Dr. Alexandre Pinto de Azevedo

26/07/2026

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É comum imaginar que tudo bem durante a semana dormir pouco e no fim de semana eu recuperar o tempo de sono. Contudo, as evidências científicas mostram que essa estratégia pode trazer algum conforto, mas está longe de reverter os efeitos da privação persistente de sono. Quando dormimos menos do que precisamos por vários dias consecutivos, acumulamos uma dívida de sono. Dormir algumas horas a mais em dias livres, como no fim de semana, pode reduzir a sensação física de cansaço.

Mesmo após um fim de semana de sono prolongado, alterações importantes podem persistir, incluindo prejuízos da atenção e concentração, maior impulsividade, instabilidade do humor e ansiedade, menor produtividade, alterações no metabolismo, fadiga constante, alterações de pressão arterial, aumento da fome e preferência por alimentos mais calóricos e desalinhamento de outros ritmos circadianos. Além disso, quando você passa a dormir e acordar muito mais tarde nos dias de folga, ocorre o chamado jet lag social, quando seu relógio biológico passa a funcionar em um fuso diferente daquele exigido durante a semana.

Na prática, isso significa que você inicia a segunda-feira tentando “viajar” de volta ao horário habitual, dificultando o início do sono nas noites seguintes e perpetuando um ciclo de privação. Isso não significa que dormir mais no fim de semana seja inútil. Na verdade, se você acumulou algumas noites ruins, esse descanso adicional pode trazer conforto. O problema é acreditar que ele elimina os impactos invisíveis de semanas ou meses de sono insuficiente.

A melhor estratégia continua sendo a mais simples — e, ao mesmo tempo, a mais difícil de manter: dormir um número adequado de horas, com horários relativamente regulares, todos os dias da semana. Seu cérebro não faz um “banco de horas” de sono. Ele depende de regularidade.

Dormir bem não é um luxo, é um dos pilares da saúde global em todas as idades.

✍🏼 Dr. Alexandre Pinto de Azevedo | Medicina do Sono | Obesidade
Fontes: Hsiao FC, 2025 | Depner CM, 2019 | Gao C, 2024 | Zhou Y, Sleep Breath, 2025 | Zhou Y, J Affect Disord, 2025

19/07/2026

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Critérios diagnósticos são fundamentais na medicina e saúde em geral. Eles padronizam a linguagem, orientam pesquisas, permitem comunicação entre profissionais e ajudam na tomada de decisão. Mas, na prática clínica, eles representam apenas uma parte do processo.

Muitos pacientes com transtornos alimentares ou comportamentos alimentares transtornados não chegam ao consultório dizendo exatamente o diagnóstico que tem; e quando o fazem, não raramente estão enganados. Frequentemente procuram atendimento por queixas inespecíficas acompanhadas por um sofrimento que ainda não conseguem nomear. Se o nosso olhar estiver restrito aos critérios diagnósticos, existe o risco de deixarmos passar justamente aqueles pacientes que mais precisam de ajuda.

Embora cada transtorno alimentar tenha características diagnósticas próprias, a maioria compartilha um conjunto de processos psicopatológicos centrais que orientam o raciocínio clínico. Restrição alimentar, episódios de perda de controle, comportamentos compensatórios, preocupação excessiva com peso, forma corporal e alimentação, além do sofrimento e do prejuízo funcional decorrentes desses comportamentos, constituem dimensões transdiagnósticas presentes em diferentes apresentações clínicas.

Reconhecer esses sintomas centrais permite identificar pacientes que ainda não preenchem todos os critérios diagnósticos, mas que já apresentam um transtorno alimentar em evolução e podem se beneficiar de intervenção precoce. Conhecer as apresentações clínicas em homens, adultos jovens e mais velhos, assim como nas vulnerabilidades da população GLBTQIAP+, podem favorecer o reconhecimento precoce de transtornos alimentares.

Mais do que decorar categorias diagnósticas, precisamos aprender a reconhecer padrões de comportamento, emoções e cognições. Essas dimensões atravessam diferentes transtornos alimentares e também aparecem em apresentações atípicas, subclínicas ou que ainda não preenchem todos os critérios formais para um diagnóstico específico.

✍🏼 Dr. Alexandre Pinto de Azevedo | Medicina do Sono | Obesidade
Aula apresentada AMBULIM 18.07.26
Fontes: APA Guideline, 2023 | Levinson CA, 2024 | S

19/07/2026

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Critérios diagnósticos são fundamentais na medicina e saúde em geral. Eles padronizam a linguagem, orientam pesquisas, permitem comunicação entre profissionais e ajudam na tomada de decisão. Mas, na prática clínica, eles representam apenas uma parte do processo.

Muitos pacientes com transtornos alimentares ou comportamentos alimentares transtornados não chegam ao consultório dizendo exatamente o diagnóstico que tem; e quando o fazem, não raramente estão enganados. Frequentemente procuram atendimento por queixas inespecíficas acompanhadas por um sofrimento que ainda não conseguem nomear. Se o nosso olhar estiver restrito aos critérios diagnósticos, existe o risco de deixarmos passar justamente aqueles pacientes que mais precisam de ajuda.

Embora cada transtorno alimentar tenha características diagnósticas próprias, a maioria compartilha um conjunto de processos psicopatológicos centrais que orientam o raciocínio clínico. Restrição alimentar, episódios de perda de controle, comportamentos compensatórios, preocupação excessiva com peso, forma corporal e alimentação, além do sofrimento e do prejuízo funcional decorrentes desses comportamentos, constituem dimensões transdiagnósticas presentes em diferentes apresentações clínicas.

Reconhecer esses sintomas centrais permite identificar pacientes que ainda não preenchem todos os critérios diagnósticos, mas que já apresentam um transtorno alimentar em evolução e podem se beneficiar de intervenção precoce. Conhecer as apresentações clínicas em homens, adultos jovens e mais velhos, assim como nas vulnerabilidades da população GLBTQIAP+, podem favorecer o reconhecimento precoce de transtornos alimentares.

Mais do que decorar categorias diagnósticas, precisamos aprender a reconhecer padrões de comportamento, emoções e cognições. Essas dimensões atravessam diferentes transtornos alimentares e também aparecem em apresentações atípicas, subclínicas ou que ainda não preenchem todos os critérios formais para um diagnóstico específico.

✍🏼 dr.alexandrepintodeazevedo
Aula inaugural apresentada AMBULIM
Fontes: APA Guideline, 2023 | Levinson CA, 2024 | S

13/07/2026

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“Além dos critérios diagnósticos: reconhecendo os Transtornos Alimentares na prática.”

Esse será o tema da Aula Inaugural gratuita da 26ª Turma do Aprimoramento em Transtornos Alimentares, ministrada pelo Dr. Alexandre Pinto de Azevedo | Medicina do Sono | Obesidade Dr. Alexandre Pinto de Azevedo, Vice-Coordenador Geral do AMBULIM.

📅 18/07 (sábado), às 10h

Além da aula, você conhecerá a proposta do curso, a metodologia, o corpo docente, a estrutura da formação, as certificações e todas as informações sobre a nova turma.

Os participantes da Aula Inaugural também terão acesso a condições especiais de inscrição.

🔗 Garanta sua vaga pelo link da bio do AMBULIM . Esperamos você!

.O processo de urbanização ampliou a exposição humana à luz artificial ampliando também o tempo ao longo da noite até a ...
13/07/2026

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O processo de urbanização ampliou a exposição humana à luz artificial ampliando também o tempo ao longo da noite até a hora de efetivamente dormir, incluindo o ruído ambiental geral, o tráfego e atividade social em horários biologicamente inadequados. Quando a noite urbana permanece iluminada, há maior risco de prolongamento do modo-dia com encurtamento do modo-noite, promovendo pior qualidade do sono.

A poluição sonora atua por outro caminho, mantém o sistema nervoso autônomo mais ativado por estímulos auditivos de alerta ou interesse, com potencial fragmentação do sono e produzindo microdespertares mesmo quando a pessoa não se lembra de ter acordado. O cérebro pode apresentar alguma habituação subjetiva ao barulho. Ou seja, a pessoa pode dizer que já se acostumou, que nem percebe mais tanto o ruido, som ou barulho, mas isso não significa ausência de resposta fisiológica cerebral, uma vez que o estímulo está lá.

Estudos mostram que o cérebro continua processando sons durante o sono, especialmente ruídos associados a ameaça ou imprevisibilidade. Mesmo sem despertar completo, pode haver aumento de frequência cardíaca, ativação autonômica, liberação de mediadores de estresse e fragmentação do sono. Ou seja, o indivíduo pode não perceber, mas o corpo pode continuar reagindo e isto modifica a funcionalidade restauradora do sono, por exemplo.

A literatura associa ruído de tráfego, luminosidade noturna, poluição atmosférica e alta densidade urbana a pior qualidade do sono, menor duração do sono, mais sintomas de insônia e maior sonolência diurna. As diretrizes da Organização Mundial da Saúde sobre ruído ambiental já reconhecem o sono como um dos principais desfechos afetados pela exposição sonora noturna. Na prática clínica, é comum que pacientes com insônia relatem piora em ambientes urbanos: barulho de rua, luminosidade que entra pela janela, vizinhos, bares, trânsito noturno, sensação de insegurança e hiperestimulação digital. Não é sempre a causa única da insônia, mas frequentemente funciona como fator perpetuador.

✍🏼 .alexandrepintodeazvedo
Fontes: Hu X, 2025 | Menculini G, 2024 | Basner M, 2018 | Jarosinska D, 2018 | Nieva-Ramirez DG, 2025

12/07/2026

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Recentemente, vídeos de pessoas aparentemente cantando enquanto dormem têm chamado atenção nas redes sociais. Mas isso é realmente possível? Na verdade, em teoria seria possível, mas a resposta exige algumas considerações importantes.

Os Transtornos do Despertar são parassonias do sono NREM nas quais ocorre um despertar incompleto: algumas redes cerebrais apresentam características de vigília, enquanto outras permanecem em estado de sono. São eles: o Despertar confusional, o Sonambulismo e o Terror noturno. Durante esses episódios, a pessoa pode apreender comportamentos físicos e emocionais mais complexos como falar, responder, gritar, sussurrar e executar sequências motoras complexas.

A literatura descreve comportamentos elaborados durante o sonambulismo, inclusive atividades que envolvem habilidades previamente aprendidas. Avaliando registros na literatura científica sobre cantar com melodia e palavras coerentes durante um episódio é até plausível, especialmente quando envolve uma música conhecida e automatizada. O cérebro enquanto dormimos não está simplesmente desligado e no sonambulismo ocorre uma dissociação entre sono e vigília, permitindo que determinados circuitos motores, linguísticos e comportamentais sejam ativados de forma inapropriada.

Portanto, cantar durante o sono não é, por si só, impossível ou necessariamente uma encenação. Contudo devemos considerar que cantar de forma extremamente clara, organizada e repetidamente diante de uma câmera é extremamente improvável e não confirma que a pessoa esteja realmente dormindo.

Um vídeo nas redes sociais não permite determinar o estado de consciência nem estabelecer o estágio do sono. O diagnóstico depende da história clínica e, em casos selecionados ou atípicos, de vídeo-polissonografia, que pode documentar simultaneamente o comportamento e a atividade cerebral durante o episódio.

Na medicina do sono, comportamentos complexos podem surgir na fronteira entre dormir e despertar — e essa fronteira é muito mais interessante do que simplesmente estar acordado ou dormindo.

✍🏼 Dr. Alexandre Pinto de Azevedo | Medicina do Sono | Obesidade
Fontes: Irfan M, 2025 | Idir Y, 2022 | C

05/07/2026

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Nos últimos anos, os medicamentos para o tratamento da obesidade ganharam enorme destaque. Mas existe uma dúvida muito frequente: afinal, o que são GLP-1 e GIP? Antes de serem medicamentos, GLP-1 e GIP são parte da fisiologia humana e os tratamentos modernos nasceram da compreensão dessa biologia. São hormônios intestinais da família das incretinas e são produzidos por células diferentes e em regiões distintas do trato gastrointestinal.

O GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon-1) é produzido principalmente pelas células L do intestino, concentradas no jejuno, íleo distal e cólon. Sua secreção ocorre principalmente após a ingestão de alimentos, especialmente carboidratos, gorduras e proteínas, participando do aumento da saciedade, reduz a velocidade do esvaziamento gástrico, estimula a secreção de insulina quando a glicose está elevada e diminui a liberação de glucagon. Como consequência, muitas pessoas apresentam redução da fome e passam a sentir satisfação com menores quantidades de alimento.

O GIP (glucose-dependent insulinotropic polypeptide) é produzido pelas células K do intestino, localizadas predominantemente no duodeno e no jejuno proximal e também liberado rapidamente após as refeições, principalmente em resposta à presença de glicose e lipídios. Além de potencializar a secreção de insulina de maneira dependente da glicose, estudos recentes sugerem que sua ação, quando associada à do GLP-1, pode ampliar os benefícios sobre o controle glicêmico e favorecer uma perda de peso mais expressiva.

Hoje sabemos que o peso corporal é regulado por mecanismos biológicos complexos e múltiplos processos fisiológicos cerebrais e periféricos. Por isso, reduzir o tratamento da obesidade a uma simples questão de comer menos ou promover saciedade não é suficiente para garantir um tratamento bem sucedido para a obesidade, diante da diversidade de fenótipos clínicos de comportamento alimentar e fenótipos clínicos de obesidade.

✍🏼 Dr. Alexandre Pinto de Azevedo | Medicina do Sono | Obesidade
Fontes: Nauck MA, 2025 | Yamanouchi D, 2025 | Zheng Z, 2025 | Liu Z, 2025 | McGowan B, 2025

28/06/2026

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Não há dúvidas que mudança de hábitos d estilo de vida são componentes essenciais para saúde. Quando pensamos em longevidade saudável incluímos pelo menos 3 bases necessárias: cuidado com o sono, atenção para o comportamento alimentar (estrutura, escolhas, quantidades) e rotinas de atividade e exercícios físicos. Estes mesmos pontos essenciais devem ser considerados para quem quer ou clinicamente precisa perder peso.

O uso medicamentoso também pode fazer parte do processo de tratamento do sobrepeso e obesidade quando clinicamente indicado e devemos respeitar e valorizar a importância dos medicamentos análogos dos receptores de GLP1 e GIP (injetáveis ou orais) já disponíveis e os demais que estão por vir, considerando o avanço importante que representam. Contudo, enfatizamos que junto ao uso destas medicações, as mudanças de hábitos e estilo de vida devem fazer parte.

No entanto, novos dados apresentados no ENDO 2026 desafiam essa ideia (The Endocrine Society’s Annual Meeting). Estudo apresentado analisou adultos com obesidade que iniciaram tratamento com agonistas do GLP-1 e observaram que, após o início da medicação, houve redução da média de passos diários e do tempo de atividade física moderada a vigorosa realizada. Apesar de ser um observacional e não permitir estabelecer relação de causa e efeito, ele reforça um ponto essencial: o tratamento farmacológico da obesidade não substitui a prática de atividade física.

Essa observação é especialmente relevante porque a perda de peso pode ocorrer acompanhada de redução de massa muscular. O treinamento de força, associado à atividade física regular, contribui para preservar massa magra, manter a capacidade funcional, melhorar a saúde cardiometabólica e favorecer a manutenção do peso a longo prazo.

Sempre no processo de perda de peso, o sucesso do tratamento não deve ser avaliado apenas pelos quilos perdidos na balança. É fundamental acompanhar também indicadores como composição corporal e funcionalidade física.

✍🏼 Dr. Alexandre Pinto de Azevedo | Medicina do Sono | Obesidade
Fontes: Maharjan A, et al. ENDO 2026 | Endocrine Society. Press Release. June 2026 | Pedersen SD, e

27/06/2026

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O 𝐀𝐩𝐫𝐢𝐦𝐨𝐫𝐚𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨 𝐞𝐦 𝐓𝐫𝐚𝐧𝐬𝐭𝐨𝐫𝐧𝐨𝐬 𝐀𝐥𝐢𝐦𝐞𝐧𝐭𝐚𝐫𝐞𝐬 𝐝𝐨 𝐀𝐌𝐁𝐔𝐋𝐈𝐌 foi desenvolvido para capacitar profissionais da saúde na avaliação, diagnóstico e condução do tratamento dos transtornos alimentares, com base nas melhores evidências científicas e em uma prática clínica interdisciplinar qualificada.

A formação integra aulas gravadas objetivas, encontros ao vivo interativos com profissionais de referência em transtornos alimentares, discussão de casos clínicos e contato direto com uma equipe multiprofissional do AMBULIM, promovendo o equilíbrio entre aprofundamento teórico e aplicação prática no cuidado aos TA.

📍Clique no link da bio do AMBULIM e participe da aula inaugural gratuita 𝐈𝐧𝐝𝐨 𝐚𝐥𝐞́𝐦 𝐝𝐨𝐬 𝐜𝐫𝐢𝐭𝐞́𝐫𝐢𝐨𝐬 𝐝𝐢𝐚𝐠𝐧𝐨́𝐬𝐭𝐢𝐜𝐨𝐬: 𝐫𝐞𝐜𝐨𝐧𝐡𝐞𝐜𝐞𝐧𝐝𝐨 𝐨𝐬 𝐭𝐫𝐚𝐧𝐬𝐭𝐨𝐫𝐧𝐨𝐬 𝐚𝐥𝐢𝐦𝐞𝐧𝐭𝐚𝐫𝐞𝐬 𝐧𝐚 𝐩𝐫𝐚́𝐭𝐢𝐜𝐚, no dia 18/07/26, ministrada pelo Dr. Alexandre Pinto de Azevedo, Vice-Coordenador Geral do Programa de Transtornos Alimentares AMBULIM do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

Conheça de perto a proposta do curso, seus diferenciais e a metodologia de ensino do principal centro de tratamento, ensino e pesquisa em Transtornos Alimentares da América Latina.

21/06/2026

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A intolerância à glicose e a glicemia de jejum alterada são reconhecidas há muito tempo como fatores de risco para o desenvolvimento do diabetes tipo 2. O termo pré-diabetes foi introduzido pela Associação Americana de Diabetes em 2011, com a intenção de reconhecer valores intermediários de glicose entre o normal e o diabetes como um fator de risco para o desenvolvimento do diabetes tipo 2 e incentivar os médicos a recomendarem modificações no estilo de vida.

Na última década, fortes associações foram demonstradas entre pré-diabetes e riscos à saúde, sugerindo que é uma doença com implicações mais amplas para a saúde. Publicação na The Lancet Diabetes & Endocrinology 2026 propõe que o diabetes tipo 2 seja encarado como uma doença progressiva em estágios e que “pré-diabetes” deixe de ser visto como uma condição prévia ao diabetes, permitindo intervenções mais precoces e potencialmente mais eficazes.
Sugerem o estadiamento em:
Estágio 1: Normoglicemia de alto risco (alterações metabólicas iniciais, com glicemia ainda dentro da faixa considerada normal).
Estágio 2: Disglicemia (atual “pré-diabetes”): glicemia de jejum alterada, intolerância à glicose ou HbA1c entre 5,7–6,4%
Estágio 3: Diabetes tipo 2 estabelecido, preenchendo os critérios diagnósticos atuais.

A expressão Disglicemia substituiria à expressão pré-diabetes. Os autores também sugerem que o estágio 2 poderia ser subdividido conforme o risco e a velocidade de progressão da doença (progressores lentos ou rápidos), considerando aspectos como idade, obesidade e outros.

Segundo os autores, a nomenclatura atual de pre-diabetes gera a falsa impressão de que o paciente ainda “não tem doença” e não apresentaria riscos à saúde. Isso contribui para: atraso no diagnóstico, menor adesão a mudanças de estilo de vida, menor utilização de terapias preventivas e ausência de políticas regulatórias específicas para tratamento do pré-diabetes.

✍🏼 Dr. Alexandre Pinto de Azevedo | Medicina do Sono | Obesidade
Fonte: Shah VN, Battelino T, Bergenstal RM, Phillip M. Staging prediabetes and type 2 diabetes: the time to start is now. Lancet Diabetes Endocrinol. 2026

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Terça-feira 08:00 - 20:00
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