17/06/2026
Reduzir 99% da carga de fibrilação atrial ainda pode ser chamado de falha?
Essa pergunta parece estranha, mas é exatamente o tipo de reflexão que estudos como o CIRCA-DOSE provocam.
Durante muito tempo, o sucesso da ablação de FA foi medido de forma binária: teve recorrência ou não teve. Em muitos estudos, um episódio de taquiarritmia atrial com duração ≥30 segundos já é suficiente para contar como recorrência.
O problema é que a prática clínica é mais complexa que isso.
Um episódio curto, assintomático, detectado por monitorização contínua, não necessariamente tem o mesmo significado de uma FA frequente, sintomática e sustentada. E quando começamos a medir carga de FA, a conversa muda.
No CIRCA-DOSE, a liberdade do desfecho primário ficou em torno de 52–54%. Mas a redução da carga de FA foi de aproximadamente 98–99% nos grupos avaliados.
Então talvez a pergunta mais útil não seja apenas: “a FA voltou?”
Talvez seja: “quanto ela voltou, com que sintomas, em que contexto e com qual impacto para o paciente?”
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