09/08/2026
A mulher que sou hoje deve muito ao meu pai.
Foi ele quem primeiro me ensinou a sonhar e também a me defender. Quando eu era pequena, ele me ensinava golpes de defesa para que eu não tivesse medo dos meninos da escola, literalmente ele me treinou sobre a vida, rs...
Dizia que eu era a mais bonita, inteligente e capaz. Talvez exagerasse um pouco… mas hoje entendo: ele estava construindo em mim a certeza de que eu poderia enfrentar o mundo.
Meu pai me comprava muitos livros, ouvia músicas profundas comigo e me ensinava a pensar sobre a vida. Ele não queria que eu ficasse em casa, que fosse submissa a nenhum homem… Me ensinou a trabalhar, a ter o meu dinheiro e a minha liberdade. Era um idealista, inconformado com as injustiças, generoso e brilhante.
Não era perfeito. Eu também carreguei mágoas dele. A maturidade, porém, me ensinou a enxergá-lo para além do lugar de “pai”: vi um homem com sua própria história, suas faltas, suas feridas e sua maneira, também imperfeita, de amar.
A Psicanálise nos ensina o quanto carregamos dentro de nós aqueles que amamos. Talvez por isso eu ainda encontre meu pai em tantas partes de mim: na coragem, nos livros, na inquietação diante das injustiças, na sensibilidade e nessa insistência quase teimosa em continuar sonhando.
Fui a última pessoa a vê-lo vivo. Naquele quarto, éramos apenas nós dois, pai e filha... Eu só tinha 17 anos… Durante anos achei que carregava um fardo. Hoje compreendo como um presente de Allah: coube a mim acompanhá-lo nos seus últimos minutos.
Nunca conheci um homem à altura do meu pai. Freud certamente teria algo a dizer sobre isso… eu também. ❤️
E se eu tiver a chance de outra vida, só pediria para ser sua filha outra vez.
Feliz Dia dos Pais, meu baba. Você partiu, mas continua vivo em mim. Te amo 🖤 ❤️