02/01/2026
Ensinamento
por Adélia Prado
"Minha mãe achava estudo a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia, no pátio, com os pés sujos de terra,
eu era uma criança debaixo de um pé de carambola.
Minha mãe me chamou para dentro:
'Vem, que seu pai morreu'.
A vida inteira ela disse isso com a mesma voz.
Fina, sem medo.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Não é o estudo.
É o modo como a gente olha para o outro,
com uma espécie de carinho que não tem nome,
uma vontade de que o outro não sofra,
mesmo sabendo que vai sofrer."
Sentir-se sozinha diante do sofrimento de uma mãe é viver uma das solidões mais silenciosas que existem. É como estar em uma sala cheia de gente, mas com os olhos fixos em uma ferida que só você parece ver na profundidade real.
Crescemos sob o arquétipo da mãe como o porto seguro, a fortaleza inabalável. Quando o sofrimento dela — seja ele físico, emocional ou existencial — se torna evidente, ocorre uma quebra de paradigma. De repente, o colo que nos acolhia precisa de amparo.
Existe uma dor específica em testemunhar o que não se pode curar. Você assiste ao declínio, à tristeza ou à angústia dela e percebe que, por mais que você a ame, o seu amor não é um remédio mágico, mas ainda assim em muitos momentos é a única coisa que você pode oferecer.
Os festejos de final e início de ano, novamente não foram como gostaríamos e sim como podia ser, afinal eu digo e repito; não controlamos nada... e em todos estes momentos, mesmo que difíceis, teve amor. Afinal já dizia Nise da Silveira; só o afeto cura! E eu sigo acreditando...💛🌻🙏🏽
O que desejo para 2026?
Que você tenhamos afeto e que ele inicie por nós mesmos! ✨