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Angústia  é sinal de que algo do desejo, do medo ou de um conflito inconsciente está pedindo passagem.Em Freud, a angúst...
15/09/2026

Angústia é sinal de que algo do desejo, do medo ou de um conflito inconsciente está pedindo passagem.

Em Freud, a angústia funciona como um alerta diante de um perigo interno: um desejo, uma lembrança ou uma ameaça de perda que o eu não consegue elaborar. Em Lacan, ela surge especialmente quando faltam palavras para organizar aquilo que se sente — e quando o sujeito não sabe que lugar ocupa no desejo do outro.

Por isso, a ansiedade pode aparecer como necessidade de controlar tudo;
antecipação constante de catástrofes; medo sem causa claramente identificável; pensamentos repetitivos;dificuldade de descansar;manifestações corporais, como aperto no peito, falta de ar, insônia ou taquicardia.

O tratamento psicanalítico não se limita a ensinar a controlar a ansiedade. Ele procura escutar o que ela anuncia na história singular daquela pessoa: “Por que isso me angustia?”, “O que temo perder?”, “A que expectativas tento corresponder?” e “Que desejo meu não encontra lugar?”.

A análise busca transformar uma ansiedade vivida apenas como invasão em algo que possa ser nomeado, compreendido e elaborado. Quando o sujeito consegue reconhecer seus conflitos, limites e desejos, já não precisa responder à angústia somente por meio do corpo, do controle ou da repetição.
Corpo e mente não estão separados .Psicossoma é a compreensão de que psique e corpo formam uma unidade. Aquilo que sentimos, vivemos e não conseguimos elaborar pode repercutir fisicamente — assim como uma alteração corporal afeta também nosso estado emocional.

Na psicanálise, a raiva não é vista apenas como uma emoção a ser controlada. Ela pode ser entendida como um afeto que de...
02/09/2026

Na psicanálise, a raiva não é vista apenas como uma emoção a ser controlada. Ela pode ser entendida como um afeto que denuncia algo: uma frustração, uma ferida narcísica, um sentimento de invasão, uma perda ou até um desejo que o sujeito não consegue reconhecer como seu.

Em Freud, a agressividade faz parte da constituição humana. Ela pode voltar-se para o outro, mas também contra o próprio sujeito — aparecendo, por exemplo, como culpa, autocobrança ou autodepreciação. Em O mal-estar na civilização, Freud mostra justamente o conflito entre as exigências pulsionais e os limites impostos pela vida em sociedade.

Com Lacan, podemos pensar a raiva também na relação com o Outro. Muitas vezes, ela surge quando esperamos que o outro corresponda ao lugar que lhe atribuímos: que nos reconheça, nos ame, nos respeite ou aja como imaginávamos. Quando essa expectativa se rompe, algo da nossa própria falta aparece.
A raiva pode funcionar como uma espécie de defesa. Às vezes é mais suportável sentir raiva do que entrar em contato com aquilo que está por baixo dela: tristeza, impotência, abandono, vergonha, rejeição ou desejo.

A psicanálise não pretende eliminar a raiva. Ela procura escutá-la. Porque quando o sujeito consegue colocar palavras onde antes havia apenas reação, pode descobrir que sua raiva conta uma história — e que nem toda essa história pertence à pessoa contra quem ela está dirigida.

O NARCISISMO COMO CONSTITUINTE DO EUQuando falamos em narcisismo na psicanálise, não estamos falando de vaidade, egoísmo...
01/09/2026

O NARCISISMO COMO CONSTITUINTE DO EU

Quando falamos em narcisismo na psicanálise, não estamos falando de vaidade, egoísmo ou de alguém “que se acha demais”.

O narcisismo participa da construção do Eu, ou seja , é constituinte .

Para Freud, o Eu não nasce pronto. Há um momento em que a libido passa a investir o próprio Eu, permitindo que o sujeito construa uma unidade de si.

Lacan avança nessa questão ao propor o estádio do espelho.

A criança encontra no espelho uma imagem inteira e organizada de si, antes mesmo de experimentar plenamente essa unidade em seu próprio corpo, ela se reconhece naquela imagem: “ Sou eu.”

Para construir a ideia de quem sou, é preciso passar por algo que está fora de mim: a imagem e o olhar do Outro, esse que atravessa e é atravessado pela linguagem e “ diz “ de mim .

É também a partir do modo como fomos olhados, nomeados e desejados que construímos identificações:

O Eu vai se constituindo através de imagens.

Por isso, em Lacan, o Eu tem uma dimensão imaginária e alienante: precisamos de uma imagem para adquirir consistência, mas nunca somos inteiramente aquilo que imaginamos ser.Existe sempre algo de nós que escapa e é justamente aí que encontramos o sujeito do inconsciente.

Talvez uma questão importante em análise seja:

Quanto daquilo que você chama de “eu” é você — e quanto é a imagem que aprendeu a sustentar para o Outro? Renata Barros | Psicanalista

Seminário de curta duração - o efeito do racismo no narcisismo do sujeito negro . Isildinha Baptista Nogueira .
22/08/2026

Seminário de curta duração - o efeito do racismo no narcisismo do sujeito negro . Isildinha Baptista Nogueira .

21/08/2026
Na psicanálise, o sintoma não é apenas algo que precisa ser eliminado. Ele é entendido como uma formação que carrega um ...
19/08/2026

Na psicanálise, o sintoma não é apenas algo que precisa ser eliminado. Ele é entendido como uma formação que carrega um sentido — ainda que esse sentido seja, em parte, inconsciente.

Para Freud, o sintoma surge como uma espécie de solução de compromisso: de um lado, há um desejo / pulsão que encontra impedimento; de outro, as forças defensivas do eu. Aquilo que foi recalcado não desaparece e pode retornar de maneira disfarçada sob a forma de sintoma. Por isso, o sintoma ao mesmo tempo faz sofrer e satisfaz algo do desejo inconsciente.

Um exemplo simples: uma pessoa pode sofrer repetidamente com a necessidade de controlar tudo. Conscientemente, deseja livrar-se desse comportamento. Entretanto, na análise pode aparecer que esse controle também a protege da angústia, da imprevisibilidade ou de determinados desejos que seriam difíceis de reconhecer. O sintoma, portanto, possui uma função para aquele sujeito.

Lacan formula que “o inconsciente é estruturado como uma linguagem”. Assim, o sintoma pode ser pensado como algo que se escreve na história singular do sujeito: aparece nas repetições, nos atos, nas escolhas amorosas, nas palavras, nos esquecimentos e no corpo.

Mas Lacan também avança para além da ideia de simplesmente decifrar o significado do sintoma. Em seu ensino tardio, o sintoma se aproxima da noção de sinthoma: uma maneira singular pela qual cada sujeito organiza seu modo de existir e seu gozo.

É por isso que a direção de uma análise não é simplesmente: “Como faço para acabar com meu sintoma?”. Uma questão mais propriamente analítica seria:

“O que esse sintoma diz de mim, por que continuo repetindo isso e qual é a minha participação naquilo de que me queixo?”

A análise permite que o sujeito passe de alguém que apenas sofre o sintoma para alguém capaz de interrogar sua função, reconhecer algo de seu desejo e construir outra relação com aquilo que se repete.

Em uma formulação sintética: o sintoma é sofrimento, mas também é mensagem, defesa, satisfação e uma solução singular encontrada pelo sujeito. Em tempos de diagnósticos como Verdade , apagamos o sujeito e, mais ainda , igualamos a massa e apagamos toda e qualquer cosmovisão.

O Homem dos Ratos (Notas sobre um caso de neurose obsessiva, 1909) é um dos casos clínicos mais importantes de Sigmund F...
26/07/2026

O Homem dos Ratos (Notas sobre um caso de neurose obsessiva, 1909) é um dos casos clínicos mais importantes de Sigmund Freud. Nele, Freud demonstra o funcionamento da neurose obsessiva. Para Freud, o obsessivo sofre menos pelo desejo em si e mais pela tentativa permanente de controlá-lo.
Os sintomas aparecem como defesa contra desejos inconscientes considerados inaceitáveis e com a formação de mecanismos defensivos que permitem com que o desejo permaneça inconsciente enquanto retorna sob a forma de obsessões e rituais.Um dos conceitos centrais do caso é a ambivalência afetiva. O obsessivo sente-se responsável até mesmo por seus pensamentos e , por isso ,acredita que pensar algo equivale de certa maneira, a realizá-lo . Ao mesmo tempo, enquanto permanece duvidando, o sujeito evita confrontar seu próprio desejo. A dúvida protege contra a responsabilidade de escolher. Lacan resume essa lógica afirmando que o obsessivo procura manter o desejo vivo justamente por não realizá-lo.. O tratamento psicanalítico visa permitir que o sujeito reconheça sua posição em relação ao próprio desejo, em vez de permanecer aprisionado às compulsões, à culpa e às intermináveis dúvidas que sustentam seu sofrimento. A montagem da peça por Antonio Quinet psicanalista é bonita , com propriedade de quem sabe o que fala e fundada também em sua teoria sobre insconsciente teatral , “estruturado pela linguagem “ . Vale a pena ! Leandro de Oliveira Silva Christiane Ruggiero

Papo no divã . Psicanálise e DinheiroFalar de dinheiro pode causar desconforto. E, quando o assunto é psicanálise, essa ...
08/07/2026

Papo no divã .

Psicanálise e Dinheiro

Falar de dinheiro pode causar desconforto. E, quando o assunto é psicanálise, essa questão costuma aparecer cedo ou tarde.

“Por que preciso pagar para falar?”

Na psicanálise, o pagamento não é apenas uma remuneração pelo tempo do analista. Ele faz parte do tratamento.

Quando alguém investe em sua análise, faz um investimento em si mesmo. O valor pago marca um compromisso com o próprio desejo e com a responsabilidade de ocupar um lugar ativo no processo.
O essencial é que exista um valor que tenha sentido para quem está em análise.

O dinheiro, na clínica, também fala. Ele pode revelar culpas, medos, fantasias, dificuldades em receber, em gastar, em desejar ou em reconhecer o próprio valor.

Mais do que uma transação financeira, o pagamento faz parte da construção do vínculo analítico e da implicação do sujeito com sua própria história.

A questão não é apenas quanto custa uma análise. A pergunta também pode ser: quanto custa não olhar para o próprio sofrimento?

Renata Barros – Psicanalista

Para a psicanálise, a cultura não é apenas o conjunto de costumes, artes e tradições de uma sociedade; ela é também aqui...
01/07/2026

Para a psicanálise, a cultura não é apenas o conjunto de costumes, artes e tradições de uma sociedade; ela é também aquilo que torna possível a vida em comum, ao mesmo tempo em que exige renúncias dos indivíduos.

Freud desenvolve essa ideia especialmente em O Mal-Estar na Civilização. Sua tese central é que existe um conflito inevitável entre os desejos inconscientes e as exigências da vida social. Para viver em sociedade, o ser humano precisa limitar a satisfação imediata de suas pulsões, principalmente as ligadas à sexualidade e à agressividade. Essa renúncia é o preço da civilização. Para Lacan, a cultura não apenas reprime; ela também produz formas de desejar e ,
Portanto , sintomas não aparecem isoladamente, dialogam com o momento histórico. Autores contemporâneos como Zygmunt Bauman, Byung-Chul Han e Slavoj Žižek, dialogam com a psicanálise ao analisar como o individualismo, o excesso de informação, a lógica do desempenho e o consumo modificam a forma como o sujeito sofre e se relaciona. O analista precisa então escutar “ no tempo “ .

Feliz dia dos namorados 💘 “Amar é dar o que não se tem a quem não o quer.”Ela é uma formulação paradoxal típica da psica...
12/06/2026

Feliz dia dos namorados 💘

“Amar é dar o que não se tem a quem não o quer.”

Ela é uma formulação paradoxal típica da psicanálise lacaniana. Uma leitura possível:

* “dar o que não se tem” → no amor, ninguém oferece completude real. Oferece falta, desejo, vulnerabilidade, reconhecimento.
* “a quem não o quer” → o outro nunca deseja exatamente aquilo que imaginamos entregar. Há sempre desencontro entre desejo e expectativa.

A frase não significa que o amor seja falso, mas que ele é marcado por incompletude e pela impossibilidade de fusão perfeita entre duas pessoas.

Por isso ela soa tão forte: desmonta a ideia romântica de que amar é encontrar alguém que nos “complete”. Para Lacan, o amor é justamente uma tentativa humana — bela e trágica — de lidar com a falta.

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