07/05/2020
As escolhas que temos que fazer
Por Assad Frangieh*
Esse artigo foi escrito dia 7 de maio de 2020. É importante destacar a data para darmos uma divisória no entendimento deste texto.
Há quatro possibilidades de um cidadão estar vivendo:
1. Ele já se contaminou com vírus e está numa fase branda sem internação;
2. Ele já se contaminou com vírus e está numa fase grave internado ou em UTI;
3. Ele já se contaminou e apresenta imunidade ao vírus;
4. Ele não se contaminou ainda.
A importância desta classificação é para entendermos melhor como analisar os inúmeros gráficos apresentados na mídia e em qual período que estaremos livres. Um dado significativo é que a média de internação de um paciente beira os 25 dias num leito que geralmente costuma girar em 4 dias em média. F**a muito fácil entender a falta de leitos, apesar do elevado número de óbitos e os esforços de ampliação de leitos.
Portanto, os pacientes do grupo 2 que já estão internados, estão com elevada possibilidade de se recuperarem. Eles entraram no último vagão de trem e nele não tem mais como acrescentar novos passageiros. São 25 dias, em média, para um hospital saturado conseguir voltar à normalidade.
Os pacientes que chegarão hoje até os próximos 25 dias, vão encontrar uma situação caótica. Terão sorte se tiverem imunidade natural e conseguiram algum tipo de assistência de UTI. Os pacientes que estão imunizados já estão salvos.
Se não sabem que já estão imunizados, precisam de mais compreensão desse ciclo vicioso. Agora, se sabem que estão imunizados e pregam pelo fim do isolamento, são pessoas tremendamente egoístas para não qualifica-las com adjetivos criminosos.
O isolamento social é a única medida coletiva que possa reduzir o aumento do grupo 1 e 2 rompendo esse ciclo vicioso. Não existe um coeficiente de 10%, 20% ou 30% que determine quantas pessoas precisam ser contaminadas para rompemos o ciclo vicioso. Para fazermos esse análise, devemos adotar hoje o máximo de isolamento social pelo menos nos próximos 25 dias. Se fizermos menos, o ciclo vai demorar mais para se romper.
Há prioridade que temos que escolher. A economia é o corpo de uma nação, mas é seu povo que forma sua alma. Qual das duas priorizamos?
*Assad Frangieh é médico desde 1986. Já exerceu cargos de direção e de assessorias em serviços privados e públicos. Hoje é CEO do Brasilmedicina e da GTS-Fotona, empresas privadas de tecnologia na Saúde e de laser no tratamento de saúde