28/05/2025
“Eu sou um corpo, um ser, um corpo só. Tem cor, tem corte e a história do meu lugar… Ainda que não queiram…”
Hoje, ouvindo Luedji Luna, redigindo um texto sobre mulheres migrantes em situação de v1ol3nci4 conjugal, me peguei pensando sobre viagens.
Com muito respeito a representatividade da letra da música e a força de resistência de Luedji, me vi viajando para dentro de mim. Em meio às palavras, a mistura de dois textos que atravessam as fronteiras da minha história: transgeracionalidade e imigração.
Viajei para dentro, visualizei minha própria bússola. Luedji me relembrou que meu norte está dentro de mim.
Mesmo percorrendo viagens fora, inclusive e principalmente em contexto migratório, os caminhos para encontrar as próprias respostas estarão, na maioria das vezes, na estação com destino: ‘mundo interno’.
Mesmo fazendo contato com o estranho - no estrangeiro - ele escancara as paisagens assustadoras do próprio estranho que habita dentro. E é nesse caminho, que se torna possível resgatar a história. Ou a precisa pergunta: de onde eu vim?
Pergunta essa que abre um leque de conhecimento sobre si… como eu cheguei até aqui? De quem eu vim? Para que faço o que faço? E os sonhos, são só meus? Quais as minhas responsabilidades frente a história que carrego? Com o que desejo romper? O que quero transformar?
E então, nesse encontro com o estrangeiro, conheço o que desconheço em mim.
Talvez por isso, o contexto migratório seja tão desafiador para o migrante. Tudo novo fora que evoca o tudo novo e, não tão incomum - assustador - dentro.
Mas na última parada, a lembrança de que: “Eu sou a minha própria embarcação…”
Mesmo no desconhecido, sempre há um lugar conhecido para voltar.
Aproveito para deixar um abraço a todas as cicatrizes - herdadas - no processo de migração. Até as que vieram bem antes e fazem raízes no inconsciente ♥️🌻