Marcela Salim Kotait - Nutrição

Marcela Salim Kotait - Nutrição Página da Nutricionista Marcela Salim Kotait, coordenadora da equipe de Nutrição do ambulatório de Anorexia Nervosa do AMBULIM HC FMUSP.

Quando foi que passamos a acreditar que comida de verdade precisava ser substituída?Frutas viraram snacks industrializad...
03/06/2026

Quando foi que passamos a acreditar que comida de verdade precisava ser substituída?

Frutas viraram snacks industrializados. Iogurte virou sobremesa com dezenas de ingredientes. Pão virou produto de laboratório. Até a água ganhou concorrentes coloridos, adoçados e aromatizados.

Não se trata de nostalgia nem de demonizar alimentos. Mas vale a reflexão: por que estamos trocando alimentos que reconhecemos por produtos que mal conseguimos identificar pelos ingredientes?

A praticidade tem seu valor, claro! Sabemos como a rotina é corrida (viva a escala 5x2!). Mas talvez a pergunta mais importante seja: o que estamos ganhando e o que estamos perdendo nessa troca?

Às vezes, cuidar da saúde começa com uma pergunta simples: por que estou escolhendo um produto ultraprocessado quando o alimento in natura ou minimamente processado continua disponível?

02/06/2026
No consultório, eu vejo com frequência mulheres que passaram anos tentando "corrigir" partes de si mesmas para se sentir...
26/05/2026

No consultório, eu vejo com frequência mulheres que passaram anos tentando "corrigir" partes de si mesmas para se sentirem aceitas.

O corpo. A fome. O prazer de comer. O tamanho. A forma. O jeito. O comportamento.

Nisso se esconde uma violência silenciosa em viver ouvindo que tudo em na mulher precisa ser controlado, reduzido, melhorado ou escondido para merecer valor.

E talvez por isso tantas de nós estejam cansadas.
Porque viver em guerra com o próprio corpo esgota.

Às vezes, o processo não começa aprendendo a se amar. Começa percebendo o quanto tentaram te convencer de que havia algo errado em você desde o início.

E questionar isso já muda muita coisa.

Ser mãe tem me faz pensar ainda mais sobre cuidado.No consultório, vejo diariamente mulheres acostumadas a olhar para to...
10/05/2026

Ser mãe tem me faz pensar ainda mais sobre cuidado.

No consultório, vejo diariamente mulheres acostumadas a olhar para todos antes de olhar para si mesmas. E a maternidade parece ampliar isso de muitas formas.

Talvez por isso, nesse Dia das Mães, eu deseje menos pressão para dar conta de tudo e mais acolhimento para as mães reais, cansadas, possíveis e humanas ❤️

1º de abril, dia da mentira. Mas a nutrição vive um eterno festival de fake news. São 365 dias por ano de muita desinfor...
01/04/2026

1º de abril, dia da mentira. Mas a nutrição vive um eterno festival de fake news. São 365 dias por ano de muita desinformação.

Entre todas as mentiras, é curioso como quase tudo tem uma coisa em comum: simplifica o que é complexo, ignora o contexto e, de quebra, ainda te afasta da sua própria percepção.

Não é sobre falta de força de vontade. Não é sobre um alimento isolado. E definitivamente não é sobre seguir mais uma regra aleatória.

Talvez a maior mentira seja essa: a de que saúde cabe em frases prontas e universais.

E você? Qual mentira já escutou sobre nutrição, alimentação e corpo?

Desde que me tornei mãe há alguns anos, tenho pensado bastante em como os primeiros anos de vida organizam muita coisa q...
22/03/2026

Desde que me tornei mãe há alguns anos, tenho pensado bastante em como os primeiros anos de vida organizam muita coisa que a gente só vai ver lá na frente, inclusive na forma como as pessoas se relacionam com a comida, com o corpo e com o cuidado.

“Os 1000 dias do bebê”, do Dr. Daniel Becker e da Rita Lisauskas , passa por esse período que vai da gestação aos primeiros anos de vida com um olhar consistente e pé no chão, sem simplificar demais e sem dramatizar. Algo raro hoje em dia.

O Dr. Daniel tem uma trajetória que dispensa muita apresentação, e dá pra ver isso na forma como ele sustenta o que é prioridade na obra.

E a querida Rita, cujo trabalho acompanho há bastante tempo, inclusive quando escrevia sobre temas relacionados à alimentação infantil e à maternidade, sempre muito próxima do que acontece na vida real. Isso aparece no texto e deixa a leitura mais honesta, mais possível.

Pra mim, que trabalho com comportamento alimentar, ler sobre os primeiros 1000 dias é sempre voltar pra base. É ali que muita coisa começa a se organizar, inclusive o que depois chega no consultório.

É um livro que eu indico com tranquilidade, tanto pra quem atende quanto pra quem está vivendo esse começo.

Desejo sucesso e que muitas e muitas pessoas tenham a oportunidade de ler.

O Dia das Mulheres também precisa ser um dia para falar sobre algo que ainda recebe pouca atenção: a relação entre machi...
08/03/2026

O Dia das Mulheres também precisa ser um dia para falar sobre algo que ainda recebe pouca atenção: a relação entre machismo, cultura da magreza e transtornos alimentares.

Meninas crescem ouvindo comentários sobre peso, aparência e comida muito antes de entenderem o que é nutrição ou saúde. Aprendem cedo que o corpo feminino é constantemente avaliado e que controlar o próprio corpo pode ser interpretado como disciplina, sucesso ou até qualidade.

Esse cenário ajuda a explicar por que transtornos alimentares afetam majoritariamente mulheres.
Não se trata apenas de escolhas individuais. Existe uma cultura que reforça comparação constante, idealização de corpos e vigilância alimentar.

Ao longo da minha prática clínica, vejo diariamente o quanto essa pressão social atravessa a relação das pessoas com a comida, com o corpo e com a própria autoestima.

Falar sobre alimentação sem falar sobre essas estruturas sociais é tratar apenas parte do problema.

Promover saúde e comemorar a data de hoje também passa por questionar padrões que adoecem!!!!

O lançamento do livro Nutrição Sem Estereótipos, do Conselho Regional de Nutrição da 3ª Região, consolida um projeto que...
13/02/2026

O lançamento do livro Nutrição Sem Estereótipos, do Conselho Regional de Nutrição da 3ª Região, consolida um projeto que vem sendo construído ao longo do último ano, com debates, conteúdos técnicos e ações voltadas à reflexão crítica sobre mídia, corpo e saúde.
Minha participação nesse movimento começou antes da publicação do livro.

Contribuí com um texto para o site do Conselho sobre a influência dos padrões de beleza nos transtornos alimentares e também participei da live oficial de lançamento do projeto, ampliando essa discussão junto a colegas de diferentes áreas.

Agora, assino um dos capítulos da obra, no qual aprofundo a análise sobre como as mídias sociais moldam percepções de corpo, normalizam padrões inatingíveis e intensificam comportamentos de risco relacionados à alimentação. O ambiente digital influencia expectativas, comparações e a forma como as pessoas passam a se relacionar com o próprio corpo.

Há 18 anos atuando com foco na reconstrução da relação com a comida e no cuidado de transtornos alimentares, acompanho de perto o impacto dessas narrativas na prática clínica. Combater estereótipos é parte do compromisso ético com uma Nutrição baseada em ciência, responsabilidade e respeito à diversidade corporal.

Agradeço aos organizadores da obra, Rosana Maria Nogueira, Rodrigo Daniel Sanches, Osvaldinete Lopes de Oliveira Silva, Marli Brasioli e Welliton Donizeti Pupolin, e a todos os conselheiros, membros das comissões e colaboradores do Conselho Regional de Nutrição da 3ª Região que tornaram esse projeto possível.

O livro terá distribuição gratuita. O link para acesso está nos stories.

.rosananogueira .osvaldinete

Não existe, na minha opinião, nada que se compare. O mais mais! O melhor! E o resto é perder tempo.
10/01/2026

Não existe, na minha opinião, nada que se compare. O mais mais! O melhor! E o resto é perder tempo.

Coma sem culpa!Não como um convite ao excesso, mas como uma maneira de comer de maneira incondicional. Entramos em mais ...
30/12/2025

Coma sem culpa!

Não como um convite ao excesso, mas como uma maneira de comer de maneira incondicional.

Entramos em mais um ano em que o comer segue sendo moralizado, agora embalado por promessas rápidas, canetas emagrecedoras e a ilusão de que controlar o corpo é sinônimo de saúde. Nesse cenário, a culpa volta a ser usada como ferramenta de adesão, silêncio e obediência.

A culpa não melhora a relação com a comida.
Não previne transtornos alimentares.
Não sustenta mudanças de longo prazo.
E definitivamente não promove saúde.

Em datas simbólicas como o Ano Novo, reforçar o “coma sem culpa” é um lembrete importante: comida não é prêmio nem castigo. É parte da vida, da cultura, do afeto e do cuidado.

Que em 2026 possamos falar mais sobre autonomia, consciência e saúde real.
E menos sobre medo, controle e soluções mágicas.
Se isso faz sentido para você, compartilhe.
Precisamos ampliar esse debate.

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