28/08/2026
Hoje é Dia do Psicólogo e eu fiquei pensando no que é para mim, ser psicóloga.
Acho que, às vezes, existe uma ideia de que o psicólogo sabe lidar com tudo. Que escuta histórias difíceis o dia inteiro e simplesmente consegue fechar a porta do consultório e seguir a vida.
Mas não é bem assim.
Eu também me emociono.
Também me preocupo.
Também saio de uma sessão pensando naquela pessoa.
Tem dias em que uma história f**a comigo por mais tempo do que eu gostaria.
Porque antes de ser psicóloga, eu sou uma pessoa. E ser uma boa terapeuta, para mim, não signif**a não sentir. Signif**a aprender a sentir sem deixar que aquilo me faça ocupar o lugar do outro.
E talvez essa seja uma das partes mais bonitas e mais difíceis da profissão.
Eu me importo. Muito.
Quero ver meus pacientes bem, quero vê-los conseguindo, se escolhendo, fazendo movimentos que antes pareciam impossíveis. E às vezes, justamente por me importar tanto, preciso lembrar que a vida deles não está nas minhas mãos.
Eu posso acompanhar, escutar, questionar, acolher, provocar algumas reflexões… mas o caminho continua sendo deles.
E que satisfação é perceber que, em algum momento, aquela pessoa já não precisa mais de mim.
Claro que f**a saudade. F**a um vazio. Afinal, são vínculos que construímos ao longo de meses ou até anos.
Mas também existe uma alegria enorme em saber que alguém está indo embora porque está bem.
Talvez seja isso que eu mais gosto nessa profissão: poder estar tão perto de alguém em momentos tão importantes da vida, sem precisar ser a pessoa que resolve a vida dela.
Eu não tenho todas as respostas.
Eu também me canso.
Eu também tenho dias difíceis.
Eu também sou atravessada pelo que escuto.
E talvez seja justamente a minha humanidade que me permita encontrar a humanidade do outro.
Ser psicóloga é, para mim, estar inteira ali, mas nunca esquecer que, antes de tudo, somos duas pessoas tentando compreender um pouco melhor a vida.
E eu ainda acho um privilégio enorme poder fazer isso todos os dias.