Paulo Crespolini - Psicólogo

Paulo Crespolini - Psicólogo Boas-vindas! Aqui é uma clínica voltada, principalmente, para o tratamento dos relacionamentos afetivos e conjugais. Sejam bem-vindas e bem-vindos!
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Junto disso, o Paulo Crespolini também disponibiliza atendimento psicológico para adolescentes, adultos e famílias. Este espaço virtual existe para que possamos dialogar sobre variados adoecimentos psíquicos, com a liberdade respeitosa de quem se estaciona para ouvi-los, integrá-los e transformá-los.

LISPECTOR, Clarice. Inutilidade. In: NUNES, Aparecida Maria (org.). Correio Feminino. Rio de Janeiro: Rocco, 2013.
19/05/2026

LISPECTOR, Clarice. Inutilidade. In: NUNES, Aparecida Maria (org.). Correio Feminino. Rio de Janeiro: Rocco, 2013.

E lá me vinha ela, a ditosa da Dona Vida, com a bacia cheinha de roupas da lavação. Calcada no batedor do tanque, a forç...
17/05/2026

E lá me vinha ela, a ditosa da Dona Vida, com a bacia cheinha de roupas da lavação. Calcada no batedor do tanque, a força de seu muque fazia cada peça trombar com o cimento. Um barulho afetivo que, até hoje, reverbera nos ouvidos. Ou surradas pra desensebar ou esfregadas pra amaciar: encardidas é que não podiam f**ar. Desconhecida das engenhocas, a sujeira saía de fininho, sem dar um pio sobre o paradeiro da máquina de espremer tecidos. Acho que a coitada nem tinha chegado naquelas bandas. Molhada dos pés à cabeça, a Dona Vida me caçoava os problemas. Ria adoidado. Ali num tinha tempo ruim. O sabão de bola, filho de sua labuta, ensaboando as fibras. A água retirada da cisterna e subida com a manivela.
Eu espiava o dia ensolarado e o céu dos mais azuis. Ambos casados pra quarar. Ofício dos bons, cuja feitura de colocar ao sol não estava só em tirar as manchas difíceis. Adiante disso, estava em trazer a cor de volta. Restituidoras das origens! Eis a alma das lavadeiras! Jamais exigiam que uma muda de roupa fosse algo que não fosse. Era branco tornado branco, bege de bege, azul clarinho de novo. E só. Ser aquilo que dava conta. Ser o que se pôde ser. Ser o que se conseguiu ser. Era o suficiente. Mas, hoje, a insistência na brancura deseja remover todo tipo de mancha, a ponto de estorricar ao sol o tecido que já não tem como clarear mais.
Que amor impiedoso é esse que exige do outro o que ele está impossibilitado de conceder? Se quiser durar por anos precisará abraçar um bocado de nódoas e um tiquinho de respingos. A pedra azul, achada nas ribanceiras dos mercados, pode alvejar as manchas de gente-ruindade, tida por bondosa e a bondade atrofiada de gente que se acha ruim. Gente que se encardiu para sobreviver. Manchas de quem vive se lavando só para ser aceita por amores alvejados. Manchas assumidamente irreversíveis. Essas não precisam desencardir. Já outras, negadas, se não forem trazidas ao sol, permanecerão nas sombras, determinando o tecido fibroso do amor, onde o corado e o manchado são a sua tessitura.
PAULO CRESPOLINI
▪️Psicólogo - CRP 06/132391
☎️WhatsApp: (11) 97752-7000

09/05/2026
ABBEHUSEN, Edgard. Acredite na sua capacidade de superar. 1. ed. São Paulo: Planeta, 2021.
07/05/2026

ABBEHUSEN, Edgard. Acredite na sua capacidade de superar. 1. ed. São Paulo: Planeta, 2021.

Lá nas entranhas há uma vida a ser parida. E é ela quem pede pra gente: “termine de nascer”! As dores contraídas desde l...
03/05/2026

Lá nas entranhas há uma vida a ser parida. E é ela quem pede pra gente: “termine de nascer”! As dores contraídas desde lá convocam ao dar à luz desde cá. Aquele trocinho foi o parimento de um humano prematuro e inacabado. Dependente que só. O útero expulsou da sonolência. Não deixou a passividade vingar. “Vai f**ar a vida inteirinha aí dentro, fio?” Mas, antes do cordão umbilical ser cortado, veio outro útero e fez refém. Saiu do espeto, caiu na brasa. O inédito virou réplica. O genuíno tornou-se copiosamente submetido. Abdicou de si. Agora, vive igualzinho aos outros, obediente à maioria, sem tirar nem pôr. Segue a uma tranqueira de normas, sem ao menos questionar o porquê delas.
O útero, celeiro da vida, converte-se em cárcere cada vez que a gente resiste ‘terminar de nascer’. As decisões que, de tão adiadas, chegam a envelhecer a placenta… A teima de engatinhar quando é forçoso andar… A pirraça de resolver as coisas na brigaiada, como se a briga resolvesse alguma coisa… A paúra de cortar o cordão umbilical do passado, jamais datado. Embora encarcere, ao menos é conhecido. Eita segurança asfixiante! Haja fórceps quando urge: “des-uterinizar” ( 1 ) a esse feto eterno.
Vida vivida se gestada e parida. Dela f**a abortado quem teima num controle graúdo. Bem capaz que alguém consegue domar a vida. Logo ela, a Dona Vida! Mesmo com a sanha do controle: ninguém, absolutamente ninguém, domestica a vida. E quando a gente reconhece que o controle é coisa fuleira: nasce a culpa pedagógica! “Sentimo-nos culpados não porque fizemos algo errado, mas porque ainda não somos tudo o que a vida espera de nós. É o peso do que permanece “não-nascido” em nosso interior” ( 2 ). Essa culpa vem da terrível distância entre o que a gente foi, é e queria ter sido ( 3 ). Numa vida inacabada, onde a obra é terminar de nascer, ninguém nasce pronto. Há um processo de prontura. A mudança está prenha. E a gente só f**a pronto na morte. Até lá é chão, é parto.
PAULO CRESPOLINI
▪️Psicólogo - CRP 06/132391
☎️WhatsApp: (11) 97752-7000

PAULO CRESPOLINI▪️Psicólogo - CRP 06/132391☎️WhatsApp: (11) 97752-7000
23/04/2026

PAULO CRESPOLINI
▪️Psicólogo - CRP 06/132391
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Era ela mulher das águas, fisgada pelo rio: seu guia e proveito. Sustento! Ribeirinha de si tornou-se ‘arisca’ quando pr...
22/04/2026

Era ela mulher das águas, fisgada pelo rio: seu guia e proveito. Sustento! Ribeirinha de si tornou-se ‘arisca’ quando precisou escapar. Foi chamada de ‘jaguatirica’ quando teve de resistir. Pra não se deixar dominar pulou da rede, antes mesmo de virar causo de pescador. Nenhum anzol lhe fez refém. “Tinhosa essa menina!” A ninguém pescou. Fluída desde a nascente, atravessou a erosão da terra porque quis servir de encontro do rio com o mar, do doce com o salgado, do eu com o outro. Tal qual o rio, queria ela apenas desaguar. Certa feita pensou: “por que o amor, a ausência de amor, o fim do amor, a necessidade de amor resulta em tanta violência?” (1)
Deixou então aquele relógio desembestado da cidade e tratou de buscar respostas nas veias d’água. Rio represado é igual artéria obstruída: adoece que só. Pra amar é preciso ser correnteza. Comida na matula, água na moringa, rio adentro. Estradeira! Fez-se bioma: fruto na Amazônia, raiz no Cerrado, espinho na Caatinga, umidade na Mata Atlântica. O horizonte do Pantanal e o vento do Pampa foram nortes. Solimões, Negro, Tapajós e Xingu: seus irmãos amazonenses. Embora tão violentado, o Velho Chico conseguiu ser companheiro de suas andanças. Mas foi, no coração do Brasil, diante dos grandes rios Tocantins e Araguaia, que ela entendeu a artesania dos vínculos: afeto robusto se faz de pequenos riachos. Ali mesmo deixou o pequi com os goianos e o pão de queijo com os mineiros. Selou a paz mundial.
E a ribeirinha, filha das águas e da floresta, tornou-se casa brasileira. A vegetação não f**ava só lá fora. Ela morava dentro dela. Tudo isso na familiaridade caseira de Cora Coralina, em seu Goiás Velho; de Adélia Prado e Guimarães nas Minas Gerais; de Ar**no Suasuna na Paraíba Pernambucana; de Carolina Maria de Jesus, despejada pela pobreza nas margens do Rio Tietê e, por último, de Érico Veríssimo. O tempo e o vento, a liturgia da casa, foi onde a mulher das águas se encontrou com o homem do chão. A bichinha podia serenar. Viva o amor que está a léguas de distância da violência. Viva o Brasil! Viva a Dona Vida!
PAULO CRESPOLINI
▪️Psicólogo - CRP 06/132391
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