24/08/2026
Enquanto eu tentava descobrir para onde estava indo, comecei a praticar uma coisa muito simples:
Agradecer.
Não porque tudo estivesse bem.
Na verdade, muitas vezes não estava.
Mas comecei a perceber que a gratidão não precisa ser consequência de uma vida perfeita.
Pode ser uma forma diferente de olhar para a vida que já temos.
E passei a registrar, todos os dias, alguma coisa pela qual era grata.
Pequenas coisas.
Pessoas.
Encontros.
Lugares.
Aprendizados.
Portas abertas.
Portas fechadas.
Até coisas que, naquele momento, eu ainda não entendia.
E, pouco a pouco, alguma coisa mudou.
Não ao meu redor.
Em mim.
Aprendi que gratidão não significa ignorar a dor.
Não significa fingir que está tudo bem.
Não significa deixar de desejar mudanças.
Significa conseguir reconhecer que, mesmo no meio de uma fase que ainda não compreendemos, existem coisas que merecem ser vistas.
E talvez tenha sido justamente esse exercício que me ajudou a enxergar o que estava diante de mim havia tanto tempo.
O fio do cuidado.
A pessoa antes do cargo.
A pessoa antes do diagnóstico.
A pessoa antes da limitação.
A história antes da idade.
Então percebi que tudo aquilo que vivi profissionalmente estava conectado:
A massagem me ensinou presença.
A fisioterapia me ensinou movimento e reabilitação.
A ergonomia me ensinou a olhar para a pessoa dentro do seu contexto.
A saúde ocupacional me ensinou sobre prevenção.
Os atendimentos e avaliações me ensinaram escuta.
E a vida me ensinou que ninguém é apenas aquilo que aparece no currículo.
Minha caminhada com pessoas idosas foi me mostrando algo que hoje parece tão simples:
cuidar é ajudar alguém a continuar sendo quem é.
Talvez por isso eu já não diga que estou abandonando a ergonomia.
Nem começando do zero.
Estou levando tudo comigo.
O conhecimento.
A experiência.
As perguntas.
Os erros.
Os acertos.
As pessoas que encontrei pelo caminho.
E até os caminhos que não deram certo.
Tudo isso chegou comigo até aqui.
E foi desse encontro que nasceu uma ideia.
Uma ideia que, durante muito tempo, existiu apenas dentro de mim.
Mas agora, ela ganhou nome:
🌿 Onore e Amore
Prendersi cura dei nonni.