30/07/2026
Você não precisa se explicar.
Nem me contar toda a sua história na primeira consulta.
Nem justif**ar as escolhas que fez.
Nem sofrer imaginando que vai precisar expor os seus segredos mais íntimos para uma pessoa que acabou de conhecer.
Se eu for a ginecologista que você escolheu, antes de qualquer coisa, quero que você saiba de uma coisa: eu não estou aqui para te julgar.
Aliás, acho que minha vocação para a medicina começou muito antes dos partos, das cirurgias ou dos consultórios.
Começou quando eu ainda era criança.
Eu sempre fui uma boa ouvinte. E, talvez por isso, também tenha sido uma pessoa um pouco preocupada com o outro.
Desde pequena, qualquer ser vivo que cruzasse o meu caminho e parecesse precisar de ajuda despertava alguma coisa em mim. Já foram passarinhos, um beija-flor, pintinhos, gatos… e, mais tarde, cachorros, que continuam sendo uma das minhas maiores paixões.
Na época eu não sabia, mas cuidar já fazia parte de quem eu era.
E existia mais uma coisa.
Eu gostava de investigar.
Sempre gostei de juntar pistas, observar detalhes, tentar entender o que havia por trás daquilo que nem sempre era visível.
Hoje percebo que foi justamente dessa mistura que nasceu a médica que eu me tornei.
Um pouco de cuidado.
Um pouco de escuta.
Um pouco de curiosidade.
E um enorme interesse pelas histórias das pessoas.
Porque é isso que acontece dentro de um consultório.
Nós não tratamos apenas exames.
Nós conhecemos histórias.
E nenhuma história precisa ser contada inteira logo no primeiro capítulo.
(Continua nos comentários)