Psicóloga - Marilice Zanato

Psicóloga - Marilice Zanato Psicologia e Constelação Familiar MEZPsicologia - Clínica e Organizacional

Sobre pessoas, desenvolvimento, carreira e vida.

A constelação familiar não trabalha com culpa.  Ela trabalha com movimentos, padrões e lugares dentro do sistema familia...
25/05/2026

A constelação familiar não trabalha com culpa.
Ela trabalha com movimentos, padrões e lugares dentro do sistema familiar.

Quando alguém pergunta se vai “descobrir o culpado”, está imaginando a constelação como um tribunal emocional.
Mas ela não funciona assim.

Na constelação, ninguém é acusado.
Ninguém é exposto.
Ninguém é responsabilizado sozinho por algo que é sempre sistêmico.

O que aparece não é “quem fez o quê”, mas como cada pessoa foi afetada e como isso se repete nas gerações.

A constelação não busca culpados porque culpa paralisa.
Ela busca compreensão porque compreensão movimenta.

Quando você entende a dinâmica, você ganha escolha.
E quando você escolhe diferente, o sistema inteiro respira.

Nas Constelações Familiares, quando pais continuam sustentando, protegendo ou assumindo responsabilidades que já pertenc...
23/05/2026

Nas Constelações Familiares, quando pais continuam sustentando, protegendo ou assumindo responsabilidades que já pertencem aos filhos adultos, algo importante acontece no campo: a ordem se inverte.
E toda inversão de ordem tem consequências.

- O filho perde força.
Quando recebe dos pais aquilo que já deveria gerar por si mesmo, ele se desconecta da própria potência. A vida trava, a prosperidade enfraquece e a autonomia não se desenvolve.

- Os pais se desgastam.
Ao dar demais, eles carregam o que não é mais deles. Surge cansaço, frustração e até conflitos no casal.

- A troca f**a desequilibrada.
Quando um lado dá demais e o outro recebe demais, o amor deixa de fluir com leveza. Aparecem culpa, irritação e afastamento.

- O sistema tenta corrigir.
O campo busca equilíbrio e, para isso, cria movimentos que empurram cada um de volta ao seu lugar — às vezes através de dificuldades, conflitos ou sintomas.

Uma sugestão de frase sistêmica para devolver a ordem:
"Vocês me deram a vida, e isso já basta.
Eu recebo o que vocês me deram até aqui, e eu sigo a partir daqui com tudo o que recebi.”

Quando essa frase é dita com verdade, o amor volta a fluir e cada um pode voltar a ocupar o lugar que lhe pertence.

Em This Is Us, Randall e Beth têm um pacto: diante de algo difícil, eles perguntam um ao outro — “Qual é o pior que pode...
21/05/2026

Em This Is Us, Randall e Beth têm um pacto: diante de algo difícil, eles perguntam um ao outro — “Qual é o pior que pode acontecer?”

Parece simples. Mas é profundo.

Porque a ansiedade não nasce do que é real.
Ela nasce do que é possível.
Do que é imaginado.
Do que o cérebro cria no escuro.

Quando você nomeia o pior, você tira o medo da sombra.
Você transforma um monstro difuso em algo que pode ser olhado, entendido, enfrentado.

E aí acontece algo curioso: o pior, quando dito em voz alta, quase nunca é tão catastrófico quanto parecia na sua cabeça.

Psicologicamente, isso muda tudo:
– você sai do “e se?” e entra no “ok, e agora?”
– você recupera a sensação de controle
– você percebe que sobreviveria ao pior
– você descobre que a chance real dele acontecer é muito menor do que a sua ansiedade diz

Pensar no pior não é pessimismo.
É coragem.
É estratégia emocional.
É parar de fugir do medo e começar a conversar com ele.

Porque quando você encara o pior…
o pior deixa de te encarar de volta.

A constelação familiar é um método que ajuda você a observar padrões e dinâmicas do seu sistema, de um jeito simples e d...
18/05/2026

A constelação familiar é um método que ajuda você a observar padrões e dinâmicas do seu sistema, de um jeito simples e direto.

Ela não adivinha nada, não revela segredos e não trabalha com espiritualidade.

O foco é entender como você se movimenta dentro da sua história e o que isso influencia na sua vida hoje.

Quando você vê esses movimentos com clareza, f**a mais fácil fazer escolhas diferentes e construir relações mais saudáveis.

Às vezes ouvimos pessoas dizendo que sentem falta da infância…  Da leveza, da despreocupação, do brincar sem hora, do co...
16/05/2026

Às vezes ouvimos pessoas dizendo que sentem falta da infância…
Da leveza, da despreocupação, do brincar sem hora, do colo garantido.

Mas também existem aqueles que não lembram da própria infância — e não é porque foi “há muito tempo”.
E aqui talvez doa um pouco: para alguns, ser criança nunca foi permitido.

Foram pequenos que precisaram ser fortes cedo demais.
Que trocaram brinquedos por responsabilidades.
Que aprenderam a sobreviver antes de aprender a brincar.

Cada infância carrega uma história.
E nem todas foram doces — e tudo bem reconhecer isso.

Que a gente acolha essas diferenças e construa, agora, a leveza que faltou lá atrás.

A gente fala muito de mães narcisistas, mas quase ninguém fala dos pais narcisistas. E eles existem — e muito.Pais que c...
14/05/2026

A gente fala muito de mães narcisistas, mas quase ninguém fala dos pais narcisistas. E eles existem — e muito.

Pais que competem com o próprio filho.
Pais que exigem admiração, mas não oferecem afeto.
Pais que diminuem, humilham, controlam.
Pais que só reconhecem o filho quando isso serve ao próprio ego.

Isso não é “autoridade”.
Isso não é “educação à moda antiga”.
Isso é narcisismo.

E os filhos crescem carregando culpas que não são deles, tentando conquistar um amor que nunca virá daquele lugar.

Falar sobre pais narcisistas é quebrar um silêncio que protege abusos.

É abrir espaço para que mais pessoas entendam que não estão exagerando — estão sobrevivendo.

Esses dias vi um relato que me deixou inquieta: uma paciente desconfiava que sua psicóloga estava usando IA para conduzi...
13/05/2026

Esses dias vi um relato que me deixou inquieta: uma paciente desconfiava que sua psicóloga estava usando IA para conduzir o atendimento. Não para estudar, não para revisar conceitos — mas para responder em tempo real ao que ela dizia.

E isso me fez pensar.

Sim, a IA pode ser uma ferramenta útil para profissionais da saúde mental. Eu mesma consulto quando preciso relembrar uma nomenclatura, revisar um CID, checar um termo técnico ou buscar referências teóricas. Isso faz parte do estudo contínuo.

Mas usar IA para atender um paciente, digitando o que ele fala para saber o que responder… isso ultrapassa qualquer limite ético.

Isso não é ‘inovação’.
Isso não é ‘modernidade’.
Isso é falta de preparo, falta de responsabilidade e, principalmente, falta de respeito com quem está ali confiando sua história, sua dor e sua vulnerabilidade.

Se um profissional não se sente pronto para atender, a resposta não é terceirizar o atendimento para uma máquina. A resposta é estudar, supervisionar, se desenvolver — ou simplesmente não atender.

Tecnologia é ferramenta.
Cuidado é humano.
E ética não é opcional.

Existe um aspecto dos relacionamentos que quase ninguém gosta de encarar: a possibilidade de que, em algum momento da vi...
11/05/2026

Existe um aspecto dos relacionamentos que quase ninguém gosta de encarar: a possibilidade de que, em algum momento da vida, nós mesmos tenhamos sido a pessoa que feriu, que ultrapassou limites, que reproduziu padrões tóxicos sem perceber.

Crescemos aprendendo modelos de afeto que nem sempre são saudáveis. Absorvemos comportamentos, normalizamos dinâmicas, repetimos histórias que não escolhemos conscientemente. E, quando não há reflexão, acabamos machucando — mesmo sem intenção.

Eu já passei por isso. Já reproduzi padrões que hoje reconheço como tóxicos. Não por maldade, mas por ignorância emocional, por falta de consciência, por não ter ainda elaborado minhas próprias feridas.
Demorei muito tempo para enxergar. E mais tempo ainda para assumir.

Mas assumir não é sobre culpa. É sobre responsabilidade.
É sobre reconhecer que a mudança começa quando paramos de nos ver apenas como vítimas das circunstâncias e começamos a nos ver como agentes da nossa própria história.

Falar disso não é me diminuir.
É afirmar que ninguém está acima do processo de autoconhecimento — nem mesmo quem trabalha com saúde mental.
Pelo contrário: é justamente esse processo que me torna uma profissional mais consciente, mais ética e mais humana.

Porque só quem já se viu no espelho com honestidade sabe o quanto é transformador aprender a não repetir o que um dia feriu.

Hoje é Dia das Mães.E enquanto o mundo posta flores, filtros e frases prontas, eu quero falar com quem nunca se viu ness...
10/05/2026

Hoje é Dia das Mães.
E enquanto o mundo posta flores, filtros e frases prontas, eu quero falar com quem nunca se viu nesse conto de fadas.

Com a mãe que não escolheu — foi empurrada.
Com a que carrega o peso de uma decisão que não foi dela, mas que todos insistem em romantizar.

Com a mãe que acorda exausta, que tenta sobreviver ao próprio cansaço, que falha, que se culpa, que se esconde.

Com a mãe que não sente esse “amor incondicional” que todo mundo jura que é automático.
Com a que olha para o lado e vê um mundo exigindo perfeição de alguém que mal teve tempo de existir como pessoa.

A maternidade real não é altar.
Não é prêmio.
Não é redenção.

É trabalho emocional, físico e mental — muitas vezes solitário, invisível e injusto.

E tem uma verdade que incomoda muita gente: nem toda mãe queria ser mãe, e isso não a torna menos digna, menos humana ou menos merecedora de respeito.

Hoje, meu olhar vai para as mães que vivem o que ninguém posta.
Para as que seguram o tranco mesmo quando estão quebradas por dentro.
Para as que não são celebradas porque não cabem na fantasia coletiva.

Que este dia seja menos cobrança e mais coragem.
Menos julgamento e mais verdade.

Para todas as mães reais: vocês não devem nada ao mito da perfeição.

Fala-se muito sobre “honrar a mãe”, mas pouco se fala sobre quando a mãe não esteve, não pôde ou não soube estar.Na cons...
10/05/2026

Fala-se muito sobre “honrar a mãe”, mas pouco se fala sobre quando a mãe não esteve, não pôde ou não soube estar.

Na constelação familiar, a ausência da mãe não é só um vazio — é um impacto que ecoa no corpo, nas relações, na forma de existir no mundo.

Quando a mãe falta, falta também o chão.
Falta o colo que ensina segurança.
Falta o olhar que diz “você pode”.
Falta a referência do pertencimento.

E essa falta se manifesta de jeitos silenciosos:
– dificuldade de confiar
– medo de ser abandonado
– sensação de inadequação
– busca constante por aprovação
– dificuldade de se nutrir emocionalmente e fisicamente
– relações onde você sempre dá mais do que recebe

Não é sobre culpar a mãe.
É sobre reconhecer que a ausência dela — física, emocional ou simbólica — deixa marcas reais.

E reconhecer isso não é ingratidão.
É maturidade.
É coragem.

Porque só quando você olha para essa falta sem romantizar, sem negar e sem se culpar…
é que você começa a se devolver para si mesmo.

A constelação não pede que você ame o que doeu.
Pede que você veja.

E ver é o primeiro passo para se libertar do que não é seu carregar.

Quando procrastinamos, quase sempre estamos ganhando alguma coisa — proteção, alívio, invisibilidade, a sensação de mant...
08/05/2026

Quando procrastinamos, quase sempre estamos ganhando alguma coisa — proteção, alívio, invisibilidade, a sensação de manter tudo como está. Por isso a procrastinação funciona como uma auto‑sabotagem inteligente. Não porque somos fracos, mas porque nosso sistema interno tenta nos defender de algo que interpreta como ameaça: aparecer mais, assumir responsabilidades, lidar com expectativas, enfrentar julgamentos ou realizar um desejo que não é exatamente nosso.

O que realmente “ganhamos” quando procrastinamos?
Não é preguiça. É estratégia emocional.

Ganhamos alívio imediato.
Adiar tira a pressão do agora. É um respiro rápido, mesmo que depois venha a culpa.

Ganhamos proteção contra exposição.
Se eu não entrego, não sou avaliada. E se não sou avaliada, não corro risco de crítica, rejeição ou comparação.

Ganhamos a manutenção do papel atual.
Crescer pode signif**ar perder conforto, rotina, previsibilidade. Procrastinar mantém tudo igual.

Ganhamos a sensação de controle.
“Eu faço quando eu quiser.”
É uma forma de recuperar autonomia quando nos sentimos pressionados.

Ganhamos distância de desejos que não são nossos.
Às vezes a tarefa representa o sonho de outra pessoa. Procrastinar vira um jeito silencioso de dizer “isso não me representa”.

É auto-sabotagem?
Sim — mas não no sentido de destruição.
É proteção. É uma parte nossa dizendo: “ainda não estou pronta”.

E o que estamos evitando “ganhar”?
Às vezes, justamente aquilo que parece positivo: visibilidade, responsabilidade, promoção, expectativas alheias. Quando a meta não nasce de dentro, o corpo trava. A procrastinação vira protesto silencioso.

A verdade é que a procrastinação não é o problema.
Ela é o sintoma.

O problema real costuma ser medo de não ser suficiente, medo de ser demais, medo de desagradar, medo de perder algo ao ganhar outra coisa, ou o conflito entre o que eu quero e o que esperam de mim.

Quando entendemos isso, a procrastinação deixa de ser inimiga e vira um mapa.

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