07/05/2026
PAIXÃO.
Texto: Elizabeth Queiroz
Psicologa: CRP: 06/116408.
Psicanalista SBPH N º 2009/SP. Consultas: 3331 4859 – 9772 6039.
Freud identif**a o termo paixão, como uma “Identif**ação Projetiva”. Vamos tentar entender melhor o que ele quis dizer. Uma identif**ação sempre está relacionada com uma “gratif**ação alucinatória”, ou seja, eu projeto nele o que não vejo em mim, ou, o que eu penso que ele possa ser. Ou ele tem haver com meu modelo inconsciente ou arquétipo.
Geralmente a Identif**ação Projetiva possui ambas as partes, boas e más, do objeto amado. E também as partes odiadas e amadas do EU. A Identif**ação Projetiva é a base para muitas situações de ansiedade.
Relações Objetais Esquizóides; Nas personalidades esquizóides as características típicas das relações, são de natureza narcísica.
Quando o ego ideal é projetado em outra pessoa, está passa a ser amada e admirada porque contem as partes boas do EU. Do mesmo modo, a relação com outras pessoas na base da projeção das partes más do EU, é de natureza narcísica.
Geralmente nas relações narcísicas manifestam-se fortes características obsessivas. Vivencia-se o outro, por isso é narcisista. Projeta o seu ego no outro. (identif**ação projetiva).
O impulso para controlar a outra pessoa é elemento essencial na Neurose Obsessiva. Na verdade, representa a necessidade e o impulso desviado para controlar algumas partes do EU. Quando essas partes foram excessivamente projetadas, só podem ser controladas desde que se controle essa pessoa.
Outra característica das relações objetais esquizóides é um acentuado artificialismo e falta de expontaniedade, a par de um grave distúrbio do sentimento do Eu, da relação com o Eu. E essa relação também se manifesta de um modo artificial, em outras palavras, a realidade psíquica e a relação com a realidade externa estão igualmente perturbadas. Ou seja o que acontece é uma ambigüidade narcísica.
A projeção das partes destacadas do eu em outra pessoa, influi, essencialmente nas relações objetais, na vida emocional e na personalidade como um todo.
Para ilustrar essa afirmação vamos apontar dois fenômenos universais; Sentimentos de solidão e o medo da separação.
Sabemos que uma das causas dos sentimentos depressivos que acompanham a separação encontra-se no medo da destruição do objeto amado pelos impulsos agressivos dirigido contra ele. Mas na verdade são os processos de divisão do ego e projeção que se encontram subtendidos nesse medo. O objeto interno é sentido como se estivesse sujeito ao mesmo perigo de destruição que o objeto externo, que uma parte do EU foi deixada. É por isso que muitas vezes, acontecem crimes ou suicídios em casos de separação conjugal.
O resultado é um excessivo enfraquecimento do ego e grande sentimento de solidão e desamparo. Embora essa descrição se aplique aos indivíduos neuróticos, creio que em certo grau, é um fenômeno geral.
Paixão e delírio de fim de mundo, são os dois pólos de máximo desenvolvimento e máxima retração da libido em relação ao objeto, sintomas que são encontrados principalmente na paranóia.
Paixão: Contínua relembrança daquilo que não é. Daquilo que faltou. Da falta. (nostalgia). A paixão reproduz a experiência estética, através do Platônico, das formais ideais. É a infinitude do desejo do outro e aceita a incerteza. Sustenta o objeto para alem do quadro seguro da sua fantasia, está na fantasia sem a garantia do desejo do outro, e a fantasia está no interior da repetição. Kierkegaard/Lacan.