimento.

(Por Ana Suy)

Lacan molda esta frase com base no que é dito no Diálogo de Platão: “Ninguém pode ensinar o que não sabe”. No amor, semp...
29/04/2020

Lacan molda esta frase com base no que é dito no Diálogo de Platão: “Ninguém pode ensinar o que não sabe”. No amor, sempre imaginário, acontece uma dialética metafórica entre o amante e o amado, em torno de uma falta simbólica.

O que é o amante? É aquele que, sentindo que algo lhe falta, mesmo sem saber o que seja, supõe em outro, o amado, algo que o completaria. O amado, por sua vez, sentindo-se escolhido, supõe que tem algo a dar, sem saber bem o quê. Mas, como o amado é também um ser falante e faltante, algo também lhe falta, como ao amante. Assim, o que ambos têm a dar é um nada, um vazio. E aquilo que o amado supõe ter para dar, não é o que falta ao amante. O amante não sabe o que lhe falta, o amado não sabe o que tem, um não-saber que é do inconsciente.

Texto: Associação Livre - Ensino continuado de psicanálise

É sobre o recordar, repetir e elaborar que a psicanálise se baseia para permitir que o sujeito possa ter possibilidades ...
24/04/2020

É sobre o recordar, repetir e elaborar que a psicanálise se baseia para permitir que o sujeito possa ter possibilidades de não ser refém da própria história. O psica**lista bem fundamentado saberá escutar o paciente queixoso ou poliqueixoso dando a ele a possibilidade de entender que o passado nos forma, mas enquanto agimos sempre de acordo com uma experiência traumática ele nos deforma e que só nos permitindo sentir com mais cuidado existe a possibilidade de reforma.

Via Freud Estupefato

Endereço

São Paulo, SP

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