Priscilla Melão - Psicologia e Sexologia

Priscilla Melão - Psicologia e Sexologia Atua como psicóloga, psicoterapeuta junguiana de abordagem corporal e sexóloga. Facilitadora de jogos de autoconhecimento e palestrante. CRP 06/66395.🏳️‍🌈

METANOIA: A TRANSFORMAÇÃO DA MEIA-IDADENa transição para a segunda metade da vida, algo muda profundamente. E nem sempre...
20/05/2026

METANOIA: A TRANSFORMAÇÃO DA MEIA-IDADE

Na transição para a segunda metade da vida, algo muda profundamente. E nem sempre isso é apenas uma “crise”. Na Psicologia Analítica de Carl Jung, esse processo recebe o nome de *metanoia*.

Metanoia signif**a “mudança da mente” ou “transformação da maneira de pensar”. É um movimento psíquico essencial no processo de individuação — o caminho em direção à totalidade do ser.

Na primeira metade da vida, a energia psíquica costuma estar voltada para o mundo externo: carreira, reconhecimento, relações, construção da persona social. Mas, em determinado momento, essa energia começa a se voltar para o interior.

E é aí que muitos conflitos emergem.

Aspectos negligenciados da personalidade retornam à consciência. Desejos esquecidos, talentos reprimidos, emoções não vividas e até comportamentos considerados “infantis” podem reaparecer.

Nesse contexto, Jung descreve a manifestação do arquétipo do Puer Aeternus — o “Eterno Menino” — associado à dificuldade de lidar com limites, compromissos e amadurecimento emocional. Porém, sua emergência também pode representar uma tentativa da psique de recuperar criatividade, vitalidade e espontaneidade perdidas ao longo da vida adulta.

A chamada regressão psicológica, nesse sentido, nem sempre é patológica. Muitas vezes, ela funciona como um movimento compensatório da psique, buscando integrar partes esquecidas da própria identidade.

É também nesse período que a Sombra se torna mais evidente. Tudo aquilo que foi reprimido para atender expectativas sociais — desejos, emoções, sensibilidades e potenciais não vividos — pede reconhecimento.

A metanoia não é, necessariamente, sinal de fracasso ou imaturidade. Pode ser um chamado profundo da psique para uma vida mais autêntica.

Talvez a tarefa da segunda metade da vida não seja recuperar a juventude… mas recuperar a si mesmo.

📚 Referências:
• Jung, C. G. — O Homem e seus Símbolos
• Luton, Frith — The Puer Aeternus and the Trap of Freedom
• Vendrusculo et al. (2024) — Elementos Sombrios e Metanoia
• IJEP — A crise da meia-idade como chamado da alma

Você já viveu uma fase de profunda reavaliação da própria vida?

LUTO AMOROSOO fim de um relacionamento não é apenas o encerramento de um vínculo.É, muitas vezes, o colapso de um mundo ...
19/05/2026

LUTO AMOROSO
O fim de um relacionamento não é apenas o encerramento de um vínculo.
É, muitas vezes, o colapso de um mundo construído a dois.
Quando amamos, não amamos apenas o outro — amamos também aquilo que nos tornamos diante dele. Projetamos nesse encontro desejos, futuros possíveis, versões nossas ainda em construção. Por isso, uma separação não rompe somente a relação: ela pode abalar identidades, rotinas, planos e sentidos.
O luto amoroso é também um processo psíquico e corporal.
A neurociência mostra que a perda afetiva pode ativar no cérebro áreas relacionadas ao vínculo, ao desejo e até à dor física. Estudos de Helen Fisher sugerem que a rejeição amorosa pode produzir respostas semelhantes às de processos de abstinência: queda de dopamina e ocitocina, aumento do cortisol e sensações intensas de vazio, angústia e desorganização emocional.
Talvez por isso algumas pessoas sintam literalmente um aperto no peito, exaustão, apatia ou a impressão de que perderam uma parte de si.
E, de certo modo, perderam.
No luto, precisamos aprender a lidar com uma presença ausente — uma espécie de “fantasma psíquico” que continua habitando memórias, hábitos e expectativas. Não para ser apagado, mas lentamente reposicionado dentro da própria história.
Segundo Elisabeth Kübler-Ross, o luto pode atravessar estados emocionais como negação, raiva, barganha, tristeza e aceitação. Mas essas fases não acontecem de forma linear, nem igual para todos.
Há dias de clareza, dias de recaída emocional e dias em que a saudade parece voltar inteira. Isso não signif**a fracasso. Signif**a humanidade.
O amadurecimento do luto não está em esquecer. Está em integrar. Transformar a dor em experiência. Permitir que aquilo que feriu também participe, com o tempo, da construção de uma identidade mais profunda, mais consciente e mais real.
Porque algumas perdas não desaparecem. Elas se tornam parte da narrativa de quem nos tornamos.
REFERÊNCIAS:
FISHER, Helen E.; BROWN, Lucy L.; ARON, Arthur; STRONG, Greg; MASHEK, Debra. Reward, addiction, and emotion regulation systems associated with rejection in love. Journal of Neurophysiology, v. 104, 2010.
KÜBLER-ROSS, Elisabeth. Sobre a morte e o morrer.

LUTO AMOROSOO fim de um relacionamento não é apenas o encerramento de um vínculo.É, muitas vezes, o colapso de um mundo ...
19/05/2026

LUTO AMOROSO
O fim de um relacionamento não é apenas o encerramento de um vínculo.
É, muitas vezes, o colapso de um mundo construído a dois.
Quando amamos, não amamos apenas o outro — amamos também aquilo que nos tornamos diante dele. Projetamos nesse encontro desejos, futuros possíveis, versões nossas ainda em construção. Por isso, uma separação não rompe somente a relação: ela pode abalar identidades, rotinas, planos e sentidos.
O luto amoroso é também um processo psíquico e corporal.
A neurociência mostra que a perda afetiva pode ativar no cérebro áreas relacionadas ao vínculo, ao desejo e até à dor física. Estudos de Helen Fisher sugerem que a rejeição amorosa pode produzir respostas semelhantes às de processos de abstinência: queda de dopamina e ocitocina, aumento do cortisol e sensações intensas de vazio, angústia e desorganização emocional.
Talvez por isso algumas pessoas sintam literalmente um aperto no peito, exaustão, apatia ou a impressão de que perderam uma parte de si.
E, de certo modo, perderam.
No luto, precisamos aprender a lidar com uma presença ausente — uma espécie de “fantasma psíquico” que continua habitando memórias, hábitos e expectativas. Não para ser apagado, mas lentamente reposicionado dentro da própria história.
Segundo Elisabeth Kübler-Ross, o luto pode atravessar estados emocionais como negação, raiva, barganha, tristeza e aceitação. Mas essas fases não acontecem de forma linear, nem igual para todos.
Há dias de clareza, dias de recaída emocional e dias em que a saudade parece voltar inteira. Isso não signif**a fracasso. Signif**a humanidade.
O amadurecimento do luto não está em esquecer. Está em integrar. Transformar a dor em experiência. Permitir que aquilo que feriu também participe, com o tempo, da construção de uma identidade mais profunda, mais consciente e mais real.
Porque algumas perdas não desaparecem. Elas se tornam parte da narrativa de quem nos tornamos.
REFERÊNCIAS:
FABICHACK, Cibele. Amor, S**o, Endorfinas e Bobagens. São Paulo, 2010.
FISHER, Helen E. Reward, addiction, and emotion regulation systems associated with rejection in love. Journal of Neurophysiology, 2010.
KÜBLER-ROSS, Elisabeth. Sobre a morte e o morrer.

13/05/2026

AS VERDADES QUE NÃO QUEREMOS ENCARAR

Algumas verdades não são difíceis apenas porque doem.
São difíceis porque mudam algo dentro de nós.

Às vezes, uma parte nossa já percebeu há muito tempo o que está acontecendo, mas outra parte ainda não consegue sustentar emocionalmente aquilo que precisaria ser visto. É nesse espaço que mecanismos como a negação podem surgir, não como fraqueza, mas como tentativa de proteção psíquica.

Nem toda fuga da realidade é simples “cegueira”.
Muitas vezes, ela representa um intervalo emocional entre perceber e conseguir suportar.

A imaginação, os sonhos, as narrativas que criamos e os vínculos que nos acolhem podem funcionar como uma ponte entre aquilo que ainda não conseguimos encarar e a possibilidade de, aos poucos, nos aproximarmos da verdade sem nos destruir no processo.

Talvez amadurecer emocionalmente não seja enxergar tudo de uma vez.
Talvez seja desenvolver segurança suficiente para permanecer diante daquilo que antes parecia insuportável.

E, muitas vezes, o que torna isso possível é a experiência de não precisar atravessar certas verdades completamente sozinho(a).

✨ Qual verdade foi mais difícil de encarar na sua vida?
Se este conteúdo fez sentido para você, salve, compartilhe e envie para alguém que possa precisar dessa reflexão.

29/04/2026

O QUE É CALATONIA?
PSICOLOGIA ANALÍTICA DE ABORDAGEM CORPORAL

O corpo não esquece. Ele registra, expressa… e também pode ser caminho de elaboração.

A psicologia analítica de abordagem corporal integra os fundamentos de Carl Gustav Jung ao trabalho com o corpo, compreendendo corpo e psique como uma unidade indissociável.
Nem tudo o que vivemos pode ser dito, mas pode ser sentido.

Através de técnicas como a Calatonia, o toque sutil, a respiração consciente e o movimento expressivo, acessamos conteúdos que muitas vezes estão além da palavra: memórias, emoções bloqueadas e experiências pré-verbais.

A Calatonia, desenvolvida por Pethő Sándor, é um convite à escuta profunda através do corpo.
Toques leves, quase como o bater das asas de uma borboleta, que favorecem relaxamento, regulação e contato com o inconsciente.

Mais do que uma técnica, é uma forma de encontro com o corpo, com a própria história e com aquilo que ainda pede integração.

E hoje, deixo também minha homenagem a Sándor, que tanto contribuiu para essa escuta sensível do corpo na clínica e ontem estaria completando 110 anos de idade.

Se esse conteúdo fez sentido pra você, salve para revisitar depois.

💬 Você percebe seu corpo reagindo antes mesmo de conseguir explicar o que sente?

📩 Me chame no direct para saber mais sobre o processo terapêutico junguiano de abordagem corporal.

22/04/2026

EMOÇÃO E SENTIMENTO - Qual a diferença?

Emoção e sentimento não são a mesma coisa, e entender isso muda a forma como você se relaciona com o que sente.

Para Carl Jung, a emoção é uma reação automática: rápida, intensa e muitas vezes inconsciente. É o corpo respondendo; o aperto no peito, a raiva que surge, a ansiedade que aparece sem aviso.

Já o sentimento é o que vem depois. É quando você para, observa e atribui signif**ado ao que aconteceu. É uma função de valoração: você entende o porquê daquilo importar pra você.

Na prática:
Você sente ansiedade quando alguém não responde → emoção.
Você percebe “isso me deixa inseguro porque preciso de validação” → sentimento.

A emoção te atravessa. O sentimento te explica.

E é exatamente aí que começa a transformação: quando você sai do automático e entra na consciência.

Quando você aceita, nomeia e investiga o que sente, você deixa de ser guiado apenas por reações e passa a construir respostas mais conscientes.

💭 Escreva nos comentários: você costuma reagir ou refletir sobre o que sente?

📌 Salve este post pra lembrar disso nos momentos desafiadores
🔁 Compartilhe com alguém que precisa entender isso

15/04/2026

PAIXÃO E PROJEÇÃO

A paixão intensif**a, colore e, ao mesmo tempo, distorce.
Como propõe a psicanalista Ana Suy, apaixonar-se pode ser entendido como uma forma de “loucura socialmente aceita”; um estado em que a percepção da realidade se altera.
Na perspectiva de Carl Jung, isso se relaciona ao mecanismo de projeção: conteúdos psíquicos próprios, muitas vezes inconscientes, são atribuídos ao outro.
O que, no início, encanta, também pode, com o tempo, decepcionar.
Isso porque toda projeção tende a ser retirada.
E é justamente nesse ponto que muitas relações se rompem: quando o outro deixa de corresponder à imagem idealizada.
Mas existe outra possibilidade.
A retirada das projeções não precisa signif**ar o fim do amor. Pode ser o início de um vínculo mais real.
Um amor que reconhece o outro em sua alteridade, com limites, diferenças e imperfeições.
Menos idealizado.
Mais consciente.
E, talvez por isso, mais consistente.

Você já viveu a experiência de se decepcionar com alguém que antes parecia “perfeito”?
Acha que ainda é possível amar depois disso?
Me conte aqui, ou compartilhe com alguém que vai se identif**ar com esta reflexão.

08/04/2026

ANSIEDADE E SEXUALIDADE

A ansiedade não f**a só na mente. Ela atravessa o corpo — e também a forma como você vive a sua sexualidade.

Um corpo em alerta não consegue relaxar. E sem relaxamento… não há presença.
Sem presença… não há entrega.

Muitas vezes, o que aparece como uma “dificuldade sexual”, é, na verdade, um corpo tentando lidar com excesso de tensão, controle e expectativa.

As queixas que chegam como “problema sexual” muitas vezes dizem respeito à sexualidade — à forma como a pessoa se relaciona consigo mesma, com o outro e com o próprio desejo.

E talvez o ponto mais importante seja esse: talvez não haja nada de “errado” com você, e sim algo que precisa ser escutado com mais cuidado.

💬 Isso faz sentido para você?
Se quiser, me conte aqui nos comentários ou me chame no Direct.

Se você sente que esse tema atravessa sua vida, a psicoterapia pode ser um espaço importante para olhar para isso com profundidade e acolhimento.

Cuidar da saúde mental vai muito além do que sentimos — passa também por como vivemos no dia a dia.Alimentação, sono, hi...
07/04/2026

Cuidar da saúde mental vai muito além do que sentimos — passa também por como vivemos no dia a dia.

Alimentação, sono, hidratação, movimento do corpo… tudo isso impacta diretamente o nosso equilíbrio emocional. Não existe mente saudável em um corpo exausto, inflamado ou negligenciado.

A saúde mental não é isolada — ela é atravessada pelos nossos hábitos, pelas escolhas que repetimos todos os dias, muitas vezes sem perceber.

Pequenas mudanças sustentadas podem transformar não só o corpo, mas também a forma como você pensa, sente e se relaciona com a vida.

Cuidar de si não é excesso, é necessidade.

Se escute. Se respeite. Se priorize.

💬 E para você, quais desses cuidados tem sido mais difíceis de manter?

01/04/2026
25/03/2026

MITOLOGIA E DIVERSIDADE DE GÊNERO

A diversidade de gênero é mesmo algo moderno… ou isso é só o que nos ensinaram a acreditar?

A mitologia grega — uma das bases do pensamento ocidental — já narrava histórias de transformação, fluidez e identidades que escapam do binário.

Ceneu nasceu como mulher, pediu para não ter filhos e foi transformado em um homem invulnerável. Um herói. Um enigma.

Ífis viveu entre identidade e desejo, até que seu corpo também se transformasse.

Hermafrodito encarna, no próprio corpo, a união do masculino e do feminino.

E não para por aí.

Tirésias viveu como homem e como mulher.
Dionísio rompeu padrões e desafiou qualquer tentativa de fixar identidades.

Esses mitos não são sobre “rótulos modernos”.
Eles são sobre algo muito mais antigo — e talvez mais desconfortável:

A ideia de que a identidade nunca foi tão fixa quanto gostaríamos de acreditar.

Talvez o que chamamos de “novo”…
seja só aquilo que ainda não conseguimos integrar.

💬 Que outros mitos você conhece sobre este tema?

📲 Salve para rever — e compartilhe com alguém que ainda acha que isso é “coisa de hoje”.

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