14/03/2021
Em/Impotência
O que mais me doe nesse momento é a impotência.
Me considero uma pessoa até bastante politizada. Desde jovem.
Lembro de assistir as brigas dentro da minha casa em 1975, quando, eu com 11 anos ouvia meus pais, ambos funcionários públicos, não aceitarem minha irmã mais velha participar de greve na medicina da UFRGS. Greve em tempos de ditadura.
O bom disso tudo eram as discussões que sempre aconteciam. Bem ou mal a gente tinha abertura pra falar dentro de casa. Uma mãe professora, um pai assistente social, gente que sabia o que acontecia com o povo, que tinha cultura e que por mais que não fosse noticiado sabia questionar. No mínimo duvidava.
Então eu também aprendi a questionar. Também aprendi a querer informação e questionar a informação.
Tive meus ídolos políticos reais. Nunca fui sonhadora com Marx ou Che Guevara. Um por não entender nada de realidade e escrever sobre teorias. Outro por resolver em armas, o que nunca seria minha escolha. Meus objetos de esperança eram Felipe Gonzales na Espanha, Helmut Kohl na Alemanha, até Alan Garcia no Peru. Todos pelos idos da década de 1980.
Pois é, a gente se ilude. Especialmente quando jovem e muito mais cheia de esperanças.
Hoje minhas esperanças são questionáveis como as informações. Mas Elas continuam existindo.
Andam um tanto escassas, limitadas, mas sobre tudo buscam encontrar em mulheres minha força.
Sem ser egocêntrica tenho força em mim. Sei a capacidade que tenho e, por mais frágil que possa me encontrar sempre vou ter forças pra levantar. Vejo minhas irmãs que fazem isso todos os dias, minha filha e minhas sobrinhas se tornando mulheres incríveis e cheias de potência.
Pelo Brasil e no mundo são mulheres que me inspiram. Gente mais comum aos meus olhos de hoje e que me dão muito mais esperança. Só pra lembrar de algumas Angela Merkel, Djamila Ribeiro, Oprah Winfrey, Jacinda Ardern. Seres humanos normais. Pessoas normais. Com caráter como todos deveriam ter. Nenhuma ídolo. Mulheres de fibra, intelectuais, que se importam com pessoas, como todo mundo deveria ser. Simples assim.
E, no entanto, me sinto muito pequena. Quem sabe como devemos mesmo ser, de alguma forma pequenos. Já seria um começo para um grande coletivo.