Mayra Kruse Psicanálise Psicologia

Mayra Kruse Psicanálise Psicologia Psicóloga clínica com mais de dez anos de prática, atendendo pacientes com queixas de depressão, ansiedade e outras, pelo método da Psicanálise.

O parto, seja ele por qual via for, é um momento de passagem, de entrada namaternidade. É quando a mulher deixa de ser s...
18/10/2021

O parto, seja ele por qual via for, é um momento de passagem, de entrada na
maternidade. É quando a mulher deixa de ser só mulher, e passa a ser mãe. Aquele bebê até então imaginado e idealizado, passa a ser real, com pele, osso e coração.

Essa passagem é também um luto, tanto pela mulher que deixa de existir, quanto pelo bebê fantasiado, que na realidade não é nada daquilo que havíamos imaginado. Ninguém te prepara para esse momento. Todo mundo diz do amor, do quanto é lindo e mágico. Ninguém diz que o amor pode demorar um pouco a aparecer. Ninguém diz que você não reconhece mais o seu corpo, que não é mais de grávida, mas também não é o que você conhecia antes. Ninguém conta da estranheza que pode ser se deparar com um serzinho nos seus braços que você não faz nem ideia do que quer. Ninguém conta que o choro (seu choro) pode vir sem parada, ainda no hospital, e você nem sabe bem o porquê.

Preparação para o parto vai além de pensar em parto normal, natural, cesárea. Deveria envolver mais do que enxoval e fraldas. Preparação para o parto é entrar em contato com uma parte sua que você nem sabia que existia, é poder se despedir da mulher que você foi até então, e descobrir que dentro dela haviam tantas outras. É ter consciência que para muitas coisas, não há preparo, só há viver. E descobrir, e redescobrir.

É só quando de abre espaço para viver essa passagem, sentir o luto, encarar a perda, que é possível perceber o que se ganha. E assim, um dia depois do outro, o amor vem. Pelo bebê, e também pela nova você.

Esses dias falei nos stories sobre a importância de ensinar as crianças a lidar com tristeza e outros sentimentos consid...
03/09/2021

Esses dias falei nos stories sobre a importância de ensinar as crianças a lidar com tristeza e outros sentimentos considerados “ruins” como raiva e frustração. A maioria das mães respondeu que tenta poupar os filhos de sentir esses sentimentos.

Acho que é bastante compreensível essa tentativa, afinal, não queremos ver nossos filhos sofrendo, certo? Certo. Só que, fico pensando, será que é possível passar pela vida sem sofrimento? Não é que a vida seja só dor, longe disso. Porém uma certa dose de tristeza e frustração faz parte do caminho, já que temos que viver em sociedade e não dá pra tudo ser do jeito que a gente quer…

Como será que você, que hoje é adulta e mãe, aprendeu a lidar com as suas tristezas? Muitos de nós passamos a infância ouvindo “não precisa chorar”, “não foi nada”, “deixe de besteira”, “engole o choro” como respostas a nossas dores na infância. A dor e a tristeza são tratadas muitas vezes como coisas a serem superadas rapidamente, menores, ou a serem escondidas, guardadas só pra si. Isso faz com que a gente, de alguma maneira, entenda que são sentimentos que não se devem sentir. Sinal de fraqueza, vergonha, e assim, vamos aprendendo a não lidar. Não lidar com dor, não lidar com luto, não olhar pra isso. “Pense pelo lado bom…” É importante ser otimista, mas também é importante encarar que o que dói, dói mesmo, de verdade, e não tem nada de errado nisso.

Presenciar a dor dos nossos filhos, nos faz entrar em contato com a nossa própria dor, e com como fomos ensinados a lidar com ela. Se não lidamos, se não aprendemos, também não sabemos como ensinar. É importante se permitir sentir, para ensinar o outro a sentir também. Será que você está tentando proteger o seu filho da dor, ou a você mesma?

Não há dúvidas de quer ser mãe é uma tarefa desafiadora, em muitos sentidos. Criar, cuidar, educar um ser humano não é s...
31/08/2021

Não há dúvidas de quer ser mãe é uma tarefa desafiadora, em muitos sentidos. Criar, cuidar, educar um ser humano não é simples e nem fácil. Mas observando, trabalhando e convivendo com mães, observo que a maternidade é vivida muitas vezes como uma prisão, quando poderia ser tão libertadora.
Veja, não é uma prisão concreta, e muitas vezes isso nem é sentido de maneira consciente.
O que é que faz com que as mães fiquem presas em sua maternidade? Muitas vezes é a tentativa de controle, que vem revestida como preocupação. Se tenta controlar o que o filho come, quanto come, o que faz, se é bonzinho, se vai adoecer. Proteger das brigas, das frustrações, das discussões com amigos, de sentir qualquer tristeza.
A prisão pode se materializar ainda nas tentativas de garantir qualquer coisa. O melhor ensino, o melhor estímulo, os melhores brinquedos, livros, experiências, a proteção de todo e qualquer mal, livrai-nos de todos os traumas, amém.
O que se esquece muitas vezes é que a vida não nos dá qualquer garantia ou certeza de nada. Não importa o que se faça, o quanto se tente. Não há vida que não passe pelo trauma. Nascer, por si só, já é um evento traumático. E essa busca por controle e garantias só faz aprisionar mães, as deixando angustiadas e cada vez mais preocupadas. Isso sem falar nas consequências para as crianças, que crescem muitas vezes sem autonomia, com baixa tolerância à frustração, ou simplesmente achando que sentir tristeza não é permitido.

Qual é então o caminho da liberdade? Eles são muitos, a cada mãe pode descobrir o seu. Mas envolve de alguma maneira aceitar suas próprias limitações e impossibilidades. Aceitar a inevitabilidade das incertezas e frustrações, tanto suas quanto de sua criança. Envolve permitir que aquela criança se torne um sujeito, com suas particularidades, preferências individuais, raivas, frustrações e alegrias. Envolve permitir que eles construam seu próprio destino, e não atendam aos sonhos que outros sonharam para eles. Direcionar, orientar, acolher, mas saber apreciar quando voam sozinhos… e te deixam livres para voar sozinha também, assumindo os seus próprios desejos. Há maior libertação que isso?

Tem um milhão de pontos negativos nessa quarentena, mas um dos pontos positivos tem sido acompanhar em tempo real e cons...
25/08/2020

Tem um milhão de pontos negativos nessa quarentena, mas um dos pontos positivos tem sido acompanhar em tempo real e constante a evolução da relação desses dois enquanto irmãos.
É claro que as coisas oscilam a cada dia, e os atritos e brigas acontecem e vão continuar acontecendo, porque assim é a vida de quem convive uma vida toda.
Mas tem sido incrível observar (e eu tenho me esforçado para intervir o menos possível nessa relação) como tanto um lado quanto o outro tem conseguido buscar formas de chegar a resoluções de conflitos e maneiras de construir e de brincar juntos ao longo do tempo. Cada um do seu jeito, com as possibilidades que a idade e maturidade de cada um permite, ambos conseguem o seu jeito de lidar com o outro.
Muitas mães tem muita expectativa de que os filhos sejam amigos e companheiros, inclusive muitas justificam dar um irmão ao mais velho a partir dessa expectativa, e acabam se frustrando com as brigas, as disputas, e o cansaço que administrar toda essa relação gera.
O fato é que não temos como garantir que tipo de relação nossos filhos terão entre si no futuro, mas o que podemos fazer é permitir que uma relação se estabeleça. O respeito pelo outro, a compreensão sobre a necessidade e limites do outro, saber ceder, se comprometer e fazer junto depende de convivência e da liberdade para testar os próprios acordos.
Muitas vezes intervimos no primeiro sinal de discórdia, exigimos pedidos de desculpas, invadimos o espaço de um para agradar ou incluir o outro, e estamos, sem perceber, minando a possibilidade de que eles criem seus próprios acordos e modos de funcionar e conviver.
Baixar a própria expectativa, mais orientar do que intervir, mais entender do que direcionar, mais ouvir do que falar. É permitir que cada um seja o que é, para que eles possam criar o modo de ser juntos.

Ah, se pudéssemos gestar a mãe da mesma forma que se gesta a criança. Ah se a “mãe em formação” pudesse receber durante ...
19/08/2020

Ah, se pudéssemos gestar a mãe da mesma forma que se gesta a criança. Ah se a “mãe em formação” pudesse receber durante nove meses o mesmo conforto, alimento, calor e segurança que sente um bebê dentro do útero.
Há inúmeros cursos para aprender a cuidar do bebê, mas quase ninguém ensina a cuidar da mãe. Ensinam a cuidar da gestação, isso sim. Pode isso, aquilo não pode. Come isso, não bebe, não faz esforço! Não carrega peso menina, não passa nervoso, olha o bebê!
Te ensinam também quantos cueiros, macacões e fraldas você vai precisar, como medir a temperatura do banho, e te falam que não pode dormir de bruços, nem botar cobertor no neném.
Mas, como cuida de uma mãe recém-nascida? Como cuida dessa pessoa, tão vulnerável e delicada quanto o bebê nos seus braços? Como acolher o choro que vem sem explicação, o cansaço, às oscilações hormonais todas?
Uma mãe nasce junto com o bebê. Assim como ele, ela não sabe, ainda, nada sobre isso, isso de ser mãe. Enquanto o bebê aprende a mamar, ela aprende a dar de mamar. Enquanto o bebê aprende a ver o mundo, ela aprende a ouvir, a ver, a entender.
É preciso tempo. Cuidado. E amor. É preciso gestar a mãe. A exterogestação serve tanto para o bebê se adaptar ao mundo aqui fora, quanto pra mãe se adaptar ao mundo de dentro. Que bom seria, se todos cuidássemos mais das novas mães.

Eu comecei esse instagram durante meu puerpério, dois anos atrás,  na Semana Mundial de Aleitamento Materno. Um post tím...
03/08/2020

Eu comecei esse instagram durante meu puerpério, dois anos atrás, na Semana Mundial de Aleitamento Materno. Um post tímido, curto, que foi uma forma de começar a dizer algo que eu achava tão importante dizer. A foto do post de hoje é de uma das últimas vezes que amamentei, há quase um ano.
Amamentar é tantas coisas em uma só. É nutrição, é vínculo, é conexão e amor. Mas não é, de maneira nenhuma, a única forma de fazer nenhuma dessas coisas.
Amamentar é natural pra umas, delicioso pra outras, e muito difícil para uma enorme quantidade de mulheres que nunca foi orientada de maneira clara e correta sobre algo tão importante. Também pode ser um tormento, um aprisionamento, bem como uma libertação.
A amamentação é, como as mulheres, plural e única, ao mesmo tempo.
É importantíssimo que haja mais orientação, cuidado e acolhimento com as mães que amamentam, para que consigam amamentar mais e com mais prazer. É preciso o mesmo para as mulheres que não podem, ou não querem amamentar.
É essencial que haja maia informação, para que o direito coletivo esteja garantido, para que assim, a necessidade individual possa vir à tona, com libertado e respeito a todas as histórias.
Me conta a sua história com amamentação?

Quando tudo vai voltar ao normal? Você ainda está se perguntando isso? Ou já passou dessa fase? Ou será que está falando...
30/06/2020

Quando tudo vai voltar ao normal?
Você ainda está se perguntando isso? Ou já passou dessa fase? Ou será que está falando no “novo normal”...
Eu estava falando da pandemia, mas essa mesma pergunta você já pode ter feito a você mesma durante o seu puerpério, em algum momento da vida dos seus filhos ou em outros tantos da sua vida. O ponto é que passamos por mudanças de vida o tempo todo, e em maior ou menor grau, lutamos ou torcemos para que as coisas voltem a ser como era antes.
O antes é fácil, é conhecido, é confortável, justamente por ser familiar. Já se sabe o que esperar, o que fazer e como agir. Quando a configuração muda precisamos nos readaptar e entender como agir nesse novo modelo.
Ficar esperando a “volta ao normal” nos impede, muitas vezes, de reagir a esse novo contexto e também de criar novas formas de percepção e de nos relacionar com o mundo e com as pessoas à nossa volta.
Já ouvi de muitas mulheres no puerpério, e além dele, essa queixa, essa espera de que voltem a se sentir como eram antes, que voltem a ser elas mesmas. Só que essa volta simplesmente não existe. Quem já ouviu a expressão que diz que “ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio”? A vida é impermanente como um rio, não podemos voltar a sermos o que éramos, pois esse momento já passou e já não somos mais as mesmas.
Assim como não a vida não vai voltar ao normal após a pandemia. Não é possível ser uma pessoa que nunca viveu essa situação, pois ela deixa marcas em você. As pessoas estão revendo formas de relacionamento, de trabalho, de transporte, de vida. Os governos deveriam estar fazendo isso pelas pessoas que não tem condições de fazê-lo por si sós. O rio passou e agora é outro, e nós também somos.
Isso não é ruim. Isso não é um problema, é apenas o que é. Então, como é que você vai viver esse novo momento. Está conseguindo vislumbrar? Talvez não seja possível fazer isso sozinha. Se precisar de ajuda, peça, estou aqui!

“Como você dá conta?” É aquela pergunta que toda mãe já ouviu, ou já fez para uma outra mãe, que parecia estar lidando c...
23/06/2020

“Como você dá conta?” É aquela pergunta que toda mãe já ouviu, ou já fez para uma outra mãe, que parecia estar lidando com a vida de uma maneira mil vezes melhor do que ela próprio.
Dar conta é daqueles conceitos extremamente abstratos, absolutamente individualizados que definem o padrão de ser suficiente para cada um.
No imaginário coletivo a mãe que dá conta tem os filhos asseados e bem comportados, a casa limpa e organizada, não se atrasa para compromissos e tem em pleno funcionamento harmônico todos os aspectos da sua vida.
Eu não conheço sequer um ser humano que atenda a esses requisitos. Na verdade essa mãe que dá conta está muito mais na nossa cabeça do que no mundo real. Cada uma tem dentro de si um ideal não cumprido que é visto como perfeitamente possível quando olhamos para o lado, por cima do muro da vizinha.
A vizinha sempre parece mais organizada, mais calma, mais feliz, mais realizada do que nós mesmas. E apesar de não fazermos nenhuma ideia do que se passa na casa da vizinha, desejamos ser como ela.
Acho que vale voltar para a pergunta inicial, e tentar entender em si mesma o que é que você quer dizer com esse “como você dá conta?”. Do que é que você está falando, quando faz essa pergunta (mesmo que só a faça em pensamento). Dá conta do quê? Quando você olha pro outro, o que você sente que falta em você mesma? O que é que te falta? Paciência, tolerância, compaixão com você mesma e com suas falhas totalmente humanas? Te falta ser mais amiga, mais brincalhona, mais relaxada? Ser mais organizada, mais rígida, agradecida, leve? “Como é que você dá conta” de não pirar, de não surtar, de ter essa cara, essa casa, essa vida?
Como é que você dá conta, é vago demais, e por isso angustia tanto. Qual é a conta que não está fechando aí, do que é que você se cobra tanto, é isso que te pergunto. Tem que dar conta, por quê?

Se fala muito da exaustão e das noites sem dormir do puerpério, e pouco do incomparável cheiro de nuca de recém-nascido,...
04/06/2020

Se fala muito da exaustão e das noites sem dormir do puerpério, e pouco do incomparável cheiro de nuca de recém-nascido, um dos melhores do mundo.
Nos queixamos muito da sobrecarga, da responsabilidade, mas falamos pouco da alegria que é ver um bebê descobrindo o próprio pé.
Lembramos sempre do quanto é difícil a solidão materna, mas esquecemos do quanto é bom ter um filho aninhado no colo, onde ele sente que nada no mundo o poderá machucar.
Ser mãe não é paraíso, não é fácil, tá longe de ser um caminho só de flores. Porém, as alegrias e a felicidade que se tem todos os dias são capazes de fazer muitas dessas agruras valerem a pena.
Longe de mim querer romantizar uma maternidade já tão romantizada e cheia de mitos. Mas é preciso, em muitos momentos, lembrar da cena maior aqui, do que está realmente em jogo.
Tem que se ir além do se realizar na maternidade e somente nela, os desejos de uma mulher vão muito além disso. Porém olhar para os pequenos passinhos que damos junto a eles, para o mundo que lhes apresentamos e ver com os olhos deles o tamanho de cada pequena conquista, é justamente o que nos faz ter forças para continuar.
Porque a vida pode sim ser leve, apesar de todo o peso. Porque o caminho pode sim ser bonito, apesar da chuva. Porque tem coisas que a gente nunca vai se arrepender de ter vivido, visto, e sentido, apesar de todo o resto.
Não é padecer, e nem é paraíso. É muito mais complexo e lindo do que tudo isso. Cheiro de cabeça de filho. Risada de neném. Primeiros passos, primeiros saltos. Primeiras palavras, primeiras piadas. São as flores dessa longa e densa jornada que é o maternar. Vai valer a pena, pode confiar.

Perto de completar dois meses de isolamento, já passamos por várias fases por aqui. Minhas, e dos pequenos também. Começ...
12/05/2020

Perto de completar dois meses de isolamento, já passamos por várias fases por aqui. Minhas, e dos pequenos também.
Começamos com uma rotina mais bem estruturada, com propostas mais claras de atividades e horários mais regulares para dividir melhor o dia.
Essa rotina foi aos poucos se diluindo conforme os dias iam passando, as demandas se acumulando e o cansaço também. Passamos por momentos de quase nenhuma regra, onde o regular só manteve os horários das refeições e a hora de dormir (que aqui em casa é sagrada!).
Também teve momentos de mais paciência e colaboração, e outros tantos de muita irritação, falta de paciência e muita raiva. Tanto neles, quanto em mim. Houveram momentos de esperança e otimismo, de alegrias e agradecimento, e outros de desânimo, angústia e desespero, dentro de mim.
Mais uma semana começa, e ainda temos muito poucas perspectivas de como sairemos do outro lado, se é que sairemos em algum lugar. Porém, tenho percebido um aumento de irritação, frustração e ataques de raiva no meu filho mais velho, de quase 5 anos. Ele está perto do seu limite.
É a hora de uma nova mudança, e entendo que preciso retomar a rotina mais estruturada e os limites mais claros. A criança pequena funciona muito como um termômetro da família, quase como um indicador de equilíbrio. Os sintomas que se manifestam neles, na maioria das vezes, refletem o ambiente, e por eles não conseguirem dizer o que sentem, reagem. Brigam, gritam, choram. Se deprimem, desanimam, perdem a energia. Mais do que resolver o problema deles, é preciso olhar para o entorno, para si, e regular o que está desregulando.
É fácil? Não, não é, especialmente nesse momento. Mas é preciso tentar. Pelo bem deles, nosso, e de todos. Vamos juntas?

Mãe. Mãe é quem gesta? Mãe é quem cuida? É quem ama, cria, protege, incondicionalmente? A mãe é aquela que abre mão de t...
10/05/2020

Mãe. Mãe é quem gesta? Mãe é quem cuida? É quem ama, cria, protege, incondicionalmente? A mãe é aquela que abre mão de tudo e até de si mesma pelos filhos, ou é aquela que cuida de si antes, pra poder dar o que precisa a eles?
Mãe é sempre igual, mas sempre diferente. Cada mãe é uma, única e singular, mas reúne em si um pouco de todas as mães.
Mãe não tem definição, não se faz em um dia, em nove meses, em um processo de adoção. Mãe não se completa com filho, mas se sente tão vazia sem eles.
Mãe, no singular e no presente. Mãe, no passado e no futuro. Uma vez mãe, pra sempre mãe. Razão de algo ou o que dá origem a alguma coisa.
Mãe, simplesmente é.
Feliz Dia das Mães!

Diariamente eu escuto pacientes, mães ou não, falarem sobre suas mães. Mães “melhores” ou “piores”, tóxicas, narcisistas...
30/04/2020

Diariamente eu escuto pacientes, mães ou não, falarem sobre suas mães.
Mães “melhores” ou “piores”, tóxicas, narcisistas, maravilhosas ou idealizadas, e também simplesmente mães, humanas, cheias de falhas e também cheias de acertos, como todos os seres humanos.
As mães inevitavelmente refletem em nós e dizem muito de como seremos. A relação com a nossa própria mãe é a que precede todas as outras, e deixa marcas que vamos repetir em todas essas, que vem depois.
Mas é quando nos tornamos também mães, que passamos a ver muito mais de nossas mães em nós mesmas, nos nossos comportamentos, sentimentos e fantasias.
Temos medo de ser como elas, e de não ser como elas. Temos medo de repetir seus erros, e de não repetir os seus acertos. Nos espantamos ao ver sair da nossa boca as frases que elas diziam, e também com como isso ressoa em nós. É ao mesmo tempo compreendê-la do lugar de mãe, mas se reconhecer ali como a filha, e nem sempre querer reproduzir esse lugar.
Acredito que o isolamento que vivemos potencializa ainda mais todos esses sentimentos. A convivência intensa, a falta de espaço para si mesma, a dificuldade do silêncio e da ausência, nos faz ver ainda mais os lados que tentamos calar, mudar, ou fazer diferente.
Mas é justamente encarar esse reflexo de frente e poder questionar essa repetição que nos faz poder fazer diferente. É apenas reconhecendo a nossa mãe em nós, e compreendendo essa posição, que podemos decidir ou não fazer diferente.
Repetir sem qualquer recordação ou questionamento a partir dessas lembranças, simplesmente tratando como “normal”, como o que uma mãe deve mesmo fazer, “porque sim”, acaba por minar as possibilidades de uma elaboração e compreensão de sentimentos e angústias que talvez não poderiam ser acessadas de outra forma.
É importante observar as repetições e não se esquivar delas. Encarar o sentimento e o desconforto de frente, para tirar daí algo de novo, e próprio de si. Uma construção, e não uma mera repetição de atos, sem nem ao menos saber se faz sentido pra voce, ou não.
Então, aproveite para encarar de frente aquela velha máxima de “eu virei a minha mãe”. O que será que essa repetição está tentando te dizer?

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