09/09/2026
Duas fertilizações in vitro sem sucesso. Um casal do interior de São Paulo. E uma indicação que quase levou essa paciente para ovodoação sem necessidade.
Ela tinha 38 anos, produzia entre 15 e 20 óvulos por ciclo e um bom desenvolvimento embrionário até o terceiro dia. Do terceiro para o quinto dia, a formação de blastocistos era muito baixa. A conclusão de quem a atendeu antes: óvulos de baixa qualidade, indicação de ovodoação.
Sentei com o casal e refiz a história clínica dela. Peso adequado, boa qualidade de vida, propedêutica completa, sem endometriose. Nada que explicasse aquele resultado.
Faltava avaliar o marido. Tabagista, com sobrepeso importante e, nos exames, um diabetes completamente descontrolado. O teste de fragmentação do DNA espermático veio muito alterado.
O problema nunca foi dela.
Chamamos o urologista da clínica e um endocrinologista para tratar o quadro dele. Em 3 a 6 meses a qualidade seminal melhorou. Como ela tinha boa reserva ovariana, esperar não mudou nada no resultado dela (se a reserva fosse baixa, o caminho seria outro: congelar os óvulos enquanto ele era tratado).
Fizeram a fertilização in vitro, formaram bons blastocistos e hoje têm o filho deles lá no interior.
Mais de 40% dos casos de infertilidade têm relação com o fator masculino. Avaliar só a mulher, quando o casal não engravida, é avaliar pela metade. Cada caso tem sua própria causa e seu próprio caminho, mas a investigação completa dos dois é o que muda o diagnóstico.
Aqui na clínica, reprodução humana, urologia e endocrinologia trabalham juntas quando é preciso. Foi assim que se resolveu uma indicação que, sem essa avaliação, teria levado ao caminho errado.
Já passou por uma situação parecida ou tem dúvida sobre avaliação masculina na fertilidade? Escreve aqui embaixo.